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PGR descarta afastamento de Toffoli em investigação sobre o Banco Master

Pedido de deputados foi arquivado após viagem do ministro a Lima gerar questionamentos sobre imparcialidade.

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 06:37, em 23 de Janeiro de 2026)
Paulo Gonet durante sessão no STF. Imagem usada em matéria sobre PGR descartar afastamento do ministro Dias Toffoli em investigação sobre o Banco Master.
Legenda: Toffoli foi sorteado relator do caso Master no STF no dia da viagem da final da Libertadores, onde pegou carona de jatinho com o advogado de um dos investigados.
Foto: Gustavo Moreno / STF.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou o arquivamento do pedido apresentado por deputados federais que solicitavam o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria do caso envolvendo o Banco Master.

A representação surgiu após Toffoli viajar para Lima, no Peru, para acompanhar a final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em um voo particular que também transportava o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, diretor de compliance do banco investigado.

O pedido foi protocolado pelos deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC), que alegaram possível impedimento e suspeição do ministro no inquérito que apura fraudes financeiras no Banco Master, alvo da operação “Compliance Zero”.

Segundo o documento, a viagem ocorreu em 28 de novembro de 2025, data em que Toffoli foi sorteado relator do caso no STF, a partir de um recurso apresentado pela defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição.

Na decisão, Paulo Gonet afirmou que não há qualquer medida a ser adotada, já que o caso segue sob análise regular no Supremo, com acompanhamento da própria Procuradoria-Geral da República. “Não há, portanto, providência a ser tomada neste momento”, escreveu.

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Viagem com advogado

Toffoli viajou em um jatinho do empresário e ex-senador Luiz Oswaldo Pastore. Além do ministro e do advogado Augusto Arruda Botelho, também estava a bordo o ex-deputado Aldo Rebelo. A final da Libertadores aconteceu no dia seguinte, 29 de novembro.

A interlocutores, Toffoli confirmou a viagem e afirmou que não houve qualquer conversa sobre o processo durante o voo. Segundo ele, o recurso apresentado pela defesa de Bull só foi protocolado após o retorno da viagem, no dia 3 de dezembro.

Na mesma data, Toffoli determinou o sigilo do inquérito e transferiu o caso para o STF, atendendo a pedido que já havia sido feito anteriormente pela defesa de Daniel Vorcaro. O ministro justificou a decisão alegando que o processo envolve questões econômicas sensíveis, com potencial impacto no mercado financeiro.

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