Ceará tem maior volume de financiamentos dos últimos cinco anos

Entre janeiro e outubro de 2020 foram financiados 5.404 imóveis no Estado, que representam R$ 1,374 bilhão, segundo dados da Abecip. O valor é o maior desde 2016. Expectativa do mercado é manter a evolução

Legenda: No Ceará, em outubro deste ano, foram registrados 708 imóveis financiados, segundo a Abecip
Foto: Gustavo Pellizzon

O mercado imobiliário cearense segue aquecido mesmo durante a pandemia. E a expectativa é de manter a evolução até, pelo menos, o fim deste ano. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o volume financeiro de financiamentos imobiliários no Estado apresentou um crescimento de 32,82% em 2020, considerando o acumulado do ano frente a igual período de 2019. 

Em relação ao volume financiado, o Ceará teve o melhor resultado dos últimos cinco anos. Segundo economistas e empresários do setor, a manutenção das taxas de juros no menor patamar histórico e os resultados da economia durante a retomada da crise são as explicações para o constante crescimento.

Os dados da Abecip apontaram que, entre janeiro e outubro deste ano, o Ceará acumulou um total de R$ 1,374 bilhão em financiamentos imobiliários, o que representa uma evolução de 32,82% ante igual período do ano passado. 

O volume financeiro representa o total de 5.404 imóveis negociados nos dez primeiros meses de 2020. Já em 2019, segundo a associação, os financiamentos acumularam R$ 1,035 bilhão entre janeiro e outubro. As estatísticas também indicam uma evolução em relação ao número de unidades financiadas, já que, em 2019, foram 4.122 imóveis. 

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Segundo o levantamento da Abecip, o resultado verificado em 2020, considerando o volume financiado entre janeiro e outubro, superou o acumulado, em ordem crescente, dos anos de 2016 (R$ 1,110 bilhão), 2018 (R$ 1,067 bilhão), 2019 (R$ 1,035 bilhão) e 2017 (R$ 1,015 bilhão). 

Além do crescimento registrado entre janeiro e outubro, o décimo mês de 2020 apresentou um avanço de 31,8% dos financiamentos frente a igual mês do ano passado. Se em outubro foram registrados 708 unidades financiadas, correspondente a uma soma total de R$ 182,229 mil; no mesmo mês de 2019 foram 537 imóveis financiados pelo valor total de R$ 124,048 mil.

O resultado vem sendo comemorado pelos empresários da construção civil por apresentar resultados acima do que era esperado, considerando a paralisação do setor durante a quarentena e os impactos na economia causados pela crise do novo coronavírus. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias, as pessoas estão mais interessadas a comprar um imóvel por conta da taxa de juros nacional, que está marcada no menor patamar histórico. Atualmente, a taxa Selic, taxa básica de juros da economia brasileira está em 2% ao ano. 

“Essa notícia é superpositiva e é mais do que a gente tinha colocado como expectativa. Como as taxas de juros estão muito baixas, as pessoas estão correndo para buscar trocar ou comprar um imóvel. As pessoas estão tirando as reservas financeiras dos investimentos e buscando comprar um imóvel e isso tem impulsionado o nosso setor”, disse.

Dias ainda afirmou que há muita diversidade entre os motivos para compra do imóvel. Ele destacou as pessoas que estão comprando o primeiro apartamento ou casa própria, fazendo um investimento para contar com os recursos do aluguel, e também há os que estão buscando fazer um upgrade em relação ao imóvel atual. 

Mercado

E a expectativa é que essa evolução continue até o fim deste ano, de acordo com perspectivas apresentadas pelo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), André Montenegro. Um dos fatores que poderá influenciar a recuperação do setor da construção, segundo ele, é a esfera política, considerando que o Governo Federal poderá retirar o pagamento do auxílio emergencial em 2021. O benefício, apontou André, está dando um grande suporte à economia.

Com a retirada do auxílio, ele avalia que o Governo poderia acabar comprometendo alguns setores econômicos a pagar o déficit gerado durante a pandemia e cobra que o País encontre outras formas de financiar programas sociais. 

Além disso, por conta da pressão inflacionária, o vice-presidente da Fiec disse que alguns materiais têm ficado mais caros, como cimento e peças de aço e ferro, por exemplo. Essa movimentação poderá encarecer os próximos lançamentos da construção civil em todo o País. Pelo cenário descrito, ele defende que esse é o “melhor momento para comprar um imóvel”.

“O próximo ano ainda é uma incógnita, porque ninguém sabe como o governo vai se comportar com o déficit da pandemia e alguém vai pagar essa conta. Estamos analisando muito bem o cenário, porque isso pode sobrar para o mercado imobiliário”, destacou Montenegro.

Taxa de juros

Contudo, para o conselheiro do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon), Ricardo Eleutério, o mercado imobiliário ainda deverá ter alguns anos de condições favoráveis para crescer. 

Ele ressaltou que a taxa de juros, apesar de haver indicações na economia de que ela deverá aumentar em 2021, deverá se manter em um patamar favorável ao setor da construção civil. Ele apontou que as perspectivas do boletim Focus, do Banco Central, indicam a taxa de juros fechando em 2,75% em 2021, em 4% em 2022 e em 6% em 2023. 

Mesmo com a alta de 200% entre 2020 e 2023, Eleutério defendeu que as condições ainda estarão favoráveis em relação a outros investimentos. “O mercado de ações poderia ser uma opção, mas vem tendo quedas. O mercado imobiliário deve ser atrativo mesmo a 6%, porque ainda seria um patamar baixo no País”. 

 

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