Após fala de Trump sobre possível ligação, Lula diz que 'sempre estivemos abertos ao diálogo’
Presidente destacou que governo trabalha para proteger empregos e empresas
Horas depois da fala do presidente norte-americano Donald Trump na tarde desta sexta-feira (1), sobre uma possível ligação, o presidente Lula disse que está 'aberto ao diálogo’, mas que 'rumos' do Brasil serão definidos pelos brasileiros e suas instituições.
"Sempre estivemos abertos ao diálogo. Quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições. Neste momento, estamos trabalhando para proteger a nossa economia, as empresas e nossos trabalhadores, e dar as respostas às medidas tarifárias do governo norte-americano", escreveu Lula em postagem nas redes sociais.
Veja postagem do presidente Lula
A crise diplomática e comercial entre Brasil e Estados Unidos começou após a imposição unilateral por parte do governo americano, em taxar em 50% os produtos brasileiros, e sancionar com punições financeiras o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Trump disse mais cedo, quando questionado pela repórter da TV Globo, Raquel Krähenbühl, que o líder brasileiro pode ligar para ele "quando quiser". “Ele pode falar comigo quando quiser — disse o republicano.
Perguntado sobre se a tarifa de 50% tinha contornos fora do campo comercial, ele afirmou que "as pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada". Na mesma resposta, Trump disse que "ama o povo do Brasil". “Vamos ver o que acontece”, afirmou.
Tarifaço começa semana que vem
Na quarta-feira (30), Trump assinou uma ordem executiva adicionando uma tarifa de 40% sobre o Brasil, que se soma aos 10% anunciados em abril e eleva o total da tarifa para 50%. Anteriormente prevista para entrar em vigor nesta sexta, o decreto adiou a implementação para 6 de agosto, quarta-feira da semana que vem.
Entretanto, uma série de exceções foram retiradas da taxação extra. No decreto assinado pelo líder norte-americano, quase 700 itens — entre os 4 mil itens que o Brasil exporta para os EUA — não sofreram alteração com essa tarifa adicional de 40%.
Entre os produtos exportados estão aviões da Embraer, peças aeronáuticas (como turbinas, pneus e motores), suco de laranja, castanhas, vários insumos de madeira, celulose, ferro-gusa, minério de ferro, equipamentos elétricos e petróleo.
Entretanto, produtos como café, cacau, carne e frutas, alguns dos principais itens da pauta de exportação brasileira, não estão na lista de exceções e devem ser tarifados.