'Coroa', líder do CV no CE, será transferido para Presídio de Segurança Máxima
Homem era réu na Justiça por homicídio e por organização criminosa, e representa perigo ao Estado, segundo a decisão dos magistrados.
Respondendo a crimes como homicídio, organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico, um homem apontado como líder do Comando Vermelho (CV) no Ceará, identificado como Augusto César Moreira da Conceição, o 'Coroa', deve ser transferido para o Presídio de Segurança Máxima do Estado. O pedido, feito pela Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP), foi deferido pela Justiça Estadual na última sexta-feira (15), devido ao alto grau de periculosidade do detento.
A decisão foi proferida dentro de um processo da 6ª Vara do Júri, em que 'Coroa' é réu pelo homicídio de Antônio Alves Saboia, o 'Hungria', mas, na mesma sentença, ele foi impronunciado, ou seja, não irá a julgamento, por falta de prova. Entretanto, ele e outros quatro réus vão a júri pelo crime de organização criminosa.
Segundo o Colegiado da 6ª Vara do Júri – Organização Criminosa, "a periculosidade concreta é evidenciada não apenas pela sua posição hierárquica, mas também pelo histórico de crimes violentos, incluindo a autorização para homicídios de desafetos e de membros da própria organização".
Para os magistrados, a permanência do criminoso no sistema prisional comum é um "risco à ordem pública e à disciplina do sistema penitenciário, dada sua comprovada capacidade de articulação e comando".
Preso por expulsar moradores
Augusto foi preso no último dia 10 de março deste ano, na Operação Impacto III, da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). A força-tarefa mirou suspeitos de expulsar moradores das próprias residências.
O Diário do Nordeste apurou à época que o homem era sócio de uma boate, onde supostamente eram promovidas festas com apologia ao CV.
Ele foi capturado no município de Acaraú, enquanto tentava fugir em um carro de luxo. Atualmente, 'Coroa' está recolhido na Unidade Prisional Professor José Jucá Neto (UP-Itaitinga 3).
De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), o homem é do alto escalão do CV no Ceará, atuando ainda como gestor territorial.
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Julgamento por homicídio
Apesar de 'Coroa' não ir a julgamento pela morte do homem identificado como 'Hungria', ocorrido em 16 de maio de 2025, dois réus do mesmo processo irão a júri: Eli Johnson do Nascimento Sousa e Bruno Rafael Pereira Braga.
Para a Justiça, há indícios suficientes que colocam a dupla no local do crime. No caso de Eli, dados de geolocalização e tornozeleira o colocam no local do crime na hora dos disparos, enquanto Bruno foi pego em conversas de celular que possivelmente seriam sobre a vítima. "Vamos matar ele" teria dito.
Foram impronunciados os réus Nonato Nery Maciel e José Freitas de Alves, além de 'Coroa'. No entanto, os três ainda serão julgados pelo crime de organização criminosa.
No dia do crime, a vítima teria sido atraída para o local da morte com autorização de Augusto. Nonato Nery Maciel teria ligado para 'Hungria', chamando-o para receber um valor devido e tratar de uma suposta negociação de uma arma de fogo.
Por meio de nota, o advogado Taian Lima, que representou Nonato e José, afirmou que a impronúncia dos réus foi uma "decisão emblemática, que servirá como parâmetro para inúmeros outros casos em que as únicas provas que repousam no processo são baseadas em elementos informativos obtidos sem o crivo da ampla defesa e contraditório, não sendo suficientes para submissão dos réus ao Tribunal do Povo".
"No presente caso, a denúncia foi alicerçada em depoimentos sigilosos das testemunhas “Y” e “Z”, que não compareceram à instrução criminal para ratificá-los em juízo, ainda que devidamente intimadas. Portanto, a impronúncia foi medida justa", pontuou a defesa.