Redução de jornada: após retomada, número de acordos no CE é o menor desde abril

Empregados com contratos suspensos ou reduzidos estão voltando ao trabalho. Desde a publicação da MP 936, convertida na Lei 14.020, cerca de 715,6 mil acordos foram feitos em todo o CE

Imagem de pessoas circulando de máscaras no Centro de Fortaleza
Legenda: Reabertura de negócios trouxe clientes e empregados de volta, reaquecendo a economia local
Foto: FOTO: José Leomar

O Ceará contabilizou na última semana de julho 3.838 acordos para redução e suspensão de salários e jornadas de trabalho. É o menor número de contratos ativos desde a publicação da Medida Provisória 936, convertida depois na Lei 14.020. Na avaliação do superintendente regional do Trabalho, Fábio Zech, esse resultado está diretamente associado à retomada gradual das atividades das empresas, que consequentemente voltam a convocar os trabalhadores para atender à demanda.

"A nossa percepção é de que é natural que, com a retomada das atividades, quem estava com o vínculo suspenso ou com alguma redução de jornada e salarial tenha o acordo desfeito e volte a trabalhar. O Benefício Emergencial (BEm) cumpriu o seu papel no epicentro da pandemia e, com a retomada da economia, talvez ele não seja mais tão necessário. Isso explica essa mínima no momento", pontua Zech.

Os números de adesões ao Benefício Emergencial no Ceará foram extraídos de plataforma do Ministério da Economia. De acordo com os dados, na penúltima semana de julho, os acordos contabilizaram 16,3 mil. Na semana anterior, foram 62,7 mil. O maior número semanal de adesões foi registrado entre o dia 5 e o dia 11 de abril, poucos dias após a publicação da Medida Provisória.

Indicadores

Fábio Zech também observa que o número de pedidos de seguro-desemprego estão em queda na comparação com os meses de abril e maio, período no qual o isolamento social nas cidades era mais rígido. Ele lembra que, conforme dados do último Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número de admissões voltou a crescer. "Em abril e maio o saldo era muito negativo, não em virtude dos desligamentos em si, mas pela queda no número de desligamentos", detalha.

"Em abril, por exemplo, o número de desligamentos apresentou um aumento de 17% a 20%. Se a gente observar o número de admissões, a queda chegou a 56%", destaca ainda o superintendente regional do Trabalho sobre o Benefício Emergencial.

"Foi o maior programa de manutenção de empregos do mundo. Se não fosse isso, o desemprego teria ultrapassado 20 milhões no Brasil. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (7) mostram que, no segundo trimestre deste ano, o desemprego atingiu 12,8 milhões de brasileiros (13,3%)", ressalta.

A Medida Provisória 936 foi convertida em lei no dia 6 de julho deste ano. De abril a julho, no Ceará, 51,7 mil empregadores recorreram à ferramenta para manutenção de empregos, atingindo diretamente 414,9 mil trabalhadores e totalizando 715,6 mil acordos. Desse total de acordos, mais de 330 mil correspondem à suspensão de contratos. Quase 220 mil correspondem à redução salarial e de jornada em 70%. Mais de 100 mil tiveram a jornada e o salário cortados em 50% e cerca de 45 mil entraram na redução de 25%.

Perfil dos trabalhadores

Os acordos no Ceará foram adotados, sobretudo, pelo setor de Serviços (272 mil); Indústria (257 mil) e Comércio (156,1 mil). Por sexo, os homens correspondem a 51,8% (370,2 mil) dos trabalhadores atingidos pelo programa, enquanto as mulheres são 48,1% (344,2 mil) do total.

A plataforma do Ministério da Economia mostra ainda a divisão por faixa etária. Os empregados com idade entre 30 e 39 anos foram os principais atingidos (241,9 mil), seguidos pelos trabalhadores com idade entre 40 e 49 anos (142,5 mil) e com idade de 25 a 29 anos (131,7 mil).

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