Com prejuízos da pandemia, Fraport negocia novo reequilíbrio do contrato com Anac

Em 2020, a agência já havia autorizado uma correção de R$ 94,32 milhões

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Legenda: Em 2020, a Anac reconheceu uma queda de quase 50% no fluxo de passageiros no terminal entre março e setembro
Foto: Fabiane de Paula

Com uma queda de 56,3% no fluxo de passageiros em 2020 e previsão de continuidade da baixa no primeiro semestre deste ano, a Fraport, administradora do Aeroporto de Fortaleza, já iniciou as negociações com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para um novo reequilíbrio do contrato de concessão.

As tratativas foram reveladas pela COO - sigla em inglês para diretora de operações - da companhia, Sabine Trenk, que ressaltou que as conversas ainda são iniciais, de forma que não é possível prever de quanto será o prejuízo e, consequentemente, o reequilíbrio.

"Estamos em conversa com a Anac. Conseguimos um acordo de reequilíbrio no ano passado, e agora a negociação continua para chegarmos a acordo de reequilíbrio para este ano. Ainda é muito cedo, mas estamos otimistas que a Anac nos concedeu novamente", afirma Trenk.

Queda no fluxo de passageiros

Em 2020, a Anac reconheceu uma queda de quase 50% no fluxo de passageiros no terminal entre março e setembro, o que gerou um desequilíbrio de R$ 94,32 milhões. A recomposição do equilíbrio foi feita por meio da revisão das contribuições fixa e variável devidas pela concessionária.

Pelo contrato de concessão, a Fraport tem de pagar outorgas ao Governo Federal pela administração do Aeroporto de Fortaleza, arrematado por R$ 425 milhões. A Anac autorizou a reequilíbrio do valor do contrato a partir das contribuições fixas e variáveis, estas últimas dependendo do resultado de movimentação no terminal.

Na época, a Anac também adiou o pagamento de outorgas fixas e variáveis de maio no valor de R$ 10 milhões, que puderam ser pagas até 18 de dezembro do ano passado.

Recuperação do fluxo

Apesar de vir recuperando o fluxo de passageiros mês a mês, Trenk admite que o primeiro semestre ainda deve ser de movimentação bem abaixo em comparação ao período pré-pandemia. Ainda assim, ela se mantém otimista para a segunda metade do ano, quando o processo de vacinação já estiver mais avançado no Brasil e restante do mundo.

"Em 2020, nós tivemos apenas cerca de 60% do fluxo registrado em 2019. Em 2021, devemos conseguir algo parecido com a cifra daquele ano, embora ainda um pouco abaixo. Não vamos nos recuperar completamente, mas estamos dando passos largos, sobretudo quando o tráfego internacional, que está suspenso devido a restrições de diferentes países, retornar", avalia a executiva.

Assim como aconteceu em alguns segmentos como o comércio e serviços, a demanda reprimida durante a pandemia também será um fator que irá impulsionar de forma significativa o fluxo de passageiros assim que as pessoas conseguirem viajar com mais tranquilidade.

Ela ressalta que o mercado aéreo brasileiro se mostra bastante resiliente frente à crises, o que alimenta a esperança de uma recuperação rápida. "A Fraport também tem conseguido atrair novas companhias, novos destinos, e conseguimos colocar Fortaleza como um Hub nordestino. Outro ponto muito forte é que o Brasil tem hoje uma baixa relação de viagens aéreas por habitante. Então, existe um potencial enorme de crescimento do tráfego aéreo", argumenta.

Exploração de áreas comerciais

Nesta semana, a Fraport abriu seleção de empresas interessadas na exploração de áreas comerciais no Terminal com foco em alimentação. Conforme a COO, o processo faz parte da trajetória de recuperação do aeroporto ao longo deste ano, tendo em vista que o fluxo de passageiros deve crescer no decorrer do ano, gerando demanda pelo serviço.

Os quiosques disponíveis são de diversos tamanhos, podendo atender desde fast-foods a restaurantes a la carte e self-services, estão espalhados em três principais áreas do terminal: na praça de alimentação, que pode ser acessada por qualquer consumidor, e nas salas de embarque doméstico e internacional, com acesso restrito aos passageiros.

"Achamos que é uma boa oportunidade para iniciar essa divulgação. Fizemos uma remodelação no aeroporto e implantamos mais áreas comerciais. Por enquanto, essa oferta completa a demanda atual, mas obviamente, no futuro, podemos pensar em colocar mais espaços de acordo com a demanda dos passageiros", explica Trenk.

Ela detalha que a receptividade e procura por participação no processo tem sido positiva e que a Fraport está aberta para avaliar os projetos inscritos. Questionada sobre a faixa de investimentos, a executiva revela que a companhia não estabelece um valor mínimo e que a cifra varia de acordo com o tamanho da área e com o projeto pretendido.

"Em geral, os negócios nos aeroportos para alimentação são muito bons. Nós temos um fluxo contínuo e permanente de clientes, seja passageiros, acompanhantes ou funcionários. Se levarmos em conta que os voos de Fortaleza para outros destinos são relativamente longos, muitos passageiros chegam no terminal e buscam alimentação antes do voo ou quando aqui. Também temos de lembrar que as companhias aéreas não oferecem mais quase nada durante o voo", destaca.

A COO também lembra que, como as inaugurações devem ocorrer até 31 de outubro, os estabelecimentos estarão abertos justamente no período de maior retomada do fluxo de passageiros, garantindo a demanda para os novos negócios.

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