O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse ao ministro das Relações Exteriores do Brasil Mauro Vieira estar aberto ao diálogo com o Brasil após novas propostas de tarifas estadunidenses sobre produtos brasileiros.
Os dois tiveram breve encontro nesta quarta-feira (3) durante evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na França.
Segundo a Folha de S. Paulo, fontes do governo federal afirmaram que Greer se aproximou do ministro para cumprimentá-lo e falou que quer manter o contato fluído com o Brasil e está aberto ao diálogo sobre questões comerciais.
A resposta de Vieira teria sido a de que o Brasil tem a mesma disposição ao diálogo e que as novas tarifas que podem ser impostas pelos EUA ao País demandam intensificar negociações.
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Proposta de nova taxa ligada a "bens produzidos com trabalho forçado"
Na última terça-feira (2), o escritório estadunidense propôs novas tarifas sobre 60 economias, que incluem Brasil, China, União Europeia (UE), México e Equador, argumentando que elas não combatem suficientemente a importação de bens produzidos com trabalho forçado.
As tarifas propostas variam de 10% a 12,5%, segundo um documento oficial, e surgem em um momento em que o governo do presidente americano, Donald Trump, busca reconstruir sua agenda tarifária após reveses legais.
As medidas estarão sujeitas a um período de consulta pública antes da decisão final.
Soma das duas tarifas chega a 37,5%
Essa proposta se soma ao tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros anunciado na segunda-feira (1º) pelo governo Trump, por práticas do Brasil consideradas desleais. Se confirmada, essa taxação deve entrar em vigor em 15 de julho.
A justificativa para esta tarifa é uma investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em julho de 2025, que concluiu que políticas e práticas do Brasil são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem" o comércio norte-americano.
A investigação avaliou práticas nas áreas de comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, como o Pix; concessão de tarifas preferenciais; proteção de propriedade intelectual; combate à corrupção; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
O USTR afirma que, nesses pontos, há prejuízo para empresas e exportações dos EUA. Como consequência, o governo americano abriu consulta pública sobre possíveis medidas corretivas.
As duas tarifas a mais — tanto a anunciada no dia 1º quanto a proposta no dia 2 — se somariam, chegando a uma sobretaxa de 37,5% sobre os produtos brasileiros caso ambas sejam validadas.