Jornalista Diogo Mainardi diz que Prevent Senior tentou ocultar que morte de pai foi por Covid-19

O publicitário, jornalista e escritor Enio Mainardi faleceu em agosto de 2020, aos 85 anos, por complicações da doença

Enio Mainardi
Legenda: O filho do comunicador comparou as circunstâncias da morte do pai com a de Regina Hang e com a do médico Anthony Wong.
Foto: reprodução

O jornalista Diogo Mainardi, de 59 anos, acusou a operadora de saúde Prevent Senior de tentar ocultar a causa da morte do pai, o também jornalista, publicitário e escritor Enio Mainardi, que faleceu em agosto de 2020, aos 85 anos, por complicações da Covid-19.

Em uma coluna publicada na revista Crusoé, na última sexta-feira (24), o comunicador comparou as circunstâncias da morte do pai com a da mãe do empresário Luciano Hang, Regina Hang, e com o médico Anthony Wong, ambos faleceram em decorrência de complicações da doença causadas pelo coronavírus, mas nas declarações de óbito essa informação foi ocultada

Segundo documentos que estão com a CPI da Covid, e aos quais a GloboNews teve acesso, indicam que Wong e Hang tiveram os prontuários médicos alterados pela Prevent. 

"Assim como meu pai, eles morreram de Covid. Assim como meu pai, eles estavam internados no hospital Sancta Maggiore. Assim como meu pai, houve a tentativa de ocultar a causa de suas mortes", escreveu Mainardi.

Em nota, a Prevent Senior informou que "reafirma nunca ter escondido ou subnotificado óbitos".

Envolvimento de Nise Yamaguchi

Na publicação, o jornalista ainda afirmou que a médica Nise Yamaguchi, investigada na CPI da Covid como integrante do suposto gabinete paralelo, esteve envolvida na tentativa de mascarar a morte de Enio Mainardi. 

"Quando anunciei sua morte, os bolsonaristas abarrotaram as redes sociais com mentiras, negando que ele houvesse morrido de Covid. Nise Yamaguchi, a principal animadora do gabinete paralelo do Ministério da Saúde, encarregou-se pessoalmente de espalhar falsidade sobre ele em grupos de WhatsApp", afirmou.

"Na véspera de sua morte, conversei com a médica que o atendia na UTI. Ela disse que o vírus havia atingido seu rim (ele só tinha um). Ela disse também que, com toda a probabilidade, meu pai havia sido infectado no próprio hospital, depois de ser internado com uma pneumonia”, completou.

O comunicador ainda explicou que não mencionou o assunto antes para evitar que o nome do pai "fosse novamente conspurcado pelos bolsonaristas, que o usaram para acobertar seus crimes". 

“É preciso intervir judicialmente na Prevent Senior, afastando sua diretoria. É claro, porém, que essas duas fraudes refletem algo ainda mais pavoroso: a perversão assassina que acometeu o Brasil durante a epidemia, em que a insanidade bolsonarista foi manobrada por um bando de quadrilheiros, a fim de ocultar 600 mil mortes na vala comum da idiotice e da barbárie. O dever de todos aqueles que, como eu, perderam seus afetos para o vírus é revirar seus cadáveres e trancar os criminosos na cadeia", escreveu.

Operadora admite alterações

O diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, admitiu que a operadora de saúde alterou fichas de pacientes internados em hospitais da rede para retirar o registro de Covid-19, inserindo outra doença no lugar. A declaração foi dada à CPI da Covid, que investiga a conduta da operadora de plano de saúde. Senadores acusaram o executivo de ter confessado um crime. Seis médicos consultados pelo Estadão disseram que essa prática de trocar o Código Internacional da Doença (CID) "jamais" poderia ocorrer.

A empresa se tornou alvo da CPI após médicos denunciarem que a rede se tornou uma espécie de "laboratório" para testar a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento da covid, tese defendida pelo governo federal. Um dossiê elaborado por ex-funcionário da Prevent Senior, entregue à CPI, apontou inclusive atestados de óbitos fraudados de forma a omitir mortes pela doença.

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