Bolsonaro pode recorrer? Entenda o que acontece após condenação no STF por trama golpista
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros 7 réus pela trama golpista em 2022 não é o último passo do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Nessa quinta-feira (11), a 1ª Turma do STF condenou os oito acusados por cinco crimes por 4 votos a 1. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão. Também na quinta, os ministros calcularam a dosimetria das penas dos réus.
As defesas, no entanto, já indicaram que devem apresentar recursos à sentença. Devem ser interpostos embargos de declaração e embargos infringentes — apesar de, no caso deste último, não terem sido cumpridos requisitos adotados, até agora, pelo STF.
O prazo para apresentação dos recursos começa apenas após a publicação do acórdão, que pode ser feita até 60 dias depois da finalização do julgamento. A expectativa, no entanto, é que isso aconteça antes.
Quais os recursos de defesa?
Os embargos de declaração podem ser apresentados até cinco dias depois da publicação do acordão. Neles, podem ser questionados erros materiais — como problemas com a digitação ou com cálculos — ou o esclarecimento de pontos omissos ou contraditórios, e também complementar as informações.
Para pedir um novo julgamento, podem ser apresentados os embargos infringentes, que pode ser apresentado até 15 dias depois da publicação do acórdão.
Caso seja aceito, o processo será reexaminado, mas dessa vez pelo plenário do Supremo — ou seja, pelos 11 ministros da Corte. Hoje, o julgamento acontece na 1ª Turma, composta por apenas cinco — Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux.
Contudo, a condenação de Bolsonaro e dos demais réus que integram o "núcleo 1" da trama golpista não cumpre os requisitos para que os infringentes possam ser apresentados, pelo menos segundo o entendimento do STF, definido em 2018.
Desde análise de processo envolvendo o ex-deputado federal Paulo Maluf, o entendimento do Supremo é de que são necessários, pelo menos, dois votos divergentes pela absolvição do réu.
Veja também
Apenas Luiz Fux votou pela absolvição. Ele absolveu, de todos os crimes imputados pela PGR, cinco dos oito réus julgados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em voto com duração de mais de 12 horas na quarta-feira (10), ele condenou apenas Braga Netto e Mauro Cid por tentativa de abolição do Estado de Direito. No caso de Ramagem, ele absolveu dos dois crimes julgados — os demais foram suspensos por decisão da Câmara dos Deputados.
Mesmo antes da condenação, o advogado de defesa de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, informou que os infringentes devem ser apresentados mesmo se o resultado do julgamento for 4 a 1 para a condenação.
"Entendemos que há espaço para os infringentes para discutir se com um voto pela absolvição da qualidade do Fux não é possível", disse.
Trânsito em julgado
Portanto, a execução da pena, em caso de condenação, só pode acontecer depois do trânsito em julgado — quando uma sentença se torna definitiva e imutável. O que só ocorre após o esgotamento do prazo para todos os recursos.
Se condenado por todos os crimes atribuídos a ele pela acusação, o ex-presidente pode ser sentenciado a mais de 40 anos de prisão. No Brasil, penas acima de 8 anos devem ser cumpridas em regime fechado.
Os advogados de defesa do ex-presidente já indicaram que podem pedir a troca de regime para a prisão domiciliar, por conta dos problemas de saúde de Bolsonaro. A conversão, no entanto, não seria automática.
Relembre quem são os réus do ‘núcleo crucial’ da trama golpista
- Jair Bolsonaro: ex-presidente da República;
- Alexandre Ramagem: ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Almir Garnier: ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres: ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno: ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
- Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto: ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice na chapa de 2022;
- Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Quais são as acusações contra o ‘núcleo crucial’?
Na denúncia apresentada ao STF, a PGR aponta que os réus participaram da elaboração de um plano que previa o sequestro e o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do Supremo, Alexandre de Moraes.
Além disso, a acusação aponta que os envolvidos produziram uma “minuta de golpe” com o objetivo de decretar medidas de exceção no Brasil para tentar reverter o resultado das eleições gerais de 2022, impedir a posse de Lula e garantir que Bolsonaro seguisse no poder.
Outro fato que norteia o julgamento é o suposto envolvimento dos réus nos atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023, que culminaram na depredação de instituições públicas na Praça dos Três Poderes, em Brasília.