Quando o assunto é filme de ação, 'Exterminador do Futuro 2' continua imbatível

Superprodução dos anos 1990 reinventou o cinema de seu tempo e, 30 anos depois, continua uma referência no ramo do entretenimento

A criança John Connor e a improvável paterna pela máquina
Legenda: A criança John Connor e a improvável afeição paterna pela máquina

Um austríaco em ascensão na concorrida Hollywood. Um diretor às voltas com o orçamento estourado. A atriz que segurou a onda após um acidente no set de filmagem. A trilha-sonora feita especialmente por astros do rock. O ator que morava no carro antes de ter a grande chance da carreira.

Incontáveis fatores e situações fizeram de  "O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final"  o grande sucesso de bilheteria dos anos 1990. Tendo Arnold Schwarzenegger no auge, o diretor James Cameron criou uma das mais celebradas continuações do cinema. Uma aula de como dosar ação, narrativa e espertos efeitos especiais.

Com o caixa aproximado dos US$ 102 milhões, a ficção científica estreou em julho de 1991 com a fama de “filme mais caro de todos os tempos”. Para se ter uma noção, sete anos antes, Cameron fez "Exterminador do Futuro" (1984) com US$ 6 milhões no bolso.

São cifras bem distantes da atual realidade.“Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas” (2011), por exemplo, custou US$ 410 milhões. "Este filme gastou o que foi preciso ser gasto, mas também vai fazer o dinheiro que deve", defendeu o diretor em entrevista à jornalista Ana Maria Bahiana.

A profecia se fez valer. O segundo capítulo da franquia arrecadou quatro vezes mais. A dita indústria cinematográfica jamais foi a mesma a partir dali. 

Diretor safo

Se James Cameron ficou reconhecido pelas megaproduções, vale lembrar que nem sempre foi assim. Cameron foi talhado na escola Roger Corman de fazer cinema. Ou seja, é preciso ser criativo quando o dinheiro é apertado. Antes de estrear na direção, com "Piranhas 2: Assassinas Voadoras", trabalhou no setor de arte de filmes como "Mercenários das Galáxias" (1980) e "Fuga de Nova York" (1981). 

T-800 revelando o exosqueleto
Legenda: T-800 revelando o exosqueleto

A oportunidade de fazer o primeiro "Exterminador" abriu as portas do mercado. Em seguida, vieram "Aliens: O Resgate" (1986) e "O Segredo do Abismo" (1988). Estes dois trabalhos foram significantes às ambições do realizador e ajudaram a formatar, mais na frente, a força de "O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final". 

Se "O Segredo do Abismo" foi mal das pernas de público, foi a experiência necessária para criar os efeitos especiais de T2. Especialmente, as famosas cenas de metal líquido com o vilão T-1000 (Robert Patrick). A parceria com a Industrial Light & Magic (ILM) foi vitoriosa e rendeu premiação de "Efeitos Visuais" no Oscar.  

A guerreira 

Outra ideia bem encaixada foi a mudança no perfil da personagem Sarah Connor (Linda Hamilton). Algo que Cameron já havia estabelecido em "Aliens: O Resgate". Na sua versão, a protagonista Ripley (Sigourney Weaver) tem outra postura e assume a linha de frente do combate. 

Sarah Connor é outra mulher em T2
Legenda: Sarah Connor é outra mulher em T2

Diferente da "donzela em perigo" do primeiro filme, Sarah tornou-se uma guerrilheira implacável na sequência. A escolha rendeu profundidade à personagem e exigiu carga máxima da atriz. Recentemente, Linda Hamilton explicou que por conta de T2 ainda tem sequelas de audição. Ela não usava protetor auricular durante uma cena de tiroteio. 

Mesmo com o destaque na trama, Sarah não retornou em "O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas" (2003) e "O Exterminador do Futuro: A Salvação" (2009). Houveram duas tentativas de resgatar o espírito da guerreira.

Primeiro veio a série de TV "O Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor" (2008-2009) e a atriz Lena Headey (a Cersei Lannister de Game of Thrones) foi escalada na produção que contou apenas com duas temporadas.

Lena Headey, Emilia Clarke e Linda Hamilton
Legenda: Lena Headey, Emilia Clarke e Linda Hamilton

Curiosamente, outra estrela de GOT tentaria reviver o legado. Emilia Clarke (a Daenerys Targaryen) assumiu a responsabilidade em "O Exterminador do Futuro: Gênesis". Porém, pouco ou quase nada se aproveita desse filme.

Em 2019, "O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio" estreou cheio de expectativas. 28 anos depois, Linda Hamilton retornaria ao papel mais importante de sua jornada. Infelizmente, a oportunidade foi perdida com uma produção abaixo da crítica.

Desperdício de bala 

Criador da trilha de 1984, o compositor Brad Fiedel soube capturar o clima barra pesada da trama. Um mundo pós-apocalíptico dominado por máquinas assassinas. Com semelhante êxito, o autor conseguiu reinventar o material original e fez outro elogiado trabalho no segundo capítulo da franquia. 

Mas, no quesito música, foi a parceria de “O Exterminador do Futuro 2” com o Guns N’ Roses que deu o que falar. "You Could Be Mine" ganhou destaque no enredo. É tocada na primeira aparição de John Connor (Edward Furlong) e se encaixou bem na construção do perfil do personagem.  

Em 1991, o Guns N’ Roses lotava estádios e estava prestes a lançar os álbuns “Use Your Illusion I e II”. Ter a banda mais cortejada do mercado fonográfico no projeto era interesse dos produtores. Para convencer os músicos, até exibição privada com elenco e James Cameron aconteceu. 

Turma do Guns N' Roses presente
Legenda: Turma do Guns N' Roses presente

“You Could Be Mine” não foi escrita para o filme, porém resultou em uma positiva experiência multimídia para ambos. Axl e sua turma aproveitaram uma sobra de “Appetite For Destruction” e emplacaram um “clássico” da banda. 

Já T2 se beneficiou com a feroz divulgação. O clipe da canção não parava de ser exibido na MTV e trazia cenas do filme e participação de Schwarzenegger. Ele surge no final para “exterminar” a banda. No entanto, ao avaliar cada integrante, o robô desiste. “Desperdício de bala”, avalia o T-800. 

Malvado preferido 

Voltar ao papel do ciborgue matador era um dilema para Schwarza. Diferente de 1984, o austríaco curtia o auge da carreira e voltar a ser vilão não cairia nada bem. Querendo afastar o estilo brucutu do passado, o ator chegou a investir no ramo das comédias. Casos de "Irmãos Gêmeos" (1988) e "Um Tira no Jardim de Infância" (1990). 

Cameron encontrou a solução perfeita. Dessa vez, o T-800 viria do futuro programado para proteger Connor. Resolvida a questão, outra dor de cabeça ficaria na escolha do oponente. Quem assumisse o papel de T-1000 precisaria ser ameaçador suficiente para fazer Schwarzenegger tremer. 

Robert Patrick: De filmes B nas Filipinas para o ameaçador T 1000
Legenda: Robert Patrick: De filmes B nas Filipinas para o ameaçador T 1000

Diferente do famoso colega de set, Robert Patrick corria para fazer seu nome. Anos depois, o ator confessou que morava no carro antes de estrelar "O Exterminador do Futuro 2”. Até então, seu trabalho mais conhecido tinha sido uma ponta em “Duro de Matar 2” (1990). 

T2 não foi a primeira ficção científica em que Patrick atuou. O começo profissional do ator envolve um personagem já citado na matéria: Roger Corman. A convite do produtor, ele foi às Filipinas rodar produções de baixo orçamento com o diretor Cirio H. Santiago (1936–2008). 

Primeiro foi “Warlords From Hell” (1987). Do mesmo ano saíram "Future Hunters", "Eye of the Eagle", "Killer Instinct" e “Equalizer 2000 - O Dominador do Futuro”. Este último, um Mad Max terceira divisão.  

“Roger Corman foi a primeira pessoa que me contratou e me colocou na frente de uma câmera. Muitas pessoas influentes na indústria começaram em suas produções, incluindo Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e James Cameron”, disse em entrevista ao site filipino Daily Inquirer.

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