Luiz Paulo Dominguetti cita deputado Luís Miranda em compra de doses e mostra áudio na CPI da Covid

O suborno teria sido pedido pelo ex-diretor de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias, exonerado nesta quarta-feira (30)

Luiz Paulo Dominguetti
Legenda: O depoimento de Luiz Paulo Dominguetti (de terno cinza) estava marcado para acontecer na sexta-feira (2), mas foi antecipado pela comissão
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A CPI da Covid ouve nesta quinta-feira (1º) o representante da empresa Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira. Ele revelou ao jornal Folha de S. Paulo que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina em troca da assinatura de um contrato com o Ministério da Saúde. 

O suborno teria sido pedido pelo ex-diretor de Logística da pasta, Roberto Ferreira Diasexonerado nesta quarta-feira (30). A compra de 400 milhões de doses da AstraZeneca pelo ministério geraria um montante ilícito de R$ 2 bilhões.  

Acompanhe o depoimento ao vivo 

[17h15] O senador Omar Aziz informa que o espelhamento do celular do depoente está sendo feito pela Polícia Legislativa e que o aparelho será devolvido em sequência. Em seguida, ele encerra a sessão desta quinta.

[17h14] A parlamentar finaliza comentando que há "muita gente desalmada" tentando tirar uma "vantagenzinha" da situação, enquanto outros cometem graves crimes de corrupção, manchando as mãos de sangue e os nomes de suas famílias.

[17h09] A parlamentar pergunta quantos municípios e estados fecharam contrato com a Davati. Dominguetti diz que todas as propostas estão no celular dele, além de que estão aguardando posicionamento da empresa. Ele acrescenta que não sabe como a empresa vai seguir com o processo e explica que houve "intenção de compra" por parte dos entes.

[17h02] A senadora Soraya Thronicke (PSL) dá início à sua rodada de perguntas. Ela indaga o porquê de Luiz Paulo Dominguetti ter buscado um veículo de imprensa, e não uma autoridade pública, para fazer sua denúncia.

O depoente diz que repassou a situação para a Davati, pontuando o seu posicionamento pessoal e afirmando que sabia que a companhia não daria seguimento à negociação. "Estava num outro estado, numa situação nova, complexa [...] Existiu um desconforto pessoal para mim muito grande".

[17h01] Jean Paul Prates, após intervenção de Aziz, explica seu posicionamento e assinala concordar com a senadora Simone Tebet quando à ocorrência de acareações

[16h59] Omar Aziz diz que CPI fará uma acareação para "saber quem está falando ou não a verdade".

[16h58] Randolfe Rodrigues indaga sobre a forma como os interlocutores de Dominguetti saíram do encontro no restaurante. O depoente afirma ter saído antes, pois os outros queriam prosseguir no local.

[16h51] Finalizando suas considerações, Jean Paul Prates elogia a posição da presidência da CPI na condução dos trabalhos, mas defende que deveria haver uma prisão após a sessão desta quinta. Omar Aziz questiona o porquê da execução do pedido, incluído em pauta pelo senador Alessandro Vieira. O presidente da CPI segue explicando sua visão acerca da situação.

[16h43] Jean Paul Prates indaga sobre quem seriam os pagadores e recebedores dos imunizantes. Dominguetti responde que a informação recebida era a de que seriam os estados, municípios ou consórcios que se interessassem pela proposta e avançassem. O pagamento seria feito para a Davati, o qual, em alguns casos, também poderia ser dirigido aos laboratórios.

[16h36] Senador Jean Paul Prates (PT) inicia suas considerações. Ele questiona se o depoente procurou conhecer a empresa que estava representando. Luiz Paulo Dominguetti diz que sim e afirma que as propostas vêm diretamente do presidente da Davati. "Ele sabia o que estava ofertando [...] tanto que ele assina. Então tudo me levou a crer e a acreditar fielmente que essa empresa tinha ou tem o domínio e o acesso a essa vacina". Após pergunta sobre qual imunizante a proposta considerou, o depoente indica o da AstraZeneca.

[16h31] Durante leitura de informe sobre negociação de vacinas em tentativa de refutar fala de Dominguetti, Flávio Bolsonaro volta, espontaneamente, a usar a máscara. "Quem acusa tem o ônus de provar o que tá acusando". Ele, então, emenda questionando se há documento ou áudio que comprove a tentativa de suborno supostamente ocorrida no restaurante.

O representante da Davati nega haver algum arquivo que sustente a acusação, dizendo que foi pego de surpresa na ocasião. Flávio Bolsonaro relembra a necessidade de provar o assunto. 

[16h28] O senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, inicia suas considerações. Ele, logo a início, pontua ações do Governo Federal frente à pandemia, as quais, segundo ele, impediram que o País "se transformasse num caos". Após tirar a máscara para fazer perguntas, ele indaga se o depoente tinha certeza de que existiam 400 milhões de doses de vacina a serem vendidas ao Brasil.

Em resposta, Dominguetti diz que a todo momento afirmava que existia vacina. O senador pergunta se há algum documento ou vídeo que comprove essa quantidade. O representante da Davati explica que o contato empresarial entre os envolvidos não o incluía.

[16h23] Contarato, após as respostas do depoente, chega à conclusão de que o relato de Dominguetti foi utilizado para estar lá com essa informação, indicando, em seguida, que o ponto fundamental do depoimento é a participação do chefe de Logística do MS em uma negociação que envolve recebimento de propina para recebimento de vacinas enquanto a pandemia se desenvolve no País.

[16h19] Após perguntar a religião de Dominguetti e obter a resposta de que ele é espírita, o senador Fabiano Contarato (Rede) inicia série de perguntas em tom mais objetivo acerca da participação dele na CPI em relação a Roberto Dias. Questionado sobre se havia conhecimento de Cristiano Alberto acerca da propina, o depoente confirma que sim.

[16h06] O senador Izalci Lucas (PSDB) inicia suas considerações.

[15h52] Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), líder do Governo Federal no Senado, inicia suas considerações. Ele inicia com leitura de texto reiterando a intenção de Bolsonaro de não compactuar com irregularidades. O parlamentar finaliza dizendo que não há registro de Luiz Paulo Dominguetti como representante comercial autônomo da Davati em conselhos regionais vinculados e diz que há uma instrumentalização de desgaste do Governo Federal.

"Eu estou lhe falando [a Dominguetti] que acho que a sua vida não muda para melhor a partir de hoje. Não muda. E eu digo isso não é com satisfação; é com pesar, porque o senhor tem uma família para criar".
Omar Aziz (PSD)
Presidente da CPI da Covid-19

[15h45] Omar Aziz interrompe e reflete sobre a acusação de Dominguetti, ponderando as consequências dela para o depoente. Ele diz que, embora não vá prender o depoente por falso testemunho, a CPI terá de fazer acareação entre Dominguetti, Roberto Dias e Cristiano Alberto Carvalho, o CEO da Davati no Brasil.

[15h41] Renan Calheiros (MDB), relator da CPI, pede que o depoente descreva a fisionomia da pessoa presente no encontro no shopping. Dominguetti fornece detalhes para descrever o participante da reunião. Randolfe Rodrigues exibe uma foto da suposta pessoa, e o representante diz acreditar que sim, mas alerta que precisaria ver tal o homem apresentado pessoalmente para atestar sua resposta.

[15h38] Simone Tebet conclui que o áudio apresentado por Dominguetti é fraudulento e não compõe prova. Ela reforça que, caso o depoente tenha sido colocado plantado na CPI, tal ato pode ser até demitido do serviço público.

[15h33] A senadora Simone Tebet (MDB) inicia considerações. Ela relembra o pedido de prisão feito pelo senador Alessandro, alerta o depoente sobre as possíveis consequências da participação dele e pede que ele esclareça o papel de Cristiano nesse processo, sobre o suposto envio do áudio a Dominguetti. O depoente pontua que foi levado a pensar que o áudio estivesse vinculado ao mesmo fato.

A senadora pergunta quando o áudio fora entregue, e Dominguetti responde que foi após a sessão da última sexta-feira (25), com participação do deputado Luís Miranda.

[15h30] Alessandro Vieira afirma que a ação do depoente foi um desserviço e pede que a presidência avalie a possibilidade de prisão de Dominguetti em flagrante por falso testemunho. Randolfe Rodrigues informa que o pedido será analisado.

[15h25] Alessandro pergunta a Dominguetti o que o levou a fazer a contextualização sobre o áudio apresentado pelo depoente no decorrer da sessão. O depoente diz que o fez a partir do "entendimento individual" do áudio, dizendo que a informação sobre o arquivo está no celular.

O parlamentar relembra a aprovação do pedido quebra de sigilo de todos os personagens envolvidos na negociação, e o depoente explica seu posicionamento para justificar a exposição do áudio.

[15h18] O senador Alessandro Vieira (Cidadania) inicia a sua rodada de perguntas, destacando o fato de também ter trajetória como policial. Após breve críticas às trativas, o parlamentar pergunta quem avalizou a entrada de Dominguetti no processo negocial em relação ao Ministério da Saúde (MS). O depoente afirma que foi levado à Pasta pelo coronel Blanco. 

[15h14] Rogério Carvalho solicita, como questão de ordem, que o depoente oficialize a Procuradoria-Geral da República (PGR), dando ciência sobre os fatos relatados na sessão, para que o órgão realize investigação. Senadores argumentam contra ação do parlamentar. Randolfe Rodrigues interrompe e diz que a questão foi recolhida.

[15h02] Senador Rogério Carvalho (PT) inicia considerações. Ele situa que o depoente tem diversas postagens em redes sociais defendendo o presidente Jair Bolsonaro e faz críticas à negociação. "O Governo do Brasil, para não pairar dúvidas, não precisa de intermediação para aquisição de vacinas com nenhum laboratório", sugerindo, algum tempo depois, que Dominguetti entrou nas tratativas "a pedido".

[14h58] Randolfe informa que a Polícia Legislativa está no local para inspeção do celular de Dominguetti. A equipe entra na sala e apresenta alguns papéis ao depoente, que os recebe junto com o aparelho. Posteriormente, o celular é devolvido e colocado em envelope, o qual é lacrado pelos agentes.

[14h54] Marcos do Val pergunta a Dominguetti se houve alguma recomendação de reprodução de áudio relativo ao deputado Luís Miranda, apresentado durante a sessão, por parte de algum político ligado à CPI. O depoente nega.

[14h44] Senador Jean Paul Prates (PT) faz questão de ordem, sendo seguido pelo senador Marcos do Val (Podemos). O parlamentar inicia com leitura de nota do Governo de Minas Gerais, perguntando, em seguida, se a Davati tem endereço fixo no Brasil. O depoente nega, e é replicado com questionamento sobre emissão de nota fiscal. Dominguetti diz que o assunto ficaria a cargo de outras pessoas da empresa.

[14h38] O parlamentar pergunta, em seguida, quais os municípios sobre os quais Dominguetti tratou negociar sobre a venda de vacinas. O representante diz que houve, por parte dos municípios, que houve uma intenção de compra por parte dos municípios para compra das doses, incluindo que a Davati respondeu a alguns municípios perguntando se poderia ser feita uma troca da vacina da Janssen pelo imunizante da AstraZeneca. Segundo o depoente, as tratativas iniciariam apenas após liberação dos proprietários dos imunizantes. "Em momento algum, a Davati, numa proposta comercial, solicitou qualquer tipo de pagamento adiantado", pontua Dominguetti.

[14h30] Senador Eduardo Girão reproduz vídeo de reportagem sobre inquérito relativo a venda de respiradores. Após a exibição do arquivo, o parlamentar indaga, sem se dirigir ao depoente, sobre a lógica de vendas dos aparelhos, alegando que uma das empresas tratadas na matéria é "de fachada".

[14h26] Na presidência da CPI, Randolfe Rodrigues informa, em resposta a questionamento de Girão sobre documento que valida a representação de Dominguetti junto à Davati, que o celular — apreendido durante a sessão e que conteria o arquivo — será devolvido ainda hoje.

[14h21] Senador Eduardo Girão (Podemos) começa considerações. Ele critica o andamento dos trabalhos da CPI, afirmando que a sessão desta quinta é "a mais conturbada" do processo. "Tudo isso eu acredito que faz com que a gente perca um pouco o foco".

[14h18] Heinze diz que Dominguetti prevaricou ao não dar voz de prisão após pedido de propina feito por Dias. O depoente, que é policial militar, justifica que não deu voz de prisão porque havia um superior hierárquico (Marcelo Blanco) no encontro.

[14h15] Heinze reproduz suposto áudio acerca de negociação sobre doses de imunizantes, na qual Dominguetti estaria supostamente envolvido. O depoente se defende: "se o senhor ouvir o áudio, o áudio não cita o meu nome [...] Em momento algum, ele fala que eu informei a ele que eu seria o representante da Johnson".

"Estou disposto, tem que enfrentar. Sabia dessa infração administrativa. Mas sempre pensando, senador [Luís Carlos Heinze], no bem maior: se me foi prometido, afiançado, que eu tinha acesso à vacina, que uma empresa tinha acesso à vacina, e eu poderia contribuir de qualquer forma, trazendo essa vacina ao Brasil, isso já me conforta".
Luiz Paulo Dominguetti
Representante da empresa Davati Medical Supply

[14h09] Heinze pergunta sobre o motivo da denúncia feita pelo representante. Dominguetti indica que a sugestão veio a partir do CEO da companhia, que estava com a jornalista da Folha de S. Paulo.

[14h05] Sessão é retomada. Senador Luís Carlos Heinze realiza questionamentos. O parlamentar pergunta que negócios foram feitos pelo representante e os valores advindos das tratativas.

O depoente responde parcialmente às questões, pontuando que a oportunidade de representar a Davati surgiu em janeiro. Heinze pergunta se existe algum documento que sustente a vinculação à empresa, e Dominguetti diz que o arquivo está em seu celular, o qual foi apreendido.

[13h50] A CPI da Pandemia terá intervalo de 20 minutos no início da tarde desta quinta-feira (1)

[13h45] Após apresentação de áudio, Luiz Paulo Dominguetti negou durante a sessão que tenha representado a Jonhson & Jonhson em algum momento.

[13h00] Dominguetti voltou a dizer que o pedido de propina ocorreu, de fato, mas que o processo não evoluiu.

[12h58] Ao longo da CPI, senadores questionaram a validade de Luiz Paulo Dominguetti como testemunha. Durante a sessão, eles também duvidaram do áudio sobre a negociação de vacina.

[12h30] Luiz Paulo Dominguetti voltou a citar que a proposta foi explicada a Elcio Franco em reunião, mas que o contato não foi retomado.

[12h04] - Segundo o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), o áudio mostrado pelo representante da Davati Supply na sessão da CPI da Covid é antigo e, na verdade, ocorreu durante uma negociação para comprar luvas. Miranda informou que deseja pedir prisão de Luiz Paulo Dominguetti Pereira.

[11h51] - Após Dominguetti reproduzir áudio de conversa do deputado Luis Miranda, o presidente da CPI, Omar Aziz, confirmou reconvocação do parlamentar para próxima terça-feira (6) em audiência aberta. Miranda já havia solicitado ser ouvido em reunião secreta.

"Se o deputado Luis Miranda tiver envolvido com maracutaia, se ele pegou pernada, isso é problema dele, não é nosso. Não tem que proteger ninguém aqui não"
Omar Aziz
presidente da CPI da Covid

[11h50] - Presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou na manhã desta quinta-feira (1º) que a CPI da Covid deve ser suspensa durante o recesso parlamentar, previsto para iniciar em 17 de julho. A declaração do parlamentar foi feira durante uma entrevista à Rádio CBN

[11h44] - Renan Calheiros solicita a apreensão do celular de Dominguetti. Randolfe Rodrigues, como presidente temporário da sessão, pede que o depoente entregue de imediato o aparelho. Ele o faz, e Randolfe diz que o objeto deve ser periciado pela polícia legislativa. 

[11h35] - Deputado Luis Miranda invade sessão e conversa algo com o relator Renan Calheiros e Omaz Aziz. Senadores questionam ato. 

[11h32] - Senadores batem boca. 

[11h30] - Senadores questionam quando áudio chegou ao Dominguetti, e ele afirma que Cristiano Alberto enviou o arquivo no dia do depoimento do deputado à comissão. 

"Cristiano comentou que ele [Luis Miranda] está lá fazendo uma denúncia e fazendo o contrário, negociando vacina."
Luiz Paulo Dominguetti Pereira
em depoimento à CPI da Covid
 

[11h25] - Depoente exibe áudio de Luis Miranda. Confira abaixo: 

[11h20] - Dominguetti afirma que o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) tentou negociar imunizantes diretamente com a Davati e que pode mostrar áudio.

"O Cristiano [representante da Davati no Brasil] me relatava que volta e meia tinha parlamentares procurando, e o que mais incomodava era o Luis Miranda, o mais insistente com a compra e o valor de vacinas. O Cristiano me enviou um áudio onde pede que seja feita uma live, o nome dele, que tinha um cliente recorrente, que comprava pouco, em menos quantidade, mas que poderia conseguir colocar vacina para rodar" 

[11h00] - Ao descrever o jantar em que ocorreu o suposto pedido de propina, o depoente diz que se negou a aceitar o "acréscimo de UR$ 1 por dose". E em resposta, Roberto Dias teria pedido para que ele "'pensasse direitinho e levasse uma nova proposta'", o que foi entendido como sugestão para a solicitação de suborno fosse aceita. "''Nós temos que melhorar esse valor. Mas é para cima, para mais'", teria dito Dias no jantar. 

[10h58] - Em depoimento, Dominguetti diz que três diretores do Ministério da Saúde tiveram conhecimento da proposta de venda de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

Segundo ele, as propostas foram repassadas para o ex-diretor de logística Roberto Ferreira Dias, ao ex-secretário-executivo Elcio Franco — braço direito do ex-ministro Eduardo Pazuello — e a uma pessoa que chamou de Laurício, que seria representante da Vigilância Sanitária.

[10h53] -  Dominguetti relata que, inicialmente, Elcio Franco, segundo no comando do Ministério da Saúde entre junho de 2020 e março de 2021, não sabia das negociações da proposta da venda de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca, feita pela Davati.  

O depoente diz que se surpreendeu ao notar que Franco não tinha conhecimento das tratativas, visto que se tratava de uma grande quantidade de imunizantes, e que foi encaminhada a outros diretores do ministério.

[10h50]

"Nunca se buscou uma facilidade por parte dele [Roberto Dias]. Essa facilidade não ocorreu porque ele sempre colocou o entrave no sentido de que, se não se majorasse a vacina, não teria aquisição por parte do ministério"
Luiz Paulo Dominguetti Pereira
em depoimento à CPI da Covid
 

[10h49] - Suposta proposta de propina foi informada ao Cristiano Alberto Carvalho, diz depoente. O procurador da empresa também foi convocado para oitiva na CPI. 

[10h30] - Dominguetti reafirma que a proposta de propina foi de US$ 1 por dose de vacina vendida para o Ministério da Saúde.

"Na primeira proposta, a dose US$ 3,50. A Davati estava ofertando ao Ministério da Saúde 400 milhões de doses"
Luiz Paulo Dominguetti Pereira
em depoimento à CPI da Covid

"O pedido dessa majoração foi exclusivamente do senhor Roberto Dias", explicita o depoente.

[10h26] - O policial revelou que o motivo para atuar como represente da empresa foi a necessidade financeira. "Sou cabo da Polícia Militar e para complementação de renda comecei a trabalhar no ramo de insumo". 

[10h22] - Dominguetti: "Fui apresentado ao Roberto Dias (diretor de logística do Ministério da Saúde) pelo coronel Branco".

O militar a qual o depoente refere seria o coronel do Exército Marcelo Blanco, que foi assessor no departamento de logística do Ministério da Saúde na gestão de Roberto Ferreira Dias. Segundo ele, o ex-funcionário da pasta já vinha fazendo tratativas com a Davati para a aquisição de vacinas da AstraZeneca.

[10h18] - O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), questiona qual é a relação do depoente com a empresa Davati e nas negociações com o Ministério da Saúde. Dominguetti responde que tinha o um acordo verbal com o CEO da empresa no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho, para negociar. Ele afirma que sua "parceria" com a Davati começou em janeiro. 

[10h16] - Luiz Paulo Dominguetti dispensa o uso dos 15 minutos reservados para apresentação inicial.

Convocação

Além da convocação de Dominguetti, os senadores também aprovaram, na quarta-feira, o requerimento de convocação do procurador da Davati Medical Supply, Cristiano Alberto Carvalho. As informações são da Agência Senado

O depoimento do representante estava marcado para acontecer na sexta-feira (2), mas a comissão antecipou a oitiva de Dominguetti para esta quinta-feira.   

Inicialmente, quem estava programado para ser ouvido na CPI nesta manhã era o empresário Francisco Emerson Maximiano, sócio-administrador da Precisa Medicamentos, mas teve a convocação adiada, sem nova data.

A Precisa é responsável por um contrato com o Ministério da Saúde para aquisição da vacina indiana Covaxin, que também está sendo investigado pela comissão depois das denúncias feitas no depoimento dos irmãos Luis Miranda e Luis Ricardo Miranda.  

Os requerimentos de convocação de Dominguetti foram apresentados pelos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Humberto Costa (PT-PE). 

“O depoimento de Luiz Paulo Dominguetti Pereira a esta CPI é imperioso e imprescindível para o desenrolar da fase instrutória e, obviamente, para o futuro deslinde das investigações." 
Renan Calheiros
senador relator da CPI da Covid

Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) afirmou que a AstraZeneca desmentiu ter intermediários no Brasil

"O governo não coaduna com qualquer tipo de irregularidade e exonerou Roberto Dias para facilitar as apurações. Não queremos a politização dessa apuração."  
Fernando Bezerra
líder do governo no Senado Federal

A denúncia  

À Folha de São Paulo, Luiz Paulo Dominguetti relatou que Roberto Dias indicou que as negociações só seriam concretizadas se a Davati compusesse "um grupo" no Ministério.   

"Aí ele me disse que não avançava dentro do ministério se a gente não compusesse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério. Se a gente conseguisse algo a mais tinha que majorar o valor da vacina, que a vacina teria que ter um valor diferente do que a proposta que a gente estava propondo."
Luiz Paulo Dominguetti
ao jornal Folha de S. Paulo

Luiz Paulo afirmou que antes do encontro com Roberto Dias, ele esteve no Ministério para ofertar as vacinas e conversou com Elcio Franco, ex-secretário-executivo da Pasta. Segundo ele, a oferta foi recusada. O representante afirma que na véspera de deixar Brasília recebeu uma ligação de Roberto Dias.   

Relação com a Davati  

Ao portal G1, a empresa Davati Medical Supply negou que Dominguetti seja representante do empreendimento no Brasil e admitiu que não tem convênio com a AstraZeneca. O laboratório ainda afirmou que não possui empresas privadas como representantes e que só vende imunizantes contra a Covid para governos e organismos multilaterais. 

No entanto, conforme o podcast Café da Manhã, da Folha de S. Paulo, Dominguetti é citado pelo CEO do empreendimento como um representante do laboratório. O procurador da Davati Cristiano Alberto Carvalho forneceu e-mails à reportagem do jornal com a informação, além da troca de mensagens que mostram a negociação com Ministério da Saúde

Quem é Luiz Paulo Dominguetti  

Luiz Paulo Dominguetti Pereira se apresentou como representante da Davati Medical Supply — que diz ser intermediária na venda da AstraZeneca — e denunciou o suposto esquema de corrupção na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde.   

Ele é cabo da Polícia Militar de Minas Gerais e atua no município de Alfenas, no Sul do estado, disse a corporação. As informações são do G1.   

A atuação do policial em negociações de vacina é recente, segundo um colega de trabalho revelou ao portal de notícias. Ele não quis se identificar. Dominguetti teria tentado vender imunizantes às prefeituras mineiras.   

“Conheci ele mais ou menos em fevereiro deste ano. Foi na época que o estado do Amazonas estava tendo aquele colapso da Covid”, contou à fonte ao G1.  

No entanto, segundo o funcionário, nenhum contrato chegou a ser assinado.  

Processos na Justiça  

O nome do policial militar aparece em 37 processos na Justiça. Um deles é movido pelo dono do apartamento em que Dominguetti morou em Belo Horizonte, onde residiu até o fim do ano passado. Ele teria saído do imóvel sem pagar quatro meses de aluguel e ainda responde na Justiça pela dívida.   

Em outro processo, uma mulher acusa o agente de segurança de ter comprado um carro financiado no nome dela. Ele não teria pagado as parcelas e ainda levou multas que estão no nome do proprietário. O veículo nunca teria sido localizado.   

Depois que a denúncia veio a público, a Polícia Militar de Minas Gerais instaurou um relatório de investigação preliminar para apurar se a conduta de Dominguetti fere o código de ética e disciplina da corporação.   

A instituição ainda revelou ao G1 que, ano passado, o policial atuou no gabinete militar do Governo de Minas Gerais, mas foi afastado do cargo por não se encaixar no perfil de atuação no órgão.