‘Teto de cachês’: Secretária explica custos do Carnaval de Fortaleza e pressão por grandes artistas
Helena Barbosa foi a convidada dessa quinta-feira (19), da live do PontoPoder.
A secretária da Cultura de Fortaleza, Helena Barbosa, afirmou que a gestão municipal trabalha com um limite para pagamento de cachês no Carnaval e defendeu a necessidade de equilibrar os valores pagos a atrações nacionais e a valorização de artistas locais. A declaração ocorre em meio a queixas de prefeitos cearenses sobre a escalada dos valores cobrados por artistas e o impacto nas contas públicas.
A titular da Pasta foi a entrevistada dessa quinta-feira (19), da live do PontoPoder. Ela conversou com os jornalistas e editores do PontoPoder, Jéssica Welma e Wagner Mendes. Na primeira semana de fevereiro, a Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) informou que prefeitos articulam medidas conjuntas para tentar arcar com os custos de eventos públicos por conta dos altos cachês para contratações de artistas.
Segundo Helena, essa discussão também tem sido considerada na Prefeitura da Capital.
“Eu mesmo tenho um teto de cachê que eu acho que não tem que aceitar, há uma negociação porque fica muito contraditório a gente pagar tão alto em alguns cachês”
A secretária relatou que, nos últimos anos, houve uma “curva surreal de investimento" para a contratação de algumas bandas, ao mesmo tempo, segundo ela, há uma pressão constante por atrações reconhecidas nacionalmente.
“Você tem que fazer um equilíbrio do orçamento geral e do investimento do Carnaval. É lógico que de alguns (nomes) não tem como fugir porque, ao montar a programação, você precisa contemplar todos os públicos, contemplar as estratégias da programação que possam reforçar o turismo, fomentar a economia e a geração de renda para outros trabalhadores”, ponderou.
Custos invisíveis para o público
A secretária disse ainda que o impacto financeiro do Carnaval vai além do cachê pago aos artistas que sobem ao palco.
“A gente fala muito de cachê porque é o que está em cima do palco, mas colocamos 25 estruturas de palco, de som, de luz, de LED, banheiro, gerador, 6 mil pessoas empregadas, comida para todo mundo...”, disse
Fortaleza mantém quatro semanas de pré-carnaval antes dos dias oficiais da festa. Para a secretária, concentrar todo o orçamento apenas nos quatro dias principais comprometeria uma política cultural já consolidada na cidade.
“Não dá para pegar todo o dinheiro e colocar só nos quatro dias, que a gente já tem consolidado a nossa prática do pré-carnaval. É muito tempo de custo para manter tudo isso em pé”, disse.
Ela destacou ainda que a Prefeitura contratou mais de 160 artistas locais, que, segundo afirmou, “seguram de fato o pé do carnaval”, enquanto grandes atrações nacionais são concentradas na abertura e em datas estratégicas.
O que fazer diante do alto custo dos cachês?
Na entrevista, ao citar possíveis medidas para conter a alta dos valores, a secretária defendeu a realização de estudos de mercado para separar o que é pagamento pela criação artística e o que corresponde a custos logísticos, como passagens aéreas e hospedagem.
“Algumas vezes a gente chama de cachê colocado, que é você se responsabiliza pela sua logística, as passagens aéreas e hotel, então isso pode encarecer um pouco. Teria que fazer um estudo exatamente do que está valendo a pena, de quanto sai esse cachê mesmo, do ponto de vista de pagar pela produção criativa e quanto é que você está pagando em produção logística”, disse.
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Ela também citou o aumento no tamanho das equipes que acompanham artistas em turnê, o que impacta diretamente o custo final das contratações. “Antigamente a gente trazia uma banda, era uma banda, um produtor e um roadie. Hoje em dia é uma banda, é um DJ e 20 pessoas na equipe”, concluiu.
Para a secretária, uma saída para esse impasse entre gestores e artistas só será possível com o engajamento das duas partes, além de um debate amplo com os Estados e o Ministério da Cultura.