Comprar carro ou assinatura: qual a melhor opção para o seu bolso?
A escolha pode variar a depender do objetivo central do investidor
Investir em um carro próprio é um dos primeiros atos de independência desejados ao chegar na vida adulta. Nos últimos tempos, porém, optar por fazer a assinatura de um veículo, ao invés de comprá-lo, vem se tornando um novo costume de investimento.
Para uns, a decisão de investir na compra do automóvel significa a completa liberdade de locomoção. Essas pessoas, geralmente, veem o valor da mensalidade de uma assinatura de carro como algo que seria mais bem investido no financiamento do próprio veículo.
Porém, há aqueles que enxergam maior conforto em investir um valor mensal para manter um veículo, sem a preocupação de pagamentos extras de documentação, seguro e manutenções.
Pensando nisso, o Diário do Nordeste reuniu os principais pontos para se ter em mente na hora de decidir o investimento na locomoção.
Vantagens e desvantagens
Carro próprio
Ao realizar a compra de um veículo, forma-se um patrimônio, como bem explica o economista Alex Araújo. Ou seja, o carro passa a ser um bem material do comprador, possuindo liberdade de uso, sem limite mensal de velocidade, e podendo ser revendido.
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No entanto, o patrimônio do automóvel é depreciável, pois seu valor tende a cair com o passar dos anos. O veículo possui uma desvalorização acelerada, conforme afirma o economista, além de sua facilidade para revenda ser baixa – a troca surge como uma opção mais favorável para quem detém esses bens.
Os custos variáveis, como emplacamento, seguro e manutenções, também são elevados e devem ser providenciados pelo dono do veículo.
“O que causa mais surpresa é a desvalorização do veículo usado, as variações de custo do seguro e os custos com manutenção”, afirma o economista. “As despesas com impostos e combustíveis seguem um padrão conhecido”.
Carro por assinatura
Este é um serviço de aluguel a longo prazo, com contratos, em geral, de 12, 24 ou 36 meses. Os maiores custos associados à posse de um veículo já estão embutidos no valor a ser pago mensalmente, como a documentação, o seguro e as manutenções.
Alugar um automóvel, então, implica em certas facilidades para o cliente, já que lhe é dispensada imobilização de capital, ou seja, não há necessidade de reservar parte do patrimônio líquido para esse bem.
Além disso, os custos mensais são previsíveis, devido aos serviços inclusos no pacote da locadora, e a troca de veículos pode ser feita de maneira mais flexível.
Entretanto, Alex relembra que o pagamento da assinatura “não significa aquisição do ativo” e não garante uso ilimitado, pois o cliente fica sujeito a pagar valores extras no caso de os quilômetros mensais rodados ultrapassar os inclusos no aluguel.
Ele ainda afirma que, para os que pretendem utilizar o veículo a longo prazo, as despesas podem se tornar mais elevadas do que as necessárias para a aquisição de um carro próprio.
Acúmulo de gastos
É importante o cliente ter em mente uma pretensão de por quanto tempo fará uso do veículo. O economista explica que os gastos entre compra e assinatura tendem a variar dependendo do período que o usuário pretende permanecer com o mesmo carro.
De modo geral, a compra gera um maior desembolso inicial e custos pontuais, porém esse gasto total é menor do que o de uma assinatura caso o período de uso ultrapasse o 4º ano de compra.
Já em caso de manter uma assinatura pelo mesmo período, o gasto acumulado se torna maior, pois o cliente continua a pagar pelo mesmo serviço, mas sem adquirir um patrimônio.
A regra prática é, se se pretende usar o mesmo veículo por mais de dois anos, é preferível comprar. Se o uso é de curto prazo e apenas para uso urbano, é mais vantajoso alugar
O economista Ricardo Coimbra reforça, ainda, que o cálculo para esses gastos é difícil de mensurar em linhas gerais, pois são necessários números específicos quanto a cada veículo, como o valor depreciado ao longo do tempo e os custos de manutenção.
O que evitar?
Independente da opção que o cliente escolha, é preciso estar atento para não cometer erros e acabar realizando um gasto maior que o esperado. Confira algumas dicas a seguir:
Carro próprio
- Não olhar apenas para a parcela inicial, mas, sim, para o custo total;
- Pesquisar o valor de revenda e o histórico do modelo;
- Não subestimar os custos de seguro e de manutenção;
- Avaliar o impacto financeiro no orçamento;
- Não comprar no impulso;
Além disso, é fundamental ficar atento para às manutenções, ao seguro e ao estado do veículo. Alex recomenda a realização da chamada manutenção preventiva, para “evitar que pequenos problemas se tornem grandes e caros”, bem como ter uma apólice de seguro com cobertura adequada – furto, roubo e danos a terceiros.
Também é importante realizar a vistoria detalhada do veículo, com um mecânico de confiança, ao comprá-lo usado, “para evitar custos corretivos imediatos”.
Carro por assinatura
- Estar ciente das taxas por uso fora do contrato, como multas e devolução antecipada;
- Comparar o valor residual após o máximo de meses do contrato;
- Observar e monitorar o limite de quilometragem;
- Ler com atenção as cláusulas de uso e devolução;
- Lembrar que nem toda assinatura é barata;
Qual a melhor opção?
Alex Araújo diz que não há resposta certa, pois as circunstâncias mudam a depender do perfil de consumo, da capacidade financeira e da necessidade de mobilidade.
Para as pessoas que pretendem fazer uso do veículo por um longo período, valorizam ter um patrimônio e possuem estabilidade financeira para cobrir custos inesperados, a compra do automóvel é uma boa opção. Entretanto, é preciso estar “disposto a assumir a depreciação e a burocracia da revenda".
"É essencial não olhar apenas para o preço ou a parcela, mas incluir os gastos com manutenção, seguros e impostos, vendo se o valor é sustentável no orçamento mensal”, reforça o economista. Ele ainda recomenda "evitar financiamento máximo, dando a maior entrada possível para reduzir o pagamento de juros”.
Já se o cliente prioriza uma maior previsibilidade de custos, busca não se preocupar com manutenção e impostos, faz um uso menor do veículo e pretende estar sempre trocando-o, a assinatura de um veículo pode se mostrar a melhor escolha.
*Estagiária sob supervisão do jornalista Hugo R. Nascimento.