Um vídeo de teor racista compartilhado pelo presidente Donald Trump nas redes sociais provocou indignação nos Estados Unidos nesta sexta-feira (7) e acabou sendo removido após repercussão negativa.
A publicação trazia imagens do ex-presidente Barack Obama e da ex-primeira-dama Michelle Obama retratados como macacos.
O conteúdo aparece em um vídeo publicado por Trump em sua plataforma Truth Social, que reunia teorias conspiratórias sobre as eleições de 2020 — pleito vencido por Joe Biden e até hoje questionado pelo republicano. O trecho ofensivo surgiu como uma inserção secundária dentro do material.
Após a reação pública, a Casa Branca confirmou a remoção da postagem. “Um membro da equipe da Casa Branca fez uma publicação por erro. Ela já foi removida”, afirmou um funcionário à agência AFP.
Antes disso, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, havia minimizado a polêmica e classificado as críticas como “indignação falsa” promovida por opositores do presidente.
Em nota posterior, reforçou o discurso: “Por favor, deixem a indignação falsa de lado e publiquem hoje algo que realmente importa ao público americano”.
O vídeo original, segundo apuração, é uma peça satírica criada por um apoiador de Trump. Nele, o presidente aparece como um leão, o “rei da selva”, enquanto outros políticos — incluindo os Obama — surgem retratados como animais que o reverenciam de forma caricata.
Usuário assíduo das redes sociais, Trump costuma repostar vídeos, memes e documentos de origem diversa, muitos deles criados com inteligência artificial, tanto em tom humorístico quanto ofensivo.
Lideranças democratas reagiram duramente, classificando a publicação como racista. Barack e Michelle Obama ainda não se pronunciaram.
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Reações políticas
A postagem provocou críticas inclusive entre os republicanos. O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, possível candidato democrata à Presidência em 2028, foi direto: “Comportamento repugnante por parte do presidente. Todo republicano deveria denunciá-lo. Agora”, escreveu a assessoria no X.
O senador republicano Tim Scott, aliado de Trump, também condenou o episódio. “Rezo para que isso seja falso, porque é a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca. O presidente deveria retirar isso”, publicou.
Já o senador Roger Wicker classificou o conteúdo como “totalmente inaceitável” e afirmou que Trump deveria apagar a postagem e pedir desculpas.
Ben Rhodes, ex-assessor de Segurança Nacional e aliado próximo de Obama, afirmou que “os americanos do futuro abraçam os Obama como figuras queridas, enquanto Trump será lembrado como uma mancha na história”.
Histórico de teorias conspiratórias
Barack Obama foi o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos e apoiou a democrata Kamala Harris na campanha de 2024.
Trump, por sua vez, iniciou sua trajetória política impulsionando a teoria conspiratória racista do “birther”, que questionava falsamente o local de nascimento de Obama.
A rivalidade entre os dois se estende há anos. Trump já declarou incômodo com a popularidade de Obama e com o fato de ele ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.
O republicano sucedeu o democrata no poder em 2017, governou até 2021 e retornou à Casa Branca após o mandato de Joe Biden, algo que não ocorria no país havia cerca de um século.
Mesmo após derrotas judiciais sucessivas, Trump segue afirmando que venceu a eleição de 2020. Em seu segundo mandato, intensificou o uso de conteúdos gerados por inteligência artificial para exaltar sua imagem e atacar adversários.
No ano passado, chegou a publicar um vídeo de IA que mostrava Obama sendo preso no Salão Oval. Em outra ocasião, divulgou uma montagem do líder democrata Hakeem Jeffries com bigode falso e chapéu de mariachi, imagem que também foi classificada como racista pelo parlamentar.