Ceará é 2º maior consumidor de chocolate e doces do NE

No Nordeste, por ano, a média de consumo de chocolate por pessoa é de 1,1 Kg, abaixo da média nacional (2,5 Kg)

Escrito por Yohanna Pinheiro - Repórter,

Negócios
Legenda: A perspectiva é que a indústria de chocolate encerre 2016 com um crescimento de 10% em relação a 2015. As exportações também devem encerrar o ano com avanço. Somente no primeiro semestre, houve alta de 15,6%
Foto: Foto: Waleska Santiago

Seja em barra, ao leite, com castanhas ou na cobertura do bolo, o chocolate tem uma ligação forte com o cearense. Não é de se admirar, portanto, que o Estado seja o segundo maior mercado consumidor do produto no Nordeste, atrás somente da Bahia, segundo apontou Ubiracy Fonseca, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab).

Entretanto, em relação ao País, a média do Nordeste ainda é baixa. Enquanto o consumo médio nacional é de 2,5 Kg por ano por pessoa, os nordestinos consomem, em média, 1,1 Kg. "Isso se explica por conta do baixo consumo nas zonas rurais", destacou o presidente.

No País, as maiores consumidoras são a região Sul, com média de 4,4kg/ano, seguido pelas regiões metropolitanas de São Paulo (3,7kg/ano) e do Rio de Janeiro (3,4kg/ano).

"Evidentemente que as pessoas não consomem mais porque falta, em algum momento, a condição financeira. A dificuldade do desemprego, desse momento econômico é muito ruim (para o mercado), mas estamos em um processo de procurar fazer mais com menos, lançando novos produtos, adequando embalagens, um trabalho muito grande de eficácia, de efetividade, buscando realmente ter toda essa economia", pontuou.

A quatro meses da próxima Páscoa, algumas empresas produtoras de chocolate já começaram a contratar funcionários temporários para produzir os ovos e outros produtos relativos à data desde o mês passado.

"Ainda não temos números, mas algumas empresas já começaram a contratar (em novembro), outras estão se preparando para contratar em dezembro, outros em janeiro", destacou Fonseca. O setor gera, atualmente, 26 mil empregos diretos e 17 mil indiretos no Brasil.

Recuperação

Após passar um período de dificuldades, com queda na produção, o segmento segue em processo de recuperação do volume de vendas e já projeta encerrar o ano com saldo positivo.

Segundo dados da Abicab, o consumo brasileiro de chocolate cresceu 3,1% no primeiro semestre de 2016 em comparação ao mesmo período do ano passado, ainda que as vendas da Páscoa deste ano, principal data para o setor, tenham sido piores que as de 2015.

"No primeiro semestre de 2015, nós tínhamos fabricado 236 mil toneladas, e em 2016, fabricamos 246 mil toneladas", apontou o presidente. "As vendas da Páscoa deste ano não foram boas, enfrentamos muitas dificuldades porque foi no auge da discussão do impeachment. Mas o primeiro semestre ainda conseguiu se sobressair porque conseguimos melhorar depois. E a expectativa também é de crescimento para o terceiro trimestre", reforçou.

Crescimento

Na avaliação pessoal de Fonseca, a perspectiva é que a indústria de chocolate encerre 2016 com um crescimento de 10% em relação a 2015. "Estamos certos de que vamos terminar 2016 com um resultado bem melhor de volume do que em 2015, e continuamos investindo em melhoria para o futuro. O Brasil é um mercado importante em termos globais, nós estamos entre os cinco maiores produtores de chocolate do mundo", explicou.

Com o real mais barato no mercado externo, a exportação de chocolate também ganhou fôlego, com um crescimento de 15,6% no primeiro semestre do ano em relação a igual período do ano passado.

Segundo a Abicab, o País exporta o produto, atualmente, para 123 países, sendo os principais consumidores a Argentina, o Uruguai, o Paraguai, a Bolívia, o Chile, a Colômbia, a Tailândia, o Equador, o Peru e o Congo. Em termos de exportação, os produtores de amendoim conseguiram crescer ainda mais que os de chocolate. De acordo com o presidente da Abicab, foram exportados 9,5 mil toneladas do produto em 2015, frente a 6 mil toneladas no ano anterior, um crescimento de 58,3% em volume de exportação. "Estamos crescendo em torno de 2% em exportação, até junho deste ano", acrescentou Fonseca.

A explicação, segundo o presidente, seria a adoção de um selo de qualidade pelas empresas criado pela entidade que garante a ausência de flatoxina no produto, uma substância natural que é tóxica ao corpo humano.

Atualmente, o produto é exportado pelo Brasil a 38 países, sendo os principais Rússia, Argélia, Espanha, Peru, Chile, Uruguai, Venezuela, Polônia, Ucrânia e Turquia.

Outros produtos

Já em relação ao mercado de balas, gomas, chicletes e outros doces, a produção apresentou um crescimento de 0,6% no primeiro semestre deste ano frente ao mesmo período de 2015, passando de 184 mil toneladas para 185 mil toneladas.

"É um mercado estável. Por ser um produto de baixo poder aquisitivo, não é muito afetado quando a situação econômica cai, mas também não cresce muito quando o cenário é positivo".

Com o mercado interno um pouco mais restrito, as empresas procuraram exportar parte da produção, proporcionando um aumento de 13,3% nas vendas para o mercado externo.

Segundo a Abicab, os produtos são exportados a 137 países, sendo os principais consumidores os Estados Unidos, o Paraguai, a Argentina, o Uruguai, o Peru, o Congo, a Bolívia, a Colômbia, o Canadá e a Nigéria.