'Generosidade nos qualifica para sermos melhores': as histórias de quem se dedica a fazer o bem

Médica, desenvolvedor de software e produtor de audiovisual contam como se tornaram voluntários de uma organização internacional filosófica

Legenda: As duas unidades da Nova Acrópole em Fortaleza contam com cerca de 70 voluntários
Foto: Divulgação

Estimular ações altruístas que visam ajudar o próximo de alguma forma, seja doando alimentos, ou mesmo difundindo o conhecimento para o desenvolvimento das pessoas, é uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo em que ações solidárias melhoram o mundo ao nosso redor, também transformam para melhor os próprios agentes que as realizam

Este é o objetivo, por exemplo, da Nova Acrópole, uma organização internacional filosófica, cujo trabalho é pautado em atividades voluntárias há 64 anos e tem como propósito “desenvolver o melhor da natureza humana, por meio da Filosofia, da Cultura e do voluntariado”.

Ao todo, a instituição congrega 40.691 voluntários em 50 países. Nas duas unidades da Nova Acrópole em Fortaleza, são cerca de 70 pessoas. Conheça histórias de quem decidiu trabalhar altruisticamente em prol de melhorar o mundo e a si mesmo.  

Desde 2017, a ginecologista e obstetra Maria Celestina Sabino de Oliveira, 59, vem revezando a rotina de trabalho como médica com o voluntariado na unidade da Nova Acrópole, no bairro Dionísio Torres.  

Nascida na localidade de Poços, no município de Guaiúba, testemunhou desde a infância o esforço do pai para que ela pudesse concluir os estudos. E o faz valer, tornando-se a primeira da família a entrar em uma universidade.  

Graças à formatura, percorreu novos caminhos, até conhecer a Filosofia. O interesse pela área de conhecimento a levou ao Curso de filosofia Prática da Nova Acrópole. 

Legenda: À direita, Maria Celestina concilia a Medicina com o voluntariado na Nova Acrópole de Fortaleza
Foto: Divulgação
 

Além de ser adaptado para mais de 30 línguas, o curso não faz distinção de idade, condição social, posição política ou religiosa, beneficiando milhares de pessoas que, como Maria Celestina, buscam conhecer-se, desenvolver-se e contribuir com a criação de um mundo melhor. 

“Após o falecimento do meu pai, lembrei da Nova Acrópole e me matriculei em 2016. Quando vi que tudo era feito dentro da escola por meus professores e outros alunos, quis fazer parte e perguntei como. Desde então, venho retribuindo e contribuindo para essa forma tão bela e simples de ver e estar na vida”. 

"Ajudar o pensamento"

Maria Celestina desempenha múltiplas tarefas na organização. Atua como professora de filosofia, como recepcionista, realiza atividades na cozinha, na limpeza, na marcenaria, na manutenção geral da unidade e ainda atende como médica, dando suporte aos alunos e familiares.  

Apesar de já ter se voluntariado em outras ocasiões e lugares, a médica “sentia falta de algo com um sentido mais profundo, de não apenas ajudar em coisas, mas ajudar também o pensamento”. E encontrou na Nova Acrópole.  

Desenvolvedor de software, Gabriel Vidal Gondim, 22, foi estudante de Filosofia da organização aos 14 anos. Há praticamente três passou a integrar a euipe, motivado pelo exemplo. 

Legenda: Aos 22 anos, Gabriel é professor voluntário da turma de adultos na Nova Acrópole
Foto: Divulgação

“Quando vi que as próprias pessoas e professores eram quem organizavam a escola, davam aulas, recepcionavam os alunos e praticavam aquelas ideias que falavam em sala de aula, percebi mais do que a teoria, tinha algo de diferente e prático. Então, quando completei 18 anos, fui para turma de adultos, e, à medida que fui tendo as aulas, fui ajudando mais no voluntariado”.  

Hoje, Gabriel é professor da turma de adultos na Nova Acrópole, local onde diz ter encontrado “as respostas para a vida”. Lá, ainda ajuda na recepção dos novos alunos e participa das oficinas de arte e das atividades com os jovens.   

“Quando dedicamos um pouquinho de tempo para o voluntariado, acaba que ajudamos tanto ao que estamos servindo, como a nós mesmos. Naturalmente vai surgindo e despertando em nós as ideias da bondade, altruísmo e pequenas convicções e respostas valorosas para a vida”, acrescenta. 

Natural de Brasília, o produtor de audiovisual Leandro Botelho Aguiar já dedicou mais da metade dos seus 41 anos de vida ao trabalho na instituição. Hoje, além de dar aulas de Filosofia à maneira clássica, também realiza atividades de manutenção da unidade em Fortaleza, acompanhando os alunos individualmente. 

Legenda: Leandro Botelho é voluntário da organização internacional há quase 25 anos
Foto: Divulgação

Vida e humanidade

Após abrir em Manaus uma unidade da Nova Acrópole, Leandro se mudou para a Capital cearense, onde vive há cerca de 8 anos. A motivação para ser voluntário há quase 25 anos se deve à percepção de unidade da iniciativa com a vida e a humanidade. 

“Ao fazer o curso e conhecer melhor meus professores, percebi que eram pessoas de muito boa vontade e que o trabalho era focado em criar condições para outras pessoas poderem refletir sobre os grandes ideais que foram concebidos e explicados pelas várias concepções filosóficas da Humanidade. Por isso, comecei a ajudar como voluntário”.  

Conforme o professor, sua maior satisfação nessa missão é ter a possibilidade de transmitir para outras pessoas ideias que podem ajudá-las a viver com mais consciência. 

“Às vezes, pensamos que, ao fazer voluntariado, estamos tirando tempo e atenção das pessoas que estão próximas de nós para dar a outras pessoas. Eu penso que o voluntariado feito com generosidade nos qualifica para sermos melhores, e esse benefício acaba retornando para todos os que estão ao nosso redor”, diz. 

“Cada um tem o seu tempo de enxergar as necessidades dos demais, não adianta ‘forçar’, pois senão acabará por perder o ânimo e cairá na mecanicidade. Mas que cada um procure dentro de si mesmo o mundo que deseja viver, onde todos estejam bem. E se você conseguir imaginar isso, que erga as mangas e trabalhe para que possa surgir. Comece por você mesmo”, sugere Maria Celestina. 

Sobre a Nova Acrópole 

Por meio da atuação de voluntários iniciada em 1957, na Argentina, nasceu a Organização Internacional Nova Acrópole, que se dedica ao ensino de filosofia à maneira clássica em dezenas de países. 

A Nova Acrópole no Brasil possui status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas e apoia os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em particular o Objetivo 4, que trata da Educação de Qualidade; o Objetivo 16, que trata da Paz, Justiça e Instituições Eficazes; e o Objetivo 17, que trata de Parcerias e Meios de Implementação. 

A organização internacional filosófica promove ações humanitárias, ecológicas, projetos sociais e educativos.  Conforme a própria instituição, ela trabalha para melhorar o mundo e o ser humano por meio da Filosofia Aplicada: uma proposta que busca oferecer respostas aos problemas contemporâneos.  

O curso de filosofia ajuda a pessoa a conduzir melhor a si mesma a partir de uma compreensão mais profunda sobre o ser humano e as leis da natureza. Interessados em mais informações podem acessar o site da Nova Acrópole. 

 

 

 

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