Mesmo na pandemia, financiamentos imobiliários crescem 5,5% no Ceará

Já o número de unidades habitacionais financiadas teve alta de 13% em seis meses no Estado

Legenda: Número de unidades habitacionais financiadas cresceu em junho e no primeiro semestre no Ceará
Foto: Foto: Gustavo Pellizzon

A pandemia do novo coronavírus não desanimou o mercado imobiliário no Ceará. A redução dos juros no setor, influenciada pela queda da taxa Selic (2,25% ao ano atualmente), e o estoque de imóveis fizeram com que o valor financiado e o número de unidades habitacionais crescessem 5,5% e 13%, respectivamente, no primeiro semestre, no Estado. As informações foram divulgadas nessa quinta-feira (23) pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

De acordo com os dados de financiamento imobiliário com recursos da poupança, de janeiro a junho deste ano, foram financiados no Estado quase R$ 613 milhões, enquanto que em igual período de 2019, o valor foi de R$ 580,5 milhões. Além disso, o número de unidades passou de 2,2 mil, no primeiro semestre do ano passado, para 2,5 mil, nos primeiros seis meses de 2020.

Para o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador da área de finanças comportamentais, Érico Veras, alguns fatores contribuíram para os resultados no Estado, mesmo diante da pandemia do novo coronavírus. Ele explica ainda que a existência de outras modalidades no sistema financeiro, como a junção da taxa de juros mais a inflação para definir a parcela do imóvel, podem ter colaborado para os resultados no Ceará.  

"Com a queda da Selic, você tem uma questão de que as pessoas, que tinham algum dinheiro guardado e que são conservadoras, quiseram colocar seu dinheiro em algum lugar. Tem ainda a queda dos juros de financiamento e o surgimento de modalidades, como a taxa de juros mais a inflação, fazendo com que a parcela do imóvel fique menor. Isso viabiliza com que as famílias façam esse investimento". 

Veras também explica que as construtoras e as incorporadoras colocaram preços atrativos para vender mais rapidamente os estoques. "As empresas estão precisando vender seus estoques e aí você tem negociações e preços atrativos. Você tem uma pessoa investidora, a taxa de juros está compensando e aparece um imóvel. A pessoa tem dinheiro e apareceu a oportunidade".   

Apenas em junho, o número de unidades habitacionais financiadas subiu mais de 37,6%, passando de 385 em 2019 para 530 no mês passado. Além disso, o valor financiado cresceu quase 40% no período, aumentando de R$ 103,5 milhões para mais de R$ 144,3 milhões, no Estado.

Perspectivas
Para o professor da UFC, o ritmo do mercado para o segundo semestre segue incerto devido à lenta recuperação da economia. "Depois de um determinado momento, esse modelo se esgota. É preciso ter gente empregada para continuar crescendo", diz.

"No primeiro momento, eu tenho aquelas pessoas que têm trabalho certo, tinham algum dinheiro guardado e encontraram uma oportunidade. Mas isso se esgota porque acabam os imóveis em estoque. Eu preciso de um novo ciclo onde eu tenha pessoas trabalhando e elas tenham renda para comprar. O segundo semestre vai depender de como as coisas vão funcionar a partir do último trimestre do ano. A gente tem que ver como Fortaleza vai se comportar quando tudo reabrir", avalia.  

No País
Considerando apenas os financiamentos imobiliários com recursos da poupança, a Abecip constatou um crescimento de 29% entre os primeiros semestres de 2019 e de 2020. Para o ano, uma projeção conservadora aponta para elevação de 12%. "O crédito imobiliário contribuirá, portanto, para a recuperação econômica esperada para os próximos meses", informa a Abecip.

A Associação destaca o Crédito com Garantia de Imóveis (CGI), objeto de decisões recentes das autoridades monetárias (BC), que teve expansão de 6% entre janeiro e junho de 2020, se comparado ao mesmo período de 2019, com perspectiva de avanço mais acelerado.

"A poupança do SBPE registrou uma captação líquida recorde de R$ 65 bilhões no primeiro semestre, superando os R$ 54 bilhões registrados em 2015. O saldo das cadernetas cresceu 18% em relação a junho do ano passado, o dobro da projeção inicial para 2020, que era de alta de 9%", informa a Abecip.

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