Líderes cearenses dão versões diferentes sobre reunião do União Brasil; entenda o impasse
Sem um posicionamento claro da direção nacional, o disse me disse persiste no Ceará em uma disputa entre base e oposição.
Às vésperas da abertura da janela partidária, um episódio curioso nos bastidores da política cearense expõe o impasse dentro da União Brasil sobre o futuro da sigla e, naturalmente, da federação que está prestes a firmar com o Progressistas. Lideranças do partido no Ceará relataram versões diferentes sobre o que teria sido decidido em uma reunião realizada na noite de terça-feira (3), em Brasília.
O encontro reuniu o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, o presidente estadual da sigla no Ceará, Capitão Wagner, e o deputado federal Moses Rodrigues. A conversa tratou justamente do posicionamento da futura federação no Ceará, tema sensível diante da divisão interna entre aliados e opositores do governo Elmano de Freitas (PT) .
Duas versões
Após a reunião, Capitão Wagner afirmou que teria sido definido o alinhamento da federação, ainda em processo de formação entre União Brasil e Progressistas, com o campo de oposição no Ceará. Segundo ele, o grupo apoiaria o nome de Ciro Gomes no cenário político estadual.
Em declaração pública, Wagner afirmou que a decisão reforçaria a construção de uma alternativa ao atual governo.
"Essa decisão fortalece um projeto que nasce do sentimento de mudança que o Ceará vive hoje. A Federação chega unida para contribuir com uma alternativa sólida, responsável e comprometida com o futuro do nosso estado. Ao lado de Ciro Gomes e de outras lideranças da oposição, vamos construir uma proposta forte para enfrentar os desafios".
A versão apresentada por Moses Rodrigues, no entanto, aponta para um cenário mais cauteloso.
Segundo o parlamentar, nenhuma decisão foi tomada na reunião. Ele afirma que o presidente nacional do União Brasil ponderou que qualquer definição sobre o posicionamento no Ceará deverá ocorrer apenas após a homologação da federação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"Houve uma reunião Rueda, eu e Wagner, para tratar sobre o Ceará, no entanto não houve nenhuma decisão. Rueda ficou de convocar uma nova reunião hoje (4), inclusive para sondar o prazo do TSE para homologar a Federação. A tendência é que se aguarde a homologação da Federação para alinharmos a situação no Estado", afirmou.
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O impasse permanece
A divergência pública revela a disputa interna dentro da União Brasil no Ceará. De um lado, lideranças mais alinhadas à oposição ao governo Elmano; de outro, um grupo que mantém interlocução com a base governista.
A possível federação entre União Brasil e Progressistas acrescenta ainda mais complexidade ao cenário. Caso confirmada, a aliança unirá partidos que, no Ceará, estão hoje posicionados em campos políticos diferentes.
Por isso, mesmo antes de existir oficialmente, a federação já nasce cercada de disputas e interpretações divergentes.
Por enquanto, sem uma posição clara da direção nacional e com versões conflitantes sobre o encontro em Brasília, o que se tem é um impasse político.