Três pontos para entender por que o pós-carnaval marca o início das definições na eleição 2026
Pauta legislativa, desincompatibilizações e janela partidária definem o cenário que vai se consolidar no segundo semestre.
No Brasil, o calendário político tem uma lógica própria que não se prende completamente às formalidades. O ano só começa, de fato, depois do Carnaval. E não se trata de força de expressão. Entre o fim de fevereiro e o encerramento de março, o tabuleiro começa a ser organizado. É a largada informal da disputa de 2026.
No Ceará, as forças políticas aliadas ao governador Elmano de Freitas (PT) e a oposição sabem disso. A partir de agora, cada movimento será medido não apenas pelo impacto administrativo, mas pelo reflexo eleitoral. Há três pontos centrais que explicam por que esse período é decisivo.
1. O retorno pleno do Legislativo e a pauta pública
Com o fim do recesso e a retomada integral das atividades após o Carnaval, Assembleia Legislativa, Congresso Nacional e câmaras municipais voltam a funcionar em ritmo normal. E isso impacta o jogo.
É nas tribunas que o debate público ganha forma, sendo o parlamento a caixa de ressonância dos debates. Projetos são apresentados, requerimentos são protocolados, CPIs podem surgir, e discursos passam a ter audiência ampliada.
O que está em jogo:
- Tentativas de pautar temas sensíveis, como segurança pública;
- Imposição de assuntos dos governos, o que indica os rumos do ano eleitoral;
- Embates públicos recorrentes entre base e oposição.
Pré-candidato a reeleição, Elmano buscará consolidar uma agenda positiva, de entregas e anúncios.
A oposição vai atuar para tensionar, expondo fragilidades e desgastes. Cada sessão legislativa passa a ser uma arena de pré-campanha.
2. O prazo de desincompatibilização e o efeito dominó nos governos
Outro fator decisivo é a aproximação do prazo de desincompatibilização. Quem ocupa cargo público no Executivo e pretende disputar as eleições precisa deixar a função até o início de abril do ano eleitoral.
Esse período provoca:
- Pressão interna por definição de candidaturas;
- Negociação por substituições estratégicas;
- Ajustes em secretarias e cargos-chave de olho no jogo eleitoral;
- Saída de nomes para serem opção eventual na disputa.
Governos passam a administrar duas frentes: gestão cotidiana e a montagem cenário eleitoral. Secretários deixam pastas, aliados pedem espaço, novos quadros são testados.
Cada exoneração ou nomeação pode carregar sinal político.
3. A aproximação da janela partidária e a reorganização dos blocos
E, talvez o principal sinal eleitoral deste período, a janela partidária. Março marca a contagem regressiva para o período em que deputados podem trocar de partido sem risco de perder o mandato.
É um mecanismo legal com efeitos políticos profundos, para base aliada e também para a oposição. Neste ano, o período, que é de 30 dias, se encerra no dia 3 de abril.
Na prática, é o momento em que:
- Parlamentares avaliam onde terão melhores condições de reeleição;
- Lideranças negociam estrutura, fundo partidário e tempo de televisão;
- Grupos políticos sofrem rearranjos inesperados.
No Ceará, a disputa pela federação entre União Brasil e Progressistas é a parte mais visível deste embate. Trata-se de um bloco com peso nacional e capacidade de influenciar a formação de palanques estaduais. Governador e oposição disputam palmo a palmo esse espaço.
Além disso, partidos médios e pequenos também entram na equação. Às vezes desprezados, os pequenos passam a ter mais valor diante do embate entre as maiores agremiações..
A janela não é apenas troca de legenda. É redefinição de forças.