Estados Unidos doarão 60 milhões de vacinas contra Covid-19 nos próximos meses

Medida será feita apenas com vacinas da AstraZeneca/Oxford, não autorizadas no país

Seringas com vacina da Covid-19 e outros materiais de uso hospitalar
Legenda: Governo estima que 60 milhões de doses sejam exportadas nos próximos meses.
Foto: Lluis Gene/AFP

Os Estados Unidos anunciaram que farão doação de todo o estoque de vacinas da AstraZeneca/Oxford do país. A medida ocorrerá assim que o imunizante, usado para prevenir a Covid-19, for aprovado nas análises de segurança federais, afirmou a Casa Branca. São estimadas 60 milhões de doses para exportação nos próximos meses, segundo o governo.

A medida supera a ação do governo Joe Biden realizada no mês passado, quando quatro milhões de doses da vacina foram compartilhadas com o México e o Canadá. A vacina da AstraZeneca/Oxford é amplamente usada em todo o mundo — sendo ministrada inclusive no Brasil —, mas ainda não foi autorizada pela agência reguladora norte-americana (FDA, na sigla em inglês).



"Dado o forte portfólio de vacinas que os Estados Unidos já possuem e que foram autorizadas pela FDA, e dado que a vacina AstraZeneca não está autorizada para uso nos Estados Unidos, não precisamos usar a vacina AstraZeneca aqui durante os próximos meses", disse o coordenador da Covid-19 da Casa Branca, Jeff Zients.

"Portanto, os Estados Unidos estão procurando opções para compartilhar as doses do AstraZeneca com outros países à medida que forem disponibilizadas".

AstraZeneca é processada

Nesta segunda-feira (26), a União Europeia (UE) informou ter aberto um processo judicial contra a farmacêutica AstraZeneca em razão de sucessivos atrasos da empresa na entrega de vacinas contra a Covid-19.

A UE alega que a empresa britânica violou os termos contratuais firmados em 2020, que previam a compra de mais de 300 milhões de doses do imunizante contra o coronavírus, com mais de 100 milhões entregues no primeiro trimestre. A companhia, no entanto, enviou apenas cerca de 30 milhões no período.

A AstraZeneca afirmou, também nesta segunda-feira, que "lamenta" a decisão da UE de processar a empresa por atrasos na entrega da vacina. A farmacêutica alegou, em comunicado, que a ação é "sem mérito" e se comprometeu a "se defender fortemente" nas cortes judiciais.

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