Haddad garante que Governo apresentará medidas para proteger setores atingidos por tarifaço

Ministro da Fazenda apontou que plano de apoio e proteção deve ser aprovado nos próximos dias

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 12:04)
Haddad discursando enquanto veste um terno azul
Legenda: Haddad confirmou que um encontro com os EUA para uma renegociação também deve acontecer
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, em coletiva nessa quinta-feira (31), que deve apresentar medidas de proteção aos setores atingidos pelo "tarifaço" de Donald Trump, que formalizou sobretaxa de 50% dos Estados Unidos a produtos brasileiros.

"Dentro do plano de contingência já havia a previsão de medidas nessa direção, e nós vamos agora calibrar justamente para, à luz do que foi anunciado ontem, nós vamos fazer a calibragem para que isso possa acontecer o mais rápido possível", confirmou o ministro.

Na análise do titular da pasta, o anúncio feito pelo governo norte-americano saiu melhor que o esperado, o que representaria um "melhor ponto de partida" para as negociações que devem ser mantidas.

Junto da confirmação da taxa, o governo Trump anunciou uma lista de exceções com quase 700 produtos brasileiros que não serão inclusos, mas o ministro aponta que há setores afetados em situação "dramática".

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"Na nossa opinião, houve sensibilidade para algumas considerações que já havíamos feito mais de uma vez. Que isso não ia só afetar o trabalhador brasileiro, que ia afetar o consumidor americano. Algumas das nossas observações foram apreciadas e contempladas, mas estamos longe do ponto de chegada. Estamos em um ponto de partida mais favorável do que se imaginava, mas longe do ponto de chegada", disse Hadadd à imprensa.

Segundo o ministro, o secretário do tesouro norte-americano, Scott Bessent, já sinalizou o agendamento de uma segunda conversa para debater a taxação dos produtos brasileiros, mas sem data confirmada.

Brasil deve recorrer

Na mesma entrevista, Haddad confirmou que o Brasil deve recorrer da taxa tanto nos EUA como em organismos internacionais, pontuando que as medidas não interessam ao Brasil e nem aos demais países da América.

"Nada do que foi decidido ontem não pode ser revisto. Nós vamos poder sentar e, de novo, eu repito o que eu disse: eu penso que essa semana é o começo de uma conversa mais racional, mais sóbria, menos apaixonada", disse Haddad ao apontar que sentiu nos últimos dias uma sensibilidade maior aos argumentos brasileiros. 

Setores como o de café, carne bovina e frutas devem sentir grande impacto com a sobretaxa. "Há muita injustiça nas medidas anunciadas ontem, há correções a serem feitas. Há setores que não precisariam estar sendo afetados. Nenhum a rigor, mas há casos que são dramáticos, que deveriam ser considerados imediatamente", continuou.

Haddad ainda pontuou que os auxílios aos setores citados no "tarifaço" já estão a caminho. "Parte do nosso plano previsto vai ser apreciado para ser lançado nos próximos dias, de apoio, proteção à indústria brasileira, aos empregos no Brasil, ao agro também, quando for o caso", frisou. 

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