Cresce demanda por pilotos de drone no mercado cearense; conheça a profissão

Investimento para seguir a carreira é alto, mas retorno compensa. A cada voo, o profissional pode receber até R$ 2 mil

Escrito por Lívia Carvalho, livia.carvalho@svm.com.br

Negócios
Legenda: A produtora de vídeo Izabel Bezerra apostou há um ano na carreira de piloto de drone
Foto: Reyver Bernardo

A constante evolução tecnológica não tem só feito surgir novas ferramentas, mas também novas profissões. É o caso da função de piloto de drone, uma tendência crescente no mercado que vem sendo requisitada em diversas atividades econômicas, como o agronegócio, construção, indústria, logística.  

Há pelo menos um ano, Izabel Bezerra, de 27 anos, decidiu apostar na área ao perceber essa demanda. "Eu já trabalho há dois anos com produção de vídeo e, vez por outra, aparecia demanda de vídeo com imagens aéreas utilizando drones. Por isso, comecei a estudar e investir nessa ferramenta para valorizar ainda mais meu trabalho, tem dado certo”, conta. Hoje, a produtora tem clientes fixos que solicitam esse serviço.

Após 25 anos atuando como repórter cinematográfico, Izaias Vieira, 47 anos, viu na pilotagem de drones uma forma de incrementar a renda enquanto atuava como fotógrafo e produtor de vídeos. No entanto, quando começou, em 2018, o retorno ainda não era positivo, pois ainda não se tinha tanto conhecimento sobre as usabilidades do equipamento. 

  

“O drone pode ser usado para além da filmagem, ajuda na fiscalização de obras, por exemplo. Então, comecei a analisar essa gama de funções. Foi aí que começou a me dar um retorno muito bom, foi um boom, estou voando direto. Agora, sou piloto de drone, além de fotógrafo, cinegrafista e editor”.  
Izaias Vieira
piloto de drone

Como se tornar um piloto de drone? 

Embora não seja obrigatório fazer cursos para se capacitar como piloto de drone (em áreas até 400 pés do solo), é fundamental estudar e ter conhecimentos sobre o manuseio, parâmetros e outros detalhes que envolvem a navegação. 

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desenvolveu regulamento específico para o uso de aeronaves remotamente pilotadas que servem para o exercício da atividade profissional ou uso recreativo. Para ser um piloto profissional de drones classe 3 (de até 25kg), estão entre as regras principais: ser maior de 18 anos, possuir cadastro da aeronave no SISANT (ANAC), ser cadastrado como piloto no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

Além disso, é necessário fazer a contratação de seguro de responsabilidade civil, que cobre prejuízos causados a terceiros em possíveis acidentes e, quando for realizar um voo, ter autorização do DECEA, manual de uso do equipamento e ter documentado uma Avaliação de Risco Operacional. 

Legenda: Na profissão, Izaias descobriu a possibilidade de se trabalhar com vários segmentos
Foto: Izaias Vieira

Em alguns casos, é necessário ter licença e habilitação. "Todos os pilotos remotos que atuarem em operações acima de 400 pés (aproximadamente 120 metros) ou com aeronaves de classe 1 (drone acima de 150kg) ou 2 (acima de 25 kg e abaixo ou igual a 150 kg). A Agência determinará, para cada tipo de operação, os critérios aceitáveis para a emissão da licença e habilitação apropriadas", informou a Anac, em nota. 

Para obter a licença e habilitação de operação, o piloto deve enviar informações sobre a aeronave, descrevendo a operação que pretende realizar pelo Fale com ANAC, serviço de atendimento do órgão. Acesse aqui a cartilha com instruções para o registro e operação de drones da agência.

“É preciso estudar primeiro. O drone é um instrumento caro, tem risco de acontecer uma eventualidade e você acabar derrubando a aeronave. Por isso, é muito importante estar atento no momento do voo, conhecer todas as regras envolvidas, até porque há locais em que não se pode voar, e ter conhecimento amplo”.
Izabel Bezerra
piloto de drone

Legenda: Para Izabel, a profissão é bastante inovadora
Foto: Reyver Bernardo

Para ajudar na captação das imagens, a pilota relata ainda sempre levar um auxiliar para os voos. Enquanto ela foca em fazer as gravações, ele vai estar supervisionando a área para o drone não correr riscos, sejam fios ou galhos por perto.  

Quanto ganha? 

Para trabalhar na área, no entanto, é necessário fazer um alto investimento. De acordo com Izaias, o custo dos equipamentos necessários mais a capacitação fica em torno de R$ 20 mil. Mas o retorno compensa, já que, por voo realizado, o piloto pode receber de R$ 400 a R$ 2 mil.  

“Esse valor varia bastante, vai depender do tipo de trabalho, da complexidade, do preço médio naquela região, em São Paulo, por exemplo, o custo médio é mais alto”, detalha João Ricardo, Queiroz, co-CEO da WillFly, startup que oferece um acompanhamento de operações por drones. 

Mercado em expansão

Com uma demanda crescente no mercado, impulsionada especialmente pela pandemia e necessidade de manter distância, Izabel e Izaias veem a escolha como uma possível profissão do futuro.

Legenda: Izaias trabalha também com vistoria de obras
Foto: Izaias Vieira

“O drone possibilita diversas funcionalidades e acaba sendo bem vantajoso para tornar processos internos mais rápidos. Além disso, novas coisas estão surgindo e já tem até aposta para fazer delivery, mas isso ainda deve demorar”, explica Izaias.  

“Durante a fase de validação de startup, encontramos vários segmentos que a distância acarretava problemas, então a partir daí desenvolvemos a plataforma”, explica João Ricardo Queiroz, co-CEO da startup.

A empresa tem mapeado esses pilotos, produzindo uma lista com mais de 2,4 mil profissionais - entre eles, Izabel e Izaias -, para oferecer aos clientes o profissional mais adequado a cada necessidade. Além disso, foi desenvolvida uma plataforma similar ao de videochamadas, permitindo a transmissão ao vivo das imagens captadas pelos drones. 

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