Camilo se despede oficialmente do MEC e lista entregas no comando da pasta
O cearense foi substituído pelo servidor público federal Leonardo Barchini.
O senador licenciado e ex-governador cearense Camilo Santana (PT) anunciou sua despedida oficial do Ministério da Educação (MEC) nesta quinta-feira (2). Em uma publicação no seu perfil na rede social X (antigo Twitter), o político comunicou a saída e citou as políticas tocadas pelo órgão do governo federal durante sua passagem.
"Hoje me despeço oficialmente do Ministério da Educação, honrado e grato pela missão que me foi confiada pelo presidente", iniciou o petista. Ele cumpriu sua última agenda institucional nesta quarta-feira (1º), com a entrega de parte da estrutura do campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em Fortaleza.
Camilo continuou: "Assumi o MEC com um compromisso: entregar ao Brasil resultados melhores do que encontramos. Após 3 anos e 3 meses à frente da pasta, afirmo: avançamos muito, com mais qualidade, equidade e inclusão na educação brasileira".
"Com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, colocamos a educação novamente no centro das prioridades do país. Hoje temos melhores indicadores, mais investimentos e mais oportunidades, transformando a vida de milhões de brasileiros", comemorou.
Camilo destacou entregas como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, a Política Nacional Integrada da Primeira Infância, o programa Escola em Tempo Integral, a conectividade de unidades escolares, a restrição do uso de celulares nas escolas, a retomada de obras e investimentos através do Novo PAC, a criação do Pé-de-Meia e o reajuste promovido nos valores repassados por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar.
Ele citou ainda o lançamento de plataformas digitais com livros e cursos de línguas, o programa Escola das Adolescências, o Compromisso Nacional Toda Matemática, o reconhecimento das redes de ensino com o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização e o Prêmio MEC da Educação Brasileira, a aprovação do Sistema Nacional da Educação e do Plano Nacional de Educação, além da ampliação da rede de institutos federais.
Por que Camilo saiu do MEC?
A exoneração de Camilo ocorre devido ao cumprimento do prazo para desincompatibilização, necessária aos pré-candidatos das próximas eleições, que encerra neste sábado (4). Segundo a legislação, gestores públicos devem se afastar de suas funções até seis meses antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro de 2026.
De acordo com a Justiça Eleitoral, o objetivo da exigência da desincompatibilização é evitar que candidatos utilizem a estrutura e os recursos públicos para obter algum tipo de vantagem eleitoral diante dos concorrentes.
O cearense foi substituído pelo servidor público federal Leonardo Barchini no comando do MEC. O novo ministro já atuava na gestão do ministério e trabalhava como secretário-executivo desde agosto de 2023, quando da saída da ex-governadora Izolda Cela (PSB) do posto de "número 2" do braço da Educação do Governo Lula.
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Qual o destino de Camilo Santana?
Camilo não se apresenta como provável postulante, mas a saída do MEC levantou especulações sobre uma possível candidatura ao Governo do Ceará, no lugar do governador Elmano de Freitas (PT), que é pré-candidato à reeleição.
Em declaração recente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou que, "se precisar", o agora ex-ministro poderá ser lançado como candidato. O aceno repete sinalizações anteriores.
Entretanto, nesta quarta-feira, durante agenda em Fortaleza, o chefe do Executivo federal endossou a reeleição de Elmano e incentivou a participação de Camilo Santana na campanha nacional.
Ao comentar sobre a disputa pelo Palácio da Abolição, Lula mencionou que não teria como dar palpite sobre as decisões locais, mas reforçou a confiança no atual governador, classificando-o como um “bom candidato”. Afirmou ainda que o cenário está “definido” – a menos que surja algum fato extraordinário.
Sobre Camilo Santana, o presidente descartou que o atual ministro da Educação tenha pretensões de retornar ao governo estadual agora. O ex-governador cearense já havia anunciado que a saída do MEC tinha como pretensão se dedicar ao projeto político de Lula.
O próprio presidente destacou que precisa de Camilo “viajando esse país”, tanto como um importante cabo eleitoral para a sua própria campanha quanto para o fortalecimento de novas lideranças nacionais do PT.
“Acho que o Camilo não tem essa pretensão [de ser governador]. Preciso do Camilo viajando esse país. Ele prestou um trabalho muito nobre [no MEC]. Elmano é um bom candidato, e estou tranquilo quanto ao Camilo, mas ele tem uma pulga atrás da orelha e quis sair”, declarou em entrevista à TV Cidade.
Antes, quando foi cogitado que poderia ser lançado ao governo, Camilo falou que o foco seria se dedicar à reeleição dos aliados. "A minha ideia é me desincompatibilizar a partir do início de abril e me dedicar a ajudar na reeleição do governador Elmano no Ceará que está bem e ajudar também na reeleição do presidente Lula", disse.
Ainda assim, o ex-governador do Ceará chegou a afirmar, posteriormente, em evento de lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo, em fevereiro, que haveria prioridade de um projeto do grupo político. "Se eu for convocado para uma missão no meu estado, não é uma escolha pessoal, é pelo projeto", disse.