Como a Artemis II voltou à Terra e quais os próximos passos da Nasa
Missão da Nasa teve encerramento na noite da sexta (10), no horário de Brasília.
Após 10 dias, os quatro astronautas da Missão Artemis II — os estadunidenses Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover e o canadense Jeremy Hansen — retornaram à Terra na noite da última sexta-feira (10), pelo horário de Brasília.
O retorno da tripulação contou com uma operação controlada e de risco, mas que teve êxito. A cápsula Orion, que levava os astronautas, saiu do espaço e pousou no Oceano Pacífico em 13 minutos.
A partir daí, os passos previstos incluem o já realizado resgate dos quatro profissionais, série de exames médicos e a volta para casa, prevista para este sábado (11). Entenda o processo do retorno e quais os próximos passos da Nasa.
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Viagem a 40 mil km/h
De acordo com o planejamento da missão, a cápsula Orion, onde os astronautas ficam, é separada do chamado módulo de serviço, parte da nave cuja função é dar energia, propulsão e suporte à missão.
A Orion, então, passa por uma queima de motores para ajustar o ângulo de entrada na atmosfera. O passo é necessário para evitar aquecimento, danos estruturais e outros riscos.
A cápsula viaja a mais de 40 mil km/h até que, numa altitude de 122 km, ela começa o processo de reentrada na atmosfera e uma intensa desaceleração, causada em especial pelo atrito.
Ausência de comunicação
Nesse momento, a temperatura ao redor do escudo térmico que protege a cápsula pode chegar a 2700 ºC.
É também nesta ocasião que ocorre um processo que bloqueia a comunicação de Orion com a Terra. O fenômeno, chamado de blackout, durou por volta de seis minutos.
Sem a possibilidade de contato com o solo, a nave segue o trajeto autonomamente. O blackout é considerado de risco por conta da ausência de comunicação e controle por parte da equipe na Terra.
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De 40 mil km/h para 32 km/h
A fase final de descida da cápsula se dá numa altitude de cerca de 6,7 km, quando paraquedas de estabilização são acionados, controlam o trajeto e reduzem mais a velocidade da cápsula.
Já a cerca de 1,8 km da Terra, três paraquedas principais são acionados para tornar a descida ainda mais controlada. Nesse momento, a velocidade da nave estava em 32 km/h.
Pouso no Oceano
Finalmente, numa velocidade segura e em condições normalizadas, a Orion pousou no Oceano Pacífico no que é chamado de splashdown, de impacto forte, mas seguro.
Uma vez completado o pouso, equipes de resgate tanto da NASA quanto das forças armadas dos EUA efetivaram a operação para retirar os astronautas da cápsula.
Às 22 horas, a tripulação foi retirada e, então, levada de helicóptero até um navio militar para a realização das avaliações médicas iniciais.
Retorno para o Centro Especial e reconhecimento de sucesso
Após os exames médicos, a expectativa é que os quatro astronautas sigam para o Centro Espacial Johnson, no Texas, onde devem continuar tendo a saúde monitorada. Este momento está previsto ainda para o sábado (11).
A Nasa compartilhou hoje que eles estão “felizes, saudáveis e prontos para voltar para casa”. Administrador da agência especial, Jared Isaacman definiu a Artemis II como “uma missão perfeita”.
O presidente dos EUA Donald Trump também parabenizou a tripulação e disse que “não poderia estar mais orgulhoso”, conforme a AFP.
Na rede social Truth Social, Trump escreveu que espera os astronautas “em breve” na Casa Branca e adiantou: “Faremos isso de novo e, depois, o próximo passo: Marte!”.
Passos futuros da Nasa
Apesar da menção de uma missão até Marte feita por Trump, os planos a curto prazo da Nasa envolvem novas idas à Lua e seu entorno.
A realização da Artemis II retoma a realização de voos tripulados até o satélite, parados desde os anos 1970 e o programa Apollo.
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“Vamos voltar a fazê-lo com frequência, enviando missões à Lua até pousarmos nela em 2028 e começarmos a construir nossa base”, afirmou Isaacman.
Depois de 2026, estão previstas as missões Artemis III, para 2027, e Artemis IV, para 2028. A Artemis II funcionou como teste para sistemas como a cápsula Orion e o Sistema de Lançamento Espacial (SLS).
A missão de 2028 prevê o envio de astronautas para a superfície da Lua. Em uma nova “corrida espacial”, o movimento se dá para que ocorra antes do envio de astronautas chineses até o satélite, previsto para 2030.
Segundo a AFP, porém, especialistas espaciais não acreditam que as tecnologias necessárias para a chegada à Lua patrocinadas com recursos Elon Musk e Jeff Bezos fiquem prontas até o prazo estimado.