Turismo de eventos em Fortaleza movimenta quase R$ 1 bilhão e gera 114 mil empregos
Os dados constam no 'Relatório de Impacto Econômico do Turismo de Eventos em Fortaleza'
O turismo de eventos em Fortaleza subiu mais de 180% no comparativo entre 2022 e 2024. No ano passado, o gasto total dos turistas participantes de eventos chegou a R$ 975 milhões, bem superior aos R$ 347 milhões de três anos atrás.
Também foram gerados 114 mil empregos, entre postos de trabalho formais e informais. Apesar disso, a preocupação do setor turístico, principalmente o hoteleiro, foca na redução de 2,4 mil leitos na cidade nos últimos anos.
Os dados constam no 'Relatório de Impacto Econômico do Turismo de Eventos em Fortaleza' referente a 2024, elaborado em parceria entre a Secretaria Municipal do Turismo (Setfor), o Visite Ceará — Convention & Visitors Bureau e a Universidade de Fortaleza (Unifor).
Se o gasto total dos turistas chegou a R$ 975 milhões, o impacto na produção local foi superior e ultrapassou a casa de R$ 1,3 bilhão.
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"O aumento da produção impulsiona a criação de novos empregos e eleva a massa salarial em todo o Ceará. Em Fortaleza, essa dinâmica se traduz num incremento estimado de aproximadamente R$ 342,73 milhões na massa salarial da economia da capital cearense", ressalta o relatório.
"Considerando um cenário de choque inicial de demanda de R$ 975 milhões que se propaga por toda a economia, observa-se que, no curto prazo, esse impacto repercute no Valor Bruto da Produção (VBP), no Valor Adicionado Bruto (VAB), na arrecadação tributária, nos salários e nos empregos em Fortaleza", completa.
Fortaleza, terra do Sol… e de eventos
Esse estudo fez uma análise do impacto econômico do turismo de eventos na Capital, usando como amostragem 15 eventos. Ao todo, no levantamento, foram considerados cerca de 2,4 mil eventos com a presença de mais de 414 mil participantes. O destaque fica para congressos, feiras e competições esportivas — exceto futebol.
Praticamente a totalidade desses turistas que veio no ano passado a Fortaleza é brasileira (96,7%), enquanto uma parcela mínima (3,3%) é de fora do País. O Nordeste é a região com o maior número de visitantes de negócios (52,5%), enquanto São Paulo (6,4%) é a cidade que mais mandou viajantes de eventos para a capital cearense.
Outro dado importante diz respeito ao local onde esses turistas se hospedam. Na amostragem, 63,8% dos entrevistados disseram que ficam principalmente hotéis e flats da Capital. O gasto médio dos viajantes também foi considerado.
Em média, eles desembolsam R$ 3.732,86 durante 4,8 dias de permanência na cidade. Hospedagem (38,5%) e alimentação (22,8%) continuam liderando o ranking. Ao todo, 50,5% dos turistas esticam a estadia em Fortaleza para aproveitar a cidade para lazer antes, durante ou após o evento.
Foco na baixa estação de Fortaleza
Suemy Vasconcelos, diretora-executiva do Visite Ceará, afirma que a alta expressiva demonstra a resiliência do setor após o período crítico do começo da década em virtude da pandemia.
"Fortaleza cada vez mais se posiciona nesse turismo, vai muito além de Sol e praia. "A gente teve um período de pandemia, os eventos foram o primeiro a acabar e os últimos a voltar. Isso mostra como o setor é pujante e importante", observa.
Ela ainda acrescenta que o turismo de eventos "não trabalha na alta estação", sobretudo janeiro e julho, meses associados com a vinda de turistas de lazer para a cidade: "Esses eventos trabalham na baixa estação, o que impacta na cadeia básica do turismo", destaca.
Público de eventos gasta mais
Ivana Bezerra, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Ceará (ABIH-CE), reforça a importância do turismo de eventos, principalmente porque ele atua quando a alta estação de lazer se dissipa. Além disso, ela acrescenta que esses turistas têm um tíquete médio mais alto do que os viajantes apenas de entretenimento.
"Os eventos fazem com que a gente tenha um equilíbrio na nossa ocupação. A sazonalidade que acontece em função do turismo de lazer, que não acontece o ano todo, não ocorre com os eventos que acontecem na nossa cidade", detalha.
"É realmente um público bem seleto, de nível de escolaridade alto. Consequentemente, é um público que gasta mais do que o turismo de lazer e passa o dobro do tempo, principalmente porque a grande maioria está vindo acompanhada, às vezes até com filhos", acrescenta.
Setor teme a falta de leitos para atender à demanda
Apesar do resultado, Ivana Bezerra critica a falta de mais hotéis de bandeiras renomadas nacional e internacionalmente em Fortaleza, além de lamentar os fechamentos recentes de empreendimentos na orla da Capital, sendo o mais recente o Seara Praia Hotel, que dará lugar a um 'superprédio'.
"A gente vem, realmente, sentindo essa necessidade de termos mais. Até agora, deu para adequar. Nossa preocupação, realmente, é quando vier algum evento com número maior de participantes", destaca.
"A partir do próximo ano, vêm eventos bem maiores, aí sim, realmente vai ter falta de leito, e é preocupante. A gente, para conseguir captar, precisa receber bem. Ninguém pode estar captando eventos que a gente não tem capacidade de dar um bom acolhimento em todos os setores que o participante de um evento precisa", completa.
Outro ponto lamentado por Ivana Bezerra é que, dos hotéis em construção na capital cearense, nenhum deles deverá ser entregue em 2026, quando a cidade completa 300 anos e são esperados eventos de grande porte.
"Infelizmente a hotelaria não tem como crescer da noite para o dia. Para construir um hotel são normalmente três, quatro anos. Não temos nenhum hotel em andamento chegando próximo ao final da construção. Vamos nos adaptando com o que temos, com pousadas, hotéis menores, aprendendo", lamenta.