Argentina registra o primeiro caso de varíola dos macacos da América Latina

Informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde da Argentina hoje (27)

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Legenda: Uma erupção cutânea pode se desenvolver, muitas vezes começando no rosto, e depois se espalhando para outras partes do corpo, incluindo os genitais
Foto: Reprodução/Shutterstock

A Argentina confirmou, nesta sexta-feira (27), o primeiro paciente diagnosticado com a varíola dos macacos. Esse é o primeiro caso da América Latina. As informações são do jornal argentino Clarín

Segundo o Ministério da Saúde da Argentina, a pessoa contaminada passa bem e está isolada.Ela voltou de uma viagem da Espanha no último dia 16 de maio e procurou atendimento em um hospital de Buenos Aires, no domingo (22/5), com sintomas como lesões pelo corpo e febre

O governo argentino, contudo, aguarda os resultados dos testes de sequenciamento para ter mais detalhes sobre a infecção. 

varíola dos macacos (doença zoonótica viral, ou seja, se espalha em animais e humanos) foi confirmada em 100 pacientes de, pelo menos, 16 países. A Organização Mundial da Saúde (OMS) investiga outros casos. 

Até o momento, o Brasil não registrou nenhum caso de varíola dos macacos. Contudo, um brasileiro residente na Alemanha foi contaminado. Ele teria viajado por Portugal e Espanha. Abaixo, entenda mais sobre a condição. 

O que é a varíola dos macacos?

varíola dos macacos
Legenda: Uma erupção cutânea pode se desenvolver, muitas vezes começando no rosto, e depois se espalhando para outras partes do corpo, incluindo os genitais
Foto: Divulgação/Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido

Conforme a OMS, a doença recebeu esse nome porque foi identificada pela primeira vez em colônias de macacos mantidas para pesquisa, em 1958. Somente em 1970, foi detectada em humanos. A varíola dos macacos é causada pelo vírus monkeypox.

Apesar de ser da mesma família da varíola humana, o patógeno causador da doença dos macacos tem menor risco de complicações. Segundo a OMS, a enfermidade é encontrada na África central e ocidental, onde há florestas tropicais e os animais que podem transportar a doença.

Ocasionalmente, pessoas com varíola são identificadas em outros países, após viagens de regiões onde a varíola é endêmica. 

Quais os sintomas?

Segundo a OMS, os sintomas duram entre duas e quatro semanas, mas desaparecem por conta própria sem tratamento. A orientação é que as pessoas com os sinais descritos abaixo procurem orientação médica e comuniquem possível contato com alguém infectado. Veja os sintomas: 

  • Febre;
  • Dores de cabeça intensa, musculares e/ ou nas costas;
  • Baixa energia;
  • Linfonodos inchados;
  • Erupções cutâneas ou lesões.

Geralmente, a erupção se apresenta de um a três dias após o início da febre. As lesões podem ser planas ou levemente elevadas, cheias de líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas, secar e cair. 

Segundo o órgão, o número de lesões em uma pessoa pode variar de alguns a milhares. A erupção tende a se concentrar no rosto, palmas das mãos e solas dos pés. Eles também podem ser encontrados na boca, genitais e olhos.

Como se transmite?

A doença não se espalha facilmente, mas a transmissão ocorre através do contato com animais ou com a pessoas infectadas. No caso dos seres humanos, estudos apontam que o vírus é transmitido quando há interação física com pessoas que ainda estejam apresentando sintomas (entre duas e quatro semanas).

Até o momento, não está claro se assintomáticos podem espalhar o vírus. De acordo com a OMS, a erupção cutânea, os fluidos corporais (pus ou sangue de lesões na pele) e as crostas são infecciosos. Por isso, é necessário evitar o compartilhamento dos seguintes itens com os infectados:

  • Roupas;
  • Roupas de cama;
  • Toalhas;
  • Objetos como utensílios/pratos. 

Além disso, úlceras, lesões ou feridas na boca podem ser infecciosas, o que significa que a doença pode se espalhar pela saliva. As pessoas que interagem de perto com alguém que é infeccioso, incluindo profissionais de saúde, membros da família e parceiros sexuais, correm maior risco de infecção.

O vírus também pode se espalhar de uma pessoa grávida para o feto ou de um pai infectado para o filho durante ou após o nascimento por meio do contato de pele. 

Varíola dos macacos mata?

Segundo a OMS, os sintomas das pessoas contaminadas desaparecem por conta própria em algumas semanas. Entretanto, há casos mais graves que podem levar a complicações médicas e até a morte. O risco é maior para recém-nascidos, crianças e pessoas com deficiências imunológicas subjacentes. 

As complicações de casos graves podem ser infecções de pele, pneumonia, confusão e infecções oculares que podem levar à perda de visão. Nos últimos tempos, a taxa de mortalidade de casos foi de cerca de 3 a 6%.

Doença é transmitida durante a relação sexual? 

Não há confirmação se o sêmen ou fluidos vaginais podem transmitir a doença. No entanto, conforme dito acima, a varíola dos macacos é passada através do contato físico com as lesões. Portanto, durante o ato sexual, há, sim, o risco de contaminação em razão das feridas localizadas, principalmente, na pele e na boca, por exemplo.  

Homens gays têm o maior risco de infecção? 

Como explicado anteriormente, a varíola dos macacos não é uma doença sexualmente transmissível. Portanto, a orientação sexual não é um fator maior de exposição.

Conforme a OMS, as erupções da varíola podem se assemelhar a algumas doenças sexualmente transmissíveis, incluindo herpes e sífilis. Para o órgão, isso explica por que vários dos casos no surto atual foram identificados entre homens que procuram atendimento em clínicas de saúde sexual.

"O risco de se infectar com a varíola dos macacos não se limita a pessoas sexualmente ativas ou homens que fazem sexo com homens. Qualquer pessoa que tenha contato físico próximo com alguém infeccioso está em risco", afirma a OMS.

Crianças podem contrair a varíola dos macacos?

Sim. As crianças são mais propensas a ter sintomas graves do que os adolescentes e os adultos. Além disso, o vírus também pode ser transmitido a um feto ou a um recém-nascido através do nascimento ou contato físico precoce. 

Como evitar?

O Brasil não confirmou nenhum caso da doença. Mas, se você tiver contato com algum caso suspeito, o ideal é evitar o contato com quem apresentou os sintomas. A recomendação para os infectados é o isolamento e a utilização de máscara de proteção, sobretudo, se estiverem tossindo ou com lesões na boca. Veja como proceder nestes casos:

  • Evite o contato pele a pele sempre que possível;
  • Use luvas descartáveis ​​se tiver algum contato direto com as lesões;
  • Use uma máscara ao manusear qualquer roupa ou roupa de cama, se a pessoa não puder fazer isso sozinha;
  • Limpe regularmente as mãos com água e sabão ou álcool gel, especialmente após o contato com a pessoa infectada;
  • Limpe as roupas, lençóis, toalhas e outros itens ou superfícies em que tocaram ou que possam ter entrado em contato com a erupção cutânea ou secreções respiratórias da pessoa infectada;
  • Lave as roupas, toalhas, lençóis e talheres da pessoa com água morna e detergente;
  • Limpe e desinfete todas as superfícies contaminadas e descarte os resíduos contaminados (por exemplo, curativos) de forma adequada.

Vacina contra varíola protege da doença dos macacos?

A OMS informou que as pessoas vacinadas contra a varíola no passado também terão alguma proteção contra a maioria dos casos da doença dos macacos. Portanto, a vacinação prévia contra a varíola pode resultar em uma doença mais leve. 

Outros animais podem transmitir a varíola dos macacos?

Sim. Apesar do nome, várias espécies animais foram identificadas como suscetíveis ao vírus. Dentre eles, esquilos de corda, esquilos de árvore, ratos gambianos, arganazes, primatas não humanos e outras espécies.

Contudo, a OMS alerta que a incerteza permanece sobre a história natural do vírus da varíola dos macacos e mais estudos são necessários para identificar como a circulação do vírus é mantida na natureza.

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