Cenário econômico deixa economistas pessimistas com 2020, aponta pesquisa

Mesmo apresentando um leve crescimento nas expectativas no bimestre de setembro-outubro, economistas do Ceará seguem pessimistas. Já a percepção futura para 2021 aponta um pequeno patamar de otimismo

Legenda: De acordo com o levantamento, referente ao período setembro-outubro, o índice de expectativas gerais dos economistas ficou em 85,2 pontos
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Economistas do Ceará continuam pessimistas com o cenário macroeconômico do País no bimestre de setembro e outubro, segundo aponta a pesquisa Índice de Expectativas dos Economistas (IEE). O estudo revela que desde março, o índice registra resultados pessimistas em relação à economia brasileira em decorrência da pandemia do novo coronavírus. A pesquisa  é realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE) em parceria com o Conselho Regional de Economia (Corecon-CE) e foi divulgada nesta quarta-feira (21).

De acordo com o levantamento, referente ao período setembro-outubro, o índice de expectativas gerais dos economistas ficou em 85,2 pontos, no bimestre anterior, a expectativa registrava 81,7 pontos. A pesquisa pontua de zero a 200 pontos as variáveis analisadas, o resultado abaixo de 100 pontos é configurada como uma situação de pessimismo, já acima de 100, otimismo.

O economista Ricardo Eleutério, vice-presidente do Corecon-CE, analisa que o resultado visto nesta pesquisa, aponta uma ligeira melhora das expectativas e que o resultado está progredindo de forma "lenta e gradual" para o otimismo.

"O índice vai traduzindo a dinâmica macroeconômica existente, no começo do ano estava muito ruim, a medida que foi chegando a pandemia e o isolamento social, o patamar piorou um pouco mais. No entanto, à medida que a situação foi melhorando, o comércio, que mesmo com restrições voltou a abrir, tudo isso vem mostrando uma leve indicação para o otimismo, talvez na próxima pesquisa haja mais indicadores em otimismo", pontua.

Os índices analisados pela pesquisa revelam que em relação ao momento atual, os economistas seguem na zona do pessimismo, com uma percepção do momento presente em 68,8 pontos. Já em relação ao futuro, o levantamento mostra otimismo, com resultado em 101,7 pontos.

"Os resultados da pesquisa refletem as recentes mudanças na dinâmica econômica nacional e internacional decorrentes da pandemia do novo Coronavírus", pontua o estudo.

Segmentos

Dos nove segmentos analisados pela pesquisa, seis se mantiveram em pessimismo, sendo eles: nível de emprego (98,0 pontos); taxa de juros (88,1 pontos); taxa de câmbio (77,2 pontos); gastos públicos (51,5 pontos); taxa de inflação (51,0 pontos) e salários reais (42,6 pontos).

Na ponta oposta, as variáveis cenário internacional (130,7 pontos), oferta de crédito (127,7 pontos) e a evolução do PIB (100,0 pontos) apresentaram situação de otimismo.

Eleutério ressalta que todas as expectativas analisadas são importantes para os agentes econômicos que podem gerar impacto tanto no comportamento do mercado, bem como dos consumidores.

" As expectativas são causa e consequência do comportamento da economia. Se por um lado, eu tenho boas expectativas isso pode impactar no comportamento do consumo, dos investimentos, da própria taxa de juros. Já uma expectativa baixa, pode fazer o movimento reverso, interferindo na percepção dos diversos agentes econômicos", diz.

Futuro

O vice-presidente do Corecon estima que, caso não haja uma segunda onda, as expectativas tendem a se elevar e caminhar para o otimismo e desse modo, o mercado econômico pode passar a indicar resultados mais positivos.

"Neste ano nós iremos recuperar de forma lenta e gradual a economia. Na verdade, antes da pandemia, o País já estava em um processo de recuperação econômica e já vinha se reestabelecendo de maneira lenta. Talvez em 2021, após a recuperação, nossos indicadores comecem a sinalizar resultados mais positivos", avalia.

 

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