Com paralisação de poços, produção de petróleo no CE desaba 85%

Redução em 2020 foi causada pela interrupção de quatro campos marítimos explorados pela Petrobras, cuja operação deve ser retomada por empresas privadas. A estatal continua operando dois poços terrestres no Estado

Legenda: Em março, a Petrobras interrompeu a operação dos campos marítimos de Atum, Xaréu, Curimã e Espada, do Polo Ceará
Foto: Thiago Gaspar

Com a interrupção temporária da exploração de quatro campos no Ceará, em 26 de março de 2020, a produção de óleo e gás no Estado caiu cerca 85%. Em fevereiro, mês em que o Estado registrou o maior volume do ano passado, foram produzidos uma média de 5,068 mil barris por dia, caindo para 4,347 mil, em março, e recuando para 782 barris por dia, em abril. Em novembro, dado mais recente disponibilizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a média caiu para 721 barris diários.

A forte queda acompanha a execução do plano da Petrobras de se desfazer de campos maduros para priorizar a exploração do pré-sal. Ainda assim, a expectativa é de que até o segundo semestre, conforme empresas privadas assumam os campos maduros do Ceará, a produção se recupere e volte aos patamares registrados no início do ano passado, antes da pandemia.

"Esses desinvestimentos deverão ocorrer em 2021 e novas empresas devem assumir a produção desses campos, pelo menos até o início do segundo semestre. A Petrobras quer se desfazer desses ativos e as empresas privadas estão esperando o momento mais oportuno para fazerem a compra", diz Bruno Iughetti consultor na área de petróleo e gás.

Desinvestimento

Em 26 de março, a Petrobras interrompeu a operação dos campos marítimos de Atum, Xaréu, Curimã e Espada, que compõem o Polo Ceará, mantendo apenas as operações nos campos terrestres de Icapuí e Fazenda Belém. E, no início de novembro do ano passado, ela anunciou o início do processo de venda da totalidade de sua participação de seus campos em água rasa do Polo Ceará.

"Os campos localizados no Ceará já estão maduros e não são mais atrativos para a Petrobras, mas são interessantes para a iniciativa privada", diz Iughetti. "O que se espera é que quando tivermos a retomada da operação desses poços, a gente possa recuperar a produção de cerca de 7 mil barris por dia ou até ampliando essa produção, por meio de novos investimentos privados".

O Polo Ceará, em operação desde a década de 1980, fica a uma distância de 30 km da costa do Estado, em lâmina d'água entre 30 e 50 metros. A produção média em 2019 foi de 4,2 mil barris por dia. "São poços maduros que necessitam de muito investimento para manter a produção. Devido ao pouco volume, esses poços não fazem mais sentido para a Petrobras, mas podem ser rentáveis para companhias de menor porte", diz Iughetti.

Mesmo com a interrupção das operações, hoje, a Petrobras é a operadora desses campos com 100% de participação sobre os direitos de exploração e produção dos contratos de concessão.

Brasil

Ao longo de 2020, a produção nacional de petróleo também apresentou queda. Segundo a ANP, em novembro, a produção de petróleo no Brasil foi de aproximadamente 2,7 milhões de barris por dia, referentes a 271 áreas produtoras. Em dezembro, a estatal perdeu o patamar dos 2 milhões de barris de petróleo, registrando 1,980 milhão de barris diários, queda de 14,6% em relação à produção de janeiro de 2020 (2,319 milhões de barris diários).

Já a produção de gás natural fechou 2020 com uma média 89,9 milhões de metros cúbicos por dia. Assim, a participação da empresa na produção total caiu para 72,3%, contra o pico de 75,3%, de julho.

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