Mulher revela últimas mensagens de policial morto no RJ

Militar conversou com a esposa enquanto atuava em operação contra o CV.

Escrito por
Carol Melo carolina.melo@svm.com.br
(Atualizado às 09:40)
Imagem mostra selfie do 3º sargento do Bope Heber Carvalho da Fonseca, morto em megaoperação no Rio de Janeiro, sorrindo ao lado da esposa, a gerente de vendas Jéssica Araújo.
Legenda: Agente de segurança tentou acalmar companheira em última conversa.
Foto: Reprodução/Redes Sociais.

"Continua orando", escreveu o 3º sargento do Bope Heber Carvalho da Fonseca na última mensagem enviada à esposa antes de morrer, na terça-feira (28), durante a megaoperação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro. 

O militar foi um dos quatro agentes de seguranças falecidos na ação, que visava combater a atuação da facção Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha.

O texto foi revelado pela viúva, a gerente de vendas Jéssica Araújo, em print nas redes sociais, e mostra a última conversa do casal antes de Heber ser morto. 

Última conversa com a mulher

"Você está bem?", envia a esposa às 10h10 de terça. "Deus está te cobrindo. Estou orando por você", completa em seguida. 

"Estou bem. Continua orando", responde o policial às 10h57. 

"Te amo. Cuidado pelo amor de Deus. Muitos baleados", escreve Jéssica. 

"Amor, me dá sinal de vida sempre que puder", pede ela cerca de 1 hora e meia após a última resposta do agente. A partir das 13h33, Jéssica faz diversas ligações para o marido, mas não é atendida.

"E você não falou mais. E agora, o que vou falar para a Sofia?", escreveu a gerente de vendas em referência a filha do casal.

Imagem mostra última troca de mensagens entre mulher e sargento do Bope morto em operação no RJ, feita durante o confronto.
Legenda: É possível notar o nível de aflição da esposa se elevando com a falta de resposta do policial.
Foto: Reprodução.

Policial morreu no mês do aniversário da filha 

Heber faleceu no mês em que a filha faz aniversário. Segundo a viúva do agente, a partida dele marca a data para sempre.  

"Outubro, mês do aniversário da minha filha, e para o resto da vida ela vai lembrar do paizinho dela."
Jéssica Araújo
Esposa de policial morto no RJ

Veja também

Policial sabia que poderia falecer em serviço

Devido ao perigo envolvido na função que exercia no Bope, e por acompanhar o falecimento frequente de colegas, a companheira relatou, nessa quarta-feira (29), que o marido sabia que poderia morrer em serviço.

"Ele dizia que tinha uma senha em suas mãos, toda vez que perdia um colega. Que se um dia que acontecesse com ele, iria fazendo o que mais amava. E a gente nunca acredita, [mas] esse dia chegou. Não consigo explicar essa dor", escreveu ao publicar uma foto ao lado do companheiro e dos dois filhos.

Segundo o Bope, ele faleceu durante confronto no Complexo do Alemão. "O Sargento Heber dedicou sua vida ao cumprimento do dever e deixa um legado de coragem, lealdade e compromisso com a missão policial militar. Sua ausência será sentida por todos que tiveram a honra de conhecê-lo."

Honrou farda até o fim 

Segundo Jéssica, o marido enalteceu a função que exercia até falecer. "60, 1.000 vagabundos, não faz diferença perto da vida do meu marido que honrou a farda até o último instante", desabafou. 

"Hoje será um dia muito difícil, a ficha ainda não caiu. Te amamos para sempre, Be."
Jéssica Araújo
Esposa de policial morto no RJ

Ainda nas redes sociais, a viúva disse que Heber sempre será seu amor e herói

Colagem mostra imagens de Jéssica Araújo ao lado do marido Heber Carvalho da Fonseca, terceiro sargento Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), durante cerimônias oficiais do Bope. Agente é um dos mortos em operação deflagrada contra o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro em 28 de outubro de 2025.
Legenda: Viúva disse que marido morreu fazendo o que amava.
Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Assuntos Relacionados