Busca por seguro-desemprego desacelera, mas tem alta de 14,63%

Segundo Neto Oliveira, coordenador do setor do benefício no IDT, o pico da procura pela renda aconteceu no início da pandemia do coronavírus, mas tendência é de melhora até o fim ano, com a recuperação da economia

Legenda: Fechamento do comércio impactou o mercado de trabalho, sobretudo no início da pandemia
Foto: FOTO: NATINHO RODRGIGUES

O número de pedidos de seguro-desemprego no Ceará atingiu a marca de 18.748 no mês de junho, o que representa um aumento de 14,63% em relação a igual período do ano passado, quando foram registradas 16.355 solicitações de acesso ao benefício. Contudo, se a comparação mensal revela um avanço considerável do desemprego no Estado causado pela crise do novo coronavírus, a análise semestral indica uma alta de apenas 1,91%, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT).

Neto Oliveira, coordenador do setor de seguro-desemprego no IDT, explica que vários fatores podem ter colaborado para o Estado ter apresentado um crescimento menor que o esperado para o número de pedidos do benefício. Oliveira ainda apontou que o mês de junho já apresentou um dado bem menos expressivo do que foi registrado em maio (32.935). A flutuação pode ser explicada pelo forte impacto da redução da atividade econômica nos primeiros meses da crise do coronavírus, e pelo fato de que as agências do IDT estavam fechadas em abril, gerando um demanda reprimida em maio.

Como a maior parte das demissões no Estado foi registrada no começo da crise, momento do início das medidas de controle de movimentação de pessoas, a tendência é que o número de pessoas buscando o seguro-desemprego caia ao longo desse ano, segundo pondera Neto Oliveira.

Ele também defende que as ações do Governo Federal, como a Medida Provisória que permite a redução de jornada de trabalho e salários, podem ter ajudado a reduzir as demissões no Ceará, diminuindo a busca pelo seguro.

Contudo, a precarização do mercado de trabalho e as novas relações entre empresas e funcionários têm ajudado a reduzir a procura pelo benefício. Com o aumento do número de informais e de pessoas contratadas em regimes intermitentes ou temporários, a quantidade de pessoas que pode buscar o seguro-desemprego também caiu.

Além disso, Oliveira comentou que as condições para ter direito ao benefício são, agora, "mais complicadas". "Hoje para receber o benefício na primeira solicitação é preciso ter recebido 12 meses de salário nos últimos 18 meses, antes eram apenas 6 meses. Na segunda solicitação, é preciso ter recebido 9 meses de salário nos últimos 12 meses, e somente na terceira vez é que precisa-se comprovar 6 meses de salário", disse Neto.

Estatísticas

Ao todo, em 2020, o IDT registrou 106.974 pedidos de seguro-desemprego de janeiro a junho. No mesmo período de 2019, foram 104.970.

Entre janeiro e maio desse ano, o IDT registrou uma queda de 43,17%na busca pelo benefício, sinalizando uma melhora a partir dos planos de retomada da economia cearense e as medidas de suporte do Governo Federal.

Em junho, os setores de serviços (43,21%), comércio (23,95%) e indústria (19,69%) concentraram o maior número de pedidos. Os dados do IDT também indicam que os homens, com 66% buscaram mais o seguro desemprego do que as mulheres, que representaram 34% no Ceará.