Quais municípios cearenses lideraram as exportações para a União Europeia?

Países do bloco europeu devem criar maior zona de livre comércio do mundo com acordo com Mercosul.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Foto que contém Porto do Pecém, por onde saem principalmente as exportações do Ceará.
Legenda: União Europeia foi o segundo principal destino das exportações cearenses em 2025.
Foto: Adece/Divulgação.

Três municípios foram responsáveis por dois terços (66%) das exportações do Ceará para a União Europeia (UE) em 2025. São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza, correspondeu a 38,5% do total, alcançando US$ 162,4 milhões (R$ 874 milhões na cotação atual).

Os dados fazem parte do relatório de Relações Comerciais, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios do Ceará (CIN-CE), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

São Gonçalo já era o município com o maior volume exportado para a UE e, na comparação com 2024, o crescimento no ano passado superou a casa de 222%. A maioria das vendas vem da cadeia siderúrgica, na região do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp).

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A Polônia foi o país do bloco europeu que mais recebeu mercadorias de São Gonçalo do Amarante, mais de US$ 56 milhões. França (US$ 43,4 milhões), Itália (US$ 25,4 milhões) e Alemanha (US$ 15,7 milhões) vêm na sequência.

"Somados, esses mercados absorveram mais de US$ 141 milhões em produtos de ferro e aço, reforçando o papel estratégico do Cipp como principal elo da inserção industrial do Ceará no mercado europeu. Complementarmente, destacaram-se embarques de combustíveis minerais para a Bélgica", aponta o relatório.

Veja outros destaques das exportações cearenses para a UE em 2025:

Frutas de Icapuí e pauta diversificada em Fortaleza 

Logo após São Gonçalo do Amarante, aparecem outras duas cidades do litoral: Icapuí, na divisa com o Rio Grande do Norte, e Fortaleza. O município do litoral leste, segundo o relatório, se consolidou como o principal polo frutícola exportador para os europeus.

Foram US$ 63,4 milhões enviados para a UE. Isso representa participação de 15% nas exportações para os 27 países do bloco, crescimento de 39,1% na comparação com 2024, sobretudo de melões frescos, oriundos em geral dos municípios do Vale do Jaguaribe.

"A retração das vendas para Portugal não comprometeu o desempenho geral, confirmando a competitividade do Vale do Jaguaribe no abastecimento do mercado europeu de frutas in natura", avalia o relatório.

Fortaleza teve mais variedade de produtos exportados, mantendo o destaque para combustíveis minerais, gorduras e óleos vegetais e frutas frescas. A Alemanha foi o país que mais recebeu as exportações da Capital. O crescimento foi de 31,3% em relação a 2024, somando US$ 52,7 milhões comercializado com a UE.

O que explica o volume exportado para a UE?

As relações comerciais entre o Ceará e a União Europeia voltaram a ficar mais próximas em 2025. O volume exportado do Estado para os países do bloco foi acima dos US$ 447 milhões (pouco mais de R$ 2,4 bilhões na cotação atual), alta de 72% no comparativo com 2024. Somente os Estados Unidos receberam mais mercadorias cearenses no ano passado, apesar do tarifaço.

"As exportações cearenses para a UE em 2025 permaneceram fortemente concentradas em um número reduzido de municípios, refletindo um padrão de especialização produtiva clara e o fortalecimento de polos industriais e agroindustriais específicos", indica o relatório.

A professora de Comércio Exterior da Universidade de Fortaleza (Unifor) Larissa Amaral aponta que o aprofundamento das relações comerciais entre os municípios cearenses e a UE se deu sobretudo em virtude das sobretaxações impostas pelos EUA.

Municípios cearenses devem ser beneficiados com acordo Mercosul-UE

Por outro lado, a especialista acredita ainda que deve ficar ainda mais intensa a parceria comercial entre o Estado e os países do bloco. Isso porque a assinatura do acordo que cria a maior zona de livre comércio do mundo, integrando Mercosul e a UE, vai eliminar uma série de tarifas e barreiras comerciais.

"A UE eliminará tarifas de importação sobre o comércio de bens, dentre eles milho, cachaça e frutas. De partida, este deve ser o principal segmento a ser impactado, talvez com aumento da demanda exportadora devido a não imposição de cotas e eliminação das tarifas desde o início do acordo", pondera.

Foto que contém melões frescos produzidos no Ceará.
Legenda: Ceará é um importante polo fruticultor do Brasil.
Foto: CNA/Divulgação.

Larissa Amaral observa que o acordo é oportunidade para diversificação da pauta exportadora do Ceará, principalmente em um contexto de sobretaxação oriunda do governo estadunidense, com destaque para pautas prioritárias na UE.

"O Ceará deve sair 'ganhando' nos compromissos assumidos relacionado às práticas de sustentabilidade. Ações de descarbonização da economia, energias renováveis — sobretudo solar e eólica nas quais o Ceará se destaca e o comércio de produtos sustentáveis — devem apresentar uma boa oportunidade para o Ceará", observa.

A dependência dos EUA prejudicou muito o ritmo dos negócios no ano passado. O Ceará tem vocação, território e tudo bem alinhado com a pauta de sustentabilidade que é bem cara à União Europeia, acredito que o trunfo verdadeiro do Ceará está aqui".
Larissa Amaral
Professora do curso de Comércio Exterior da Unifor

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