Economia do Ceará cresce 0,79% em outubro e consolida recuperação

Prévia do PIB divulgada pelo Banco Central aponta avanço de 0,6% no trimestre encerrado em outubro ante igual período do ano passado. Comércio e construção civil têm impulsionado reação da atividade econômica cearense

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Legenda: Comércio e construção civil são os setores que têm puxado o processo de retomada do crescimento da economia cearense.
Foto: Helene Santos

Afetada fortemente pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus, a atividade econômica do Ceará vem se recuperando gradualmente. De acordo com estimativa do Banco Central (BC), em outubro, a economia do Estado apresentou alta de 0,79% ante setembro, resultado que mostra a consolidação da retomada da atividade econômica cearense. Ainda assim, naturalmente, o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado no ano não escapa de fechar no vermelho.

O coordenador de contas regionais do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Nicolino Trompieri Neto, ressalta que a tendência de recuperação continua, mas ainda sob os efeitos da reabertura econômica iniciada em junho. No trimestre de agosto a outubro, o Índice de Atividade Econômica Regional - Ceará (IBCR-CE) do BC indica expressiva alta de 7,06% em relação ao de maio a julho deste ano.

"Esse trimestre ainda captou o forte impacto da pandemia, com o isolamento e fechamento das atividades não essenciais. Por outro lado, em junho iniciou o processo de retomada gradual. Então, não deixa de ser um bom resultado, porque metade do trimestre já está na reabertura", afirma. Na comparação com igual período do ano passado, o trimestre encerrado em outubro teve leve avanço de 0,9%. Trompieri aponta que o aquecimento da economia deve se manter nesse ritmo no restante do ano.

"Esse processo deve continuar mesmo com o pequeno aumento nos indicadores de contaminação no Estado, porque as atividades não essenciais que já retornaram continuam abertas e com perspectiva de crescimento melhor para o fim do ano, que é um trimestre naturalmente mais aquecido", explica o coordenador do Ipece.

Fechamento do ano

Mesmo com as perspectivas positivas e os avanços já registrados na atividade econômica cearense, Trompieri ressalta que, inevitavelmente, o Estado ainda irá encerrar o ano com queda do PIB. Ele acrescenta que têm melhorado as perspectivas para essa queda.

No acumulado do ano até outubro, o BC indica uma queda de 2,57% no Estado e de 1,63% nos últimos 12 meses.

"Logo nas primeiras semanas, as previsões, os números eram bem mais pessimistas que hoje. A gente vem percebendo melhora da estimativa, tanto para o Brasil quanto para o Ceará. A última estimativa do Ipece, divulgada em setembro, prevê uma queda de 4,35% (da economia no ano). Em junho, esse prognóstico era de -4,92%. Nos próximos dias, vamos atualizá-la".

A situação, no entanto, não é exclusiva do Ceará. Ele destaca que a maioria dos estados, com exceção daqueles exportadores de commodities, irá apresentar retração do PIB. "A crise é inevitável e atingiu todos os estados, com exceção de alguns que tiveram desempenho mais satisfatório de produtos agrícolas. O Ceará vem demonstrando bom desempenho na recuperação. Os índices do IBC a partir da reabertura indicam crescimento mais intenso que a média do Brasil e do Nordeste".

Ainda no trimestre encerrado em outubro, o Nordeste apresentou alta de 4,51% em relação ao trimestre anterior, contra 7,06% no Ceará e 6,46% no Brasil.

O coordenador do Ipece lembra que os setores do comércio e da construção civil são aqueles que têm puxado o processo de retomada do crescimento da economia cearense. O primeiro é impulsionado pelo pagamento do auxílio emergencial, que tem preservado e até ampliado o consumo das famílias cearenses que recebem o benefício.

Já o segundo tem sido favorecido pelo cenário de baixa dos juros e também da necessidade de reformas residenciais percebidas pelas pessoas durante o período em que ficaram mais tempo em casa, por conta do isolamento social.

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