Mais perto da oposição, União Progressista empurra anúncio de apoio no Ceará para depois

Em Brasília, Ciro Gomes e aliados locais participaram de jantar com o comando nacional da federação em Brasília, mas nada de anúncio.

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Comando nacional da União Progressista mantém suspense sobre anúncio de apoios no Ceará
Foto: Divulgação/União Brasil

A novela sobre a indefinição da União Progressista no Ceará teve mais um capítulo na noite da última terça-feira (3), em Brasília. Os presidentes nacionais do União Brasil e Progressistas, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, estiveram reunidos com parlamentares cearenses filiados aos dois partidos que se dividem entre oposição e base do governo no Ceará.  

Apesar da intensa circulação de informações sobre os encontros, o cenário interno permanece o mesmo, sem uma definição oficial para o caso do Ceará. 

Na prática, o que se desenha é um jogo de espera que começa a incomodar as lideranças locais. Unidos por uma federação que ainda não existe na prática, pois aguarda decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), União Brasil e Progressistas vão marchar juntos em 2026.  

No Ceará, as duas siglas se dividem entre apoio ao governo e oposição e aí está o grande nó da questão: com quem ficará o capital político e eleitoral da federação no Estado? 

Por que essa posição é importante? 

Na perspectiva dos grupos políticos locais, a posição da federação é cruscial para definir quem terá o maior tempo disponível de propaganda em rádio e TV, o que é um forte ativo em uma eleição que tem um governador como candidato à reeleição. 

Ciro Gomes tenta atrair as legendas de oposição ao PT como PSDB, União, Progressistas e até o PL. Se isso acontecer, a chapa que poderia ser encabeçada por ele mesmo, embora ainda não tenha declarado pré-candidatura, será a com maior tempo de propaganda, além de recursos do fundo eleitoral. 

O jantar de Brasília e a sinalização à oposição 

O jantar realizado em Brasília na residência do deputado Danilo Forte (União) reuniu figuras centrais da oposição local e nacional, como Ciro Gomes (PSDB), Capitão Wagner, Roberto Cláudio e ACM Neto com a cúpula da federação, representada pelos presidentes nacionais Antônio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP). 

Os opositores, inclusive o anfitrião, Danilo Forte, considera que o "martelo está batido". Segundo ele, o apoio a Ciro Gomes está definido, faltando apenas detalhes das tratativas. Naturalmente, a oposição assume o compromisso de manter os deputados federais eleitos no Estado, cerca de 5. 

A federação vai, mas não anuncia 

Apesar das afirmações dos oposicionistas, o anúncio formal não aconteceu. O comando da federação aguarda a homologação oficial pelo Tribunal Superior Eleitoral, prevista para os próximos dias, mas a demora na declaração pública de uma posição indica a federação deixando todos no Ceará em banho maria, em compasso de espera. 

Governistas não desistem 

O grupo ligado a Elmano também se reuniu com os comandantes nacionais, mas saiu com poucas garantias. A tentativa de preservar quadros como AJ e Zezinho Albuquerque (PP), Fernanda Pessoa e Moses Rodrigues (União) mostra que a federação quer manter a musculatura eleitoral, mas terá que resolver o alinhamento político. 

Qual será o desfecho? 

Em ambito nacional, União Brasil e Progressistas adotam uma linha de centro-direita, com viés antipetista. Este parece ser o principal entrave para a resolução do caso cearense.  

Assim, a avaliação é que se houver aliança nacional que envolva a federação, como uma chapa em que União e PP indiquem um vice, o alinhamento com a oposição fica praticamente sacramentado no Estado. 

Entretanto, se não houver avanços para uma candidatura nacional, o mais provável é que a federação libere os estados para traçarem a melhor estratégia. É nisso que os governistas apostam para ter esperança.