As obras da Linha Leste do Metrô de Fortaleza devem chegar a 50% até outubro deste ano, segundo o Governo do Estado.
Neste momento, um dos "tatuzões" que faz as escavações do futuro ramal está perfurando o subsolo nas imediações do cruzamento entre as Avenidas Santos Dumont e Rui Barbosa, na Aldeota.
Os detalhes da obra e o cronograma foram repassados por Hélio Winston Leitão, secretário de Infraestrutura do Ceará, em entrevista ao Diário do Nordeste.
O posicionamento da tuneladora, nome oficial do "tatuzão", coincide com as proximidades da estação Luiza Távora, na praça de mesmo nome, recentemente reinserida no percurso da Linha Leste.
Segundo Leitão, os pontos de parada voltaram ao trajeto após investimento de R$ 1 bilhão oriundo do Novo PAC, programa do Governo Federal. O valor total da obra, de R$ 2,8 bilhões, segue mantido.
"As três estações já estavam no projeto original e foram excluídas por questão de custo. Todo regramento metroferroviário coloca que tem que ter estação a cada 1 km. Seria ruim para a população descer na Nunes Valente e depois só no Papicu", pontuou.
Como ficam as obras da Linha Leste?
Segundo Hélio Leitão, a obra chegará a mais da metade até o fim do ano. Ele afirmou que, atualmente, os esforços da Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra) estão concentrados na conclusão da linha, a ser operada pela Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor) quando for entregue.
"Precisamos finalizar a Linha Leste, não se justifica mais se perdurar, acredito que é até um desrespeito com a população. Vai ser a principal linha que teremos no Ceará, cortando toda a cidade de Fortaleza", declarou o secretário.
Ainda que a Linha Sul seja a maior do sistema metroferroviário da Grande Fortaleza, com 24,1 km de extensão, a Linha Leste, com 7,3 km, ficará inteiramente localizada na Capital. "É uma linha que vai ter muitos centros urbanos e comerciais, tem uma densidade muito grande na Aldeota", completou Leitão.
O prazo de entrega da Linha Leste segue fixado para o final de 2028. A conclusão do ramal está em 45%, com a estação Chico da Silva Leste, compartilhada com a Linha Sul, com mais de 96% de execução. A estação Papicu tem cerca de 40% de obras prontas.
A licitação para a construção das três novas estações - Sé, Luiza Távora e Virgílio Távora (antiga Leonardo Mota, alterada após mudança de localização) - está aberta até agosto.
Projeto da fase 2 prevê ligação entre Papicu, Centro de Eventos e Messejana
Os recursos liberados do Novo PAC preveem um investimento para o metrô entre o Centro e o Papicu. A fase 2 do ramal, como é chamada a interligação entre o Papicu e o Centro de Eventos (CEC), na Washington Soares, só deve começar a sair do papel em 2029.
A fase 2 inclui uma possível extensão da Linha Leste até a Messejana pelo subsolo da avenida Washington Soares. A proposta é, de fato, estender o ramal até o bairro no sul da Capital, como afirmou Hélio Leitão.
Precisamos acabar a fase 1, que vai até o Papicu. Depois, vem a fase 2, que já tem projeto dentro da Seinfra até a Unifor, e aí se estenderia até a Messejana. Mas não falo disso porque não acabamos a fase 1".
No início das obras da Linha Leste, em janeiro de 2014, uma área junto ao canteiro central da avenida Washington Soares, nas proximidades do CEC, foi cercada por tapumes. Eles foram retirados sem que nenhuma intervenção aparente tenha sido realizada.
VLT entre Expedicionários e Castelão deve custar R$ 350 milhões
Hélio Leitão também detalhou o investimento no ramal Expedicionários - Aeroporto, entregue em fevereiro.
Foram investidos R$ 150 milhões, e o prolongamento desse ramal, até a Arena Castelão, custará mais R$ 200 milhões aos cofres públicos.
A perspectiva é de que os 5,1 km entre o Aeroporto e o estádio sejam concluídos até maio de 2027 - um mês antes da Copa do Mundo Feminina, que será realizada no Brasil e terá Fortaleza como sede.
Transformação da Linha Oeste em metrô também é analisada
O único projeto metroferroviário em construção no Ceará é a Linha Leste. A Linha Oeste, porém, a mais antiga em funcionamento no Estado, também deve passar por mudanças.
A principal delas é a que envolve uma mudança no trecho que liga o Centro de Fortaleza ao Centro da Caucaia, em metrô. Atualmente, ela opera como Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
Um estudo conduzido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério das Cidades prevê a unificação das Linhas Oeste e Leste do Metrofor.
Isso criaria um ramal de mais de 32 km entre a Caucaia e o Centro de Eventos, que pode ser a maior linha metroferroviária do Nordeste.
O secretário argumenta que "vai depender da questão orçamentária" uma possível mudança da Linha Oeste para metrô e que "não há perspectiva para isso, mas ela vai ter que ter uma reforma". "Como vai ser, subterrânea, superfície ou mista, será discutido", acrescentou.
"Todas as linhas do Metrofor precisam de melhorias", diz secretário
O Metrofor conta com sete linhas em funcionamento (três no interior e quatro na Capital). Para Hélio Leitão, todos os ramais precisam passar por mudanças.
"É um desafio que temos no Governo do Estado. A Linha Nordeste (VLT Parangaba-Mucuripe) está no nosso radar, até porque ela foi ampliada com o ramal Aeroporto, e até o ano que vem, será ampliada com o ramal Castelão. Ela necessariamente vai precisar passar por reformas", avaliou.
"Quero apresentar melhorias - e não ampliações - no Cariri e em Sobral, principalmente no Cariri. Existe estudos quanto a extensão até Barbalha, mas precisamos fazer melhorias no sistema do Cariri, inclusive com reformas de trens", opinou o secretário.