Cláudia Abreu relembra visita a João de Deus: “Poderia ter sido vítima”

A atriz falou sobre idas à casa Dom Inácio de Loyola e fez desabafo no Instagram a respeito das denúncias contra o médium

A atriz Cláudia Abreu aumentou o coro de celebridades que protestaram contra o médium João de Deus, acusado de abuso sexual por centenas de mulheres nas últimas semanas. "Sempre fui arredia às redes sociais, mas não posso deixar de falar sobre assédio", afirmou nesta quarta-feira (26). 

Cláudia postou em sua conta no Instagram que já esteve duas vezes na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), onde o médium faz os atendimentos, e afirma que sempre foi bem tratada, tendo sido convidada para segurar os instrumentos das cirurgias diante de uma multidão, o que acabou fazendo a contragosto. 

"Lá ficávamos todos vulneráveis. Ao mesmo tempo, isso me obrigava a legitimar alguém que eu mal conhecia", disse.

Refletindo sobre esse meu desconforto, pensei nas inúmeras mulheres fragilizadas que foram convidadas a ir pra uma sala fechada e também foram obrigadas a fazer algo que não queriam

A atriz avalia que poderia ter recebido outro tratamento se não fosse conhecida. "Levei minha filha, então com treze anos, e não me canso de pensar que poderíamos ter sido vítimas também, caso eu não fosse conhecida. Isso me estarreceu. Porque isso toca num lugar muito mais profundo, que é a descrença no ser humano, na bondade, na caridade."

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Nem sei por onde começar. Sempre fui arredia às redes sociais, não tenho o hábito de postar muito sobre a minha vida cotidiana, nem de me posicionar sobre tudo a todo momento. Mas não posso deixar de falar sobre assédio. Demorei um tempo pra digerir a decepção que tive com João de Deus. Fui à Abadiânia duas vezes, fui bem recebida por ele, por sua família e sua equipe. Nunca fui totalmente crédula, mas como presenciei cirurgias feitas diante de todos, com cortes feitos na hora e sem dor, foi difícil não acreditar em algum poder mediúnico. Mesmo assim, é preciso estar sempre alerta aos sinais da sua intuição. Pessoas famosas eram sempre chamadas pra segurar os instrumentos das cirurgias diante de uma multidão. Fui convidada duas vezes e fui contrariada, pois era delicado dizer não. Lá ficávamos todos vulneráveis. Ao mesmo tempo, isso me obrigava a legitimar alguém que eu mal conhecia. Refletindo sobre esse meu desconforto, pensei nas inúmeras mulheres fragilizadas que foram convidadas a ir pra uma sala fechada e também foram obrigadas a fazer algo que não queriam. Levei minha filha, então com treze anos, e não me canso de pensar que poderíamos ter sido vítimas também, caso eu não fosse conhecida. Isso me estarreceu. Porque isso toca num lugar muito mais profundo, que é a descrença no ser humano, na bondade, na caridade. Muito triste.

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Casos de abuso sexual 

As denúncias contra João de Deus ganharam força no dia 7 de dezembro, quando o programa Conversa com Bial mostrou entrevistas com mulheres que afirmam terem sido abusadas durante consulta com o médium. Depois da exibição, outras vítimas se apresentaram, o que levou a prisão dele no último dia 16

O médium nega todas as acusações. Antes de se entregar à polícia, ele afirmou, durante uma de suas poucas aparições após as denúncias que "quer cumprir a lei brasileira". "Ainda sou irmão de Deus. Quero cumprir a lei brasileira. Estou nas mãos da lei. João de Deus ainda está vivo", afirmou a fiéis.

 

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