Bar no RJ é multado ao exibir placa dizendo que americanos e israelenses não são bem-vindos

Procon afirma que conduta configura prática abusiva e discriminatória.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Na imagem, fotografia em plano médio mostrando as costas de um fiscal vestindo um colete azul claro com a inscrição
Legenda: Bar Partisan se define como um 'ambiente antifascista'.
Foto: José Bismarck/Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro.

Um bar da Lapa, região central do Rio de Janeiro, foi multado pelo Procon nesse sábado (4) por exibir uma placa, escrita em inglês, na qual afirma que americanos e israelenses não são bem-vindos no estabelecimento. 

Conforme o uol, o Bar Partisan se define como um "ambiente antifascista". A multa aplicada foi de R$ 9.520. 

De acordo com o Procon, a afirmação na placa caracteriza prática abusiva e discriminatória, algo vedado pelo Código de Defesa do Consumidor, "que proíbe qualquer forma de recusa de atendimento sem justificativa legítima, bem como práticas que coloquem o consumidor em situação de constrangimento ou discriminação".

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Em nota, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor destacou que estabelecimentos comerciais devem garantir tratamento igualitário ao público, independentemente de origem ou nacionalidade. “Relações de consumo devem ser pautadas pelo respeito à dignidade”, informou, em comunicado, segundo o jornal O Globo.

Também informou que as relações de consumo devem ser pautadas pela boa-fé, transparência e respeito à dignidade, sendo "inadmissível qualquer tipo de distinção baseada em origem, nacionalidade ou critérios similares"

Países mencionados na placa estão em guerra

Israel e Estados Unidos são aliados no conflito contra o Irã, bem como na guerra em Gaza.

Nas redes sociais, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) publicou que estava em articulação com as autoridades competentes. "Reafirmamos nosso compromisso inegociável com o combate a qualquer forma de discriminação".

Por sua vez, "Partisanos", em alusão ao nome do bar, eram guerrilheiros, muitos deles judeus, que combateram o nazismo na Europa durante a Segunda Guerra, segundo a Gazeta do Povo.

Além de bar, o espaço funciona como livraria, cineclube e centro de debates políticos. Uma das postagens convida o público a conhecer o acervo literário.

Caso não é isolado

Na mesma semana, outro caso semelhante aconteceu também no Rio de Janeiro. Igualmente conforme a Gazeta do Povo, uma cliente relatou ter ouvido de um funcionário da delicatessen Delly Gil, no bairro do Leblon, que o lugar havia parado de vender itens da culinária judaica porque o dono estava "cansado dos judeus".

A Fierj notificou extrajudicialmente a loja e acompanhará a testemunha à Delegacia de Crimes Raciais

Curiosamente, os dois casos ocorreram em plena celebração do Pessach, a festa judaica que marca a libertação dos hebreus da escravidão no Egito.