Gol aumenta operações em Fortaleza e quer mais voos no Nordeste

Número de decolagens da companhia na Capital entre outubro e janeiro de 2022 deve crescer quase 54%

Legenda: Gol pretende conectar Fortaleza a dez destinos nacionais até janeiro de 2022.
Foto: Thiago Gadelha

Após cerca de um ano e meio de fortes impactos decorrentes da pandemia, a aviação civil inicia um processo de recuperação nesta alta estação do turismo cearense. Apostando nas viagens a lazer, a Gol Linhas Aéreas está fortalecendo as operações no Nordeste e aumentando o número de voos em Fortaleza em quase 54% até janeiro de 2022.

Neste mês de outubro, a companhia terá 104 decolagens por semana ligando a capital cearense a nove destinos nacionais. O número de operações irá saltar para 160 por semana, conectando Fortaleza a dez aeroportos.

Com o incremento de voos, o número de assentos disponíveis passará de 20,2 mil neste mês para 28,4 mil em janeiro de 2022.

Em entrevista ao Diário do Nordeste durante a Abav Expo, o vice-presidente Comercial, de Marketing e Clientes da Gol, Eduardo Bernardes, aponta que o reforço da malha aérea no Estado faz parte da recuperação das operações da companhia, que devem fechar o ano entre 85% e 90% do que era antes da pandemia.

Segmento de lazer é nova aposta

Embora os voos estejam sendo retomados, as operações são desenhadas de forma diferente. Bernardes explica que, com a retração do segmento corporativo em razão da pandemia, as viagens de lazer são a nova aposta para esta recuperação, o que coloca o Nordeste sob os holofotes.

"Como essa parcela de clientes (de negócios) reduziu muito, toda vez que a malha aérea foi crescendo foi para destinos um pouco mais de turismo. E aí o Nordeste passou a ter uma representatividade maior dos voos. Imagina que antes da pandemia o Nordeste representava pra gente de 25% a 30% dos voos, durante a pandemia tem representado 50%", ressalta.

A volta dos voos entre Fortaleza e Paris pela Air France-KLM no próximo dia 22 de outubro é outro motivo para a Gol reforçar o banco de conexões na Capital, de forma a atender passageiros que chegam ao Brasil através do Ceará, assim como brasileiros que escolhem o Estado como porta de saída do País.

"É o mesmo nível de alimentação da pandemia? Ainda não, porque o mercado ainda não se recuperou, mas a tendência é de que a gente volte a desenvolver as conexões para garantir o sucesso dessa operação", pontua Bernardes.

Conectividade no Nordeste e destinos regionais

O vice-presidente da companhia ainda revela que a empresa tem a intenção de continuar fortalecendo destinos regionais e a conectividade dentro do próprio Nordeste.

Um dos investimentos nesse sentido é a parceria com a Voepass para atender destinos da chamada Rota das Emoções, que inclui Jericoacoara (CE), Parnaíba (PI) e Barreirinhas (MA). As operações foram anunciadas no último mês de agosto e devem ter início em dezembro.

"É mais um investimento que a gente está fazendo em parceria para que a gente possa aproveitar mais o potencial turístico da região inteira", afirma Bernardes.

Além disso, os voos diários para Jericoacora partindo do Sudeste devem voltar a ser operados diariamente nesta alta estação, frequência que deve permanecer por tempo indeterminado, apenas com alguns ajustes pontuais.

"Em geral, nosso objetivo a médio prazo é recompor as operações, não necessariamente como elas eram. Essa operação regional com a Voepass não existia antes. A gente está voltando com a nossa capacidade e trazendo coisa nova, destinos novos", garante o executivo.

vista aérea do aeroporto de Fortaleza
Legenda: A volta dos voos entre Fortaleza e Paris pela Air France-KLM no próximo dia 22 de outubro é outro motivo para a Gol reforçar o banco de conexões na Capital.
Foto: Kid Júnior

Protagonismo no Nordeste

Apesar do hub da companhia ser sediado em Fortaleza, a Gol também tem realizado fortes investimentos em Salvador.

Questionado se a capital baiana estaria retomando o protagonismo na região em detrimento da cearense, Bernardes reafirmou que Fortaleza continua sendo a escolha da empresa para o banco de conexões na Região.

Ele justifica o incremento da operação em Salvador a partir do potencial regional do estado a ser explorado pela Gol.

"São propósitos complementares. A gente também tem um projeto de crescer no interior da Bahia. Para crescer no interior da Bahia, assim como para crescer no interior do Ceará, a gente precisa ter uma massa de voos que ajude o crescimento de um parceiro que tenha avião menor", esclarece.

Ele também pontua que uma massa maior de operações nas principais capitais do Nordeste melhoraram a conectividade dentro da própria região.

"Se a gente somar a oferta conjugada da Bahia e do Ceará da Gol, faz a gente ter uma posição muito relevante no Nordeste que tem um outro objetivo por trás disso: gerar uma melhor conectividade entre o Nordeste, que também é um desejo não só da Gol, mas dos clientes, de todo mundo, da sociedade"
Eduardo Bernardes
Vice-presidente comercial, de marketing e clientes da Gol

"Desde que lançamos a gente fala: o Hub é Fortaleza, foi uma decisão estratégica, a gente tem motivos para fazer aqui, como conseguir ir para os Estados Unidos direto sem fazer escala, a parceria com a Air France-KLM, todas as condições econômicas e toda a parceria que foi feita com o Governo permitiu a gente falar 'isso faz sentido pra gente'", acrescenta.

Avião da Gol
Legenda: Volta dos voos internacionais partindo de Fortaleza dependerá da retomada da demanda.
Foto: Fabiane de Paula

Voos internacionais

A Gol ainda demonstra interesse em retomar todas as operações internacionais partindo de Fortaleza anteriores à pandemia, desde que a demanda justifique esse retorno. Apesar dos planos, essa volta ainda não possui data para acontecer e será totalmente guiada pela demanda.

"É uma questão de entender quais serão os procedimentos que serão exigidos, como essa demanda vai voltar e a gente replanejar coisas que nós já tivemos. Então, Ceará continua na nossa pauta", afirma o vice-presidente da Gol.

Sobre novos destinos, o executivo lembra que é necessário pensar quais as opções que é possível ter através do avião da companhia, o Boeing 737-Max, modelo que deve substituir toda a frota da companhia nos próximos sete anos.

"Onde esse avião pode nos permitir chegar? Porque a gente não tem plano de ter um avião maior. Essa aeronave tem mais autonomia, é o que permitiu a gente chegar nos Estados Unidos. Então, todos os mercados antes operados continuam sendo mercados que a gente tem condição técnica de voar. O que vai fazer essa volta acontecer ou não e o tempo é a demanda", reitera Bernardes.

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