Empresários temem onda de demissões em grandes restaurantes, diz Abrasel

Segundo o presidente da Associação, muitos bares e restaurantes estavam aguardando o último decreto estadual para decidir se fechariam de vez, e restrições sanitárias deverão ter um impacto muito negativo no segmento

Legenda: A Abrasel-CE deverá ter um balanço inicial sobre os impactos causados pelo novo decreto estadual na próxima segunda-feira (22)
Foto: Divulgação

Os empresários do setor de restaurantes estão temendo que o Ceará registre uma nova onda de demissões de funcionários após a aplicação do novo decreto do Governo do Estado, que restringe até as 20h o funcionamento de atividades não essenciais durante a semana. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto, contudo, ainda não é possível mensurar os impactos no segmento econômico, mas os cortes deverão afetar até os grandes restaurantes. 

De acordo com Righetto, a Abrasel deverá ter um balanço inicial sobre os impactos causados pelo novo decreto na próxima segunda-feira (22). Mas ele disse que o segmento já espera um impacto semelhante ao registrado em outros estados. Segundo dados da Entidade, no Brasil, mais de 180 mil postos de trabalho foram fechados em 2020. 

"A gente já sabe que vários restaurantes estavam esperando o decreto para fechar ou não. E muitos restaurantes deverão fechar em definitivo. Temos vistos muitos empresários que estão sofrendo para mandar algumas pessoas 'para fora'. Mas não sabemos mais o que esperar. Até segunda devemos ter um balanço mais geral, mas temos tanta gente que já quebrou", disse Taiene. 

Impactos negativos

O presidente da Abrasel ainda disse que os grandes restaurantes também serão afetados, por "não terem mais gordura para queimar". Righetto afirmou que o decreto tem dificultado o funcionamento do setor, que já "não vinha bem". Ele ainda questionou a efetividade das medidas do decreto aplicado pelo Governo do Estado. 

"Os maiores restaurantes tinham mais gordura, mas até esses não têm mais esse espaço para gastar em folha de pagamento e agora devemos ter demissões em massa", disse Righetto. 

"A gente lamenta que o decreto seja pouco eficiente. O governo fica restringindo os bares e restaurantes e isso segue sem resolver o problema, e eles seguem sem conseguir mostrar os impactos do setor de bares e restaurantes. No Carnaval, tivemos várias festas clandestinas sendo que o Governo não consegue fiscalizar isso. Eu entendo que as medidas têm sido fracas. Estamos tendo muita tentativa e erro", completo. 

Contato com o Governo

Righetto ainda comentou que a Abrasel está tentando um novo contato com o Governo do Ceará para tentar renegociar as medidas aplicadas no último decreto estadual. Ele comentou que a Associação deverá enviar ao comitê que avalia a situação da pandemia no Ceará os dados de uma pesquisa feita com clientes e funcionários de bares e restaurantes. 

A pesquisa, encomendada pela própria Abrasel e realizada pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Inteligente (IBPI), perguntou aos entrevistados onde eles acham que foram contaminados pelo coronavírus, em caso de infecção. Conforme a pesquisa, na opinião popular os bares e restaurantes não são locais de contaminação. 

"A gente precisa reabrir esse diálogo. Eu mandei nossos dados para tentar abrir esse canal, mas estamos há 11 dias sem uma reposta ou contato com o Governo", disse Taiene. 

Previsibilidade 

O presidente da Abrasel ainda comentou que os empresários têm se queixado do baixo nível de previsibilidade apresentado pelo Governo antes da tomada de decisão sobre os decretos que tratam sobre as restrições sanitárias no Ceará. 

"As decisões estão sendo anunciadas em cima da hora. E os fornecedores estão perguntando porque houve uma queda nas compras, mas as pessoas não estão comprando porque não há previsibilidade", defendeu Taiene. 

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