Objetos pessoais de Hebe Camargo compõem figurino da série 'Hebe' que estreia dia (30) na TV Globo

O acervo de roupas, sapatos e acessórios originais da apresentadora, pode ser visto nos episódios que irão ao ar às quintas-feiras, após ‘Fina Estampa’

Imagem: Globo/Fábio Rocha
Legenda: As joias que aparecem na série são réplicas dos modelos originais usados por Hebe Camargo
Foto: Globo/Fábio Rocha

A série 'Hebe' estreia na TV Globo dia 30 de julho. Os demais episódios irão ao ar sempre às quintas-feiras, após ‘Fina Estampa’. Para apresentar  a  trajetória de Hebe Camargo, marcada por momentos importantes da cantora e apresentadora, à frente e longe dos holofotes, as equipes de direção de arte, figurino e caracterização da série tiveram acesso a objetos pessoais, roupas, sapatos e acessórios originais da artista guardados até hoje em sua casa no Morumbi, São Paulo. 

Criada e escrita por Carolina Kotscho, a série protagonizada pelas atrizes Andrea Beltrão e Valentina Herszage (Hebe jovem), tem na direção artística Maurício Farias e direção de Maria Clara Abreu. Os bastidores da série ganham o primeiro plano, em uma linguagem que transporta o espectador para trás das câmeras – tudo acontece frente aos olhos do público – e a narrativa segue sem se preocupar com a cronologia, em uma costura de memórias feita pela própria protagonista.

Nas gravações, original Globoplay, o maior desafio encarado pela diretora de arte Luciane Nicolino foi retratar a passagem não-linear de tempo por meio dos ambientes nos quais a apresentadora transitava e de tudo o que fazia parte deles.

“Precisávamos remeter o público a determinadas décadas de forma que ele entendesse as épocas em que tudo aconteceu. Fizemos, então, uma tirinha de como era a percepção das cores ao longo dessas décadas para criar uma paleta e um filtro específicos para cada uma delas”, explica Luciane.

 Além da paleta de cores e dos filtros criados, as casas em que a apresentadora viveu desde que sua família se mudou para São Paulo ajudam a ilustrar as diferentes épocas retratadas na série. Elas aparecem durante todos os episódios e foram filmadas em variadas locações. Dentre elas, a casa real para a qual a artista se mudou com o marido Lélio Ravagnani (Marco Ricca) e onde faleceu, até hoje mantida por seu sobrinho Claudio Pessutti, no bairro do Morumbi, em São Paulo. 

Imagem: Globo/Fábio Rocha
Legenda: Os anos 40 formam a fase mais pobre de Hebe. Para montar a personagem dos anos 60 e 70, foram usadas peças de brechó e roupa contemporâneas levadas para épocas anteriores
Foto: Globo/Fábio Rocha

 A ambientação dos espaços, produzida a partir  de uma infinidade de objetos de antiquários e lojas de aluguel existentes em São Paulo, conta com um acervo especial: os itens pessoais de Hebe, preservados em sua casa, que agregaram muito à história. “Ela tem um acervo espetacular da vida inteira – todos os prêmios que ganhou, desde a época do rádio, fotos, álbuns, os presentes... Claudio Pessutti, muito generosamente, nos cedeu móveis, roupas, sapatos e vários outros objetos”, revela Luciane Nicolino .

No caso dos cenários de estúdio de televisão onde Hebe trabalhou (SBT, Record e Bandeirantes) foram refeitos em teatros, forma como originalmente os programas de TV eram gravados na época.

O guarda-roupas de Hebe Camargo também foi explorado pelas equipes de figurino e caracterização que precisavam retratar o avanço do tempo em décadas por meio do estilo adotado pela artista. O figurinista Antonio Medeiros  tive acesso a todas as roupas, sapatos, bolsas e acessórios reais de Hebe, guardados até hoje em sua casa do Morumbi. Tudo usado para compor mais de 100 looks desde a década de 1980 até o final da vida da apresentadora. 

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 “A grande maioria das peças serviu perfeitamente ao corpo da Andrea Beltrão. Foram raríssimas as vezes em que eu tive que fazer algum ajuste. E como para a fase de 2000 a 2012, em que a Hebe está mais velha, queríamos deixar a Andrea menos moldada e menos escultural, optamos por deixar as roupas exatamente como elas caíam”, afirma Antonio.

Para montar o personagem nas fases mais críticas da vida da artista, a equipe apostou na pesquisa e na criatividade: “Os anos 40 formam a fase mais pobre dela, ainda muito garota. Estudamos o que era comum no interior de São Paulo e brincamos com algumas peças. Para os anos 60 e 70, foram usadas muitas peças de brechó e também muita roupa contemporânea levada para épocas anteriores”, pontua o figurinista. 

Já as joias que aparecem na série são réplicas dos modelos originais usados por Hebe. “É claro que é impossível ter os tamanhos e as proporções exatas porque é tudo muito grande. O coração de esmeralda que ela usava deve ter uns seis centímetros de diâmetro, todo cravejado de diamantes. Hoje, parece absurdo imaginar uma pessoa usando uma esmeralda assim. Mas a Hebe se dava esses presentes e isso era algo muito particular dela”, destaca Antonio.

 A produção da caracterização de 'Hebe' assinada Simone Batata evidencia detalhes das fisionomias de cada personagem, a exemplo das atrizes Valentina Herszage e Andrea Beltrão, a especialista se dedicou a pesquisa: “A gente estudou as próprias coisas da Hebe, em seu acervo de fotos e reportagens que ainda estão em sua casa. Bebemos na fonte, num acesso muito privilegiado”.

Simone e sua equipe usaram muitas perucas. “A Hebe foi ficando loira e afinado a sobrancelha para a televisão. Ela tinha sua vaidade, mas foi moldando suas mudanças pelo o que percebia necessário fazer para o seu público”, descreve. 

 Mantendo a originalidade, o jogo de cores usado na maquiagem marca as décadas retratadas na trama: “Muita cor nos anos 60, quando se usava mais verde e azul. Nos anos 50, tons secos com mais delineador. Nos anos 80, aquela loucura: muita maquiagem! A Hebe era muito mais ligada ao cabelo do que à maquiagem; ela tinha muito cabelo e brincava com ele de várias formas”, detalha a caracterizadora.

Já na fase final da vida da apresentadora, o objetivo foi justamente deixar alguns aspectos bastante aparentes, como a peruca que Hebe usou quando perdeu cabelo em função da doença que levou a sua morte.