Quem é Ali Khamenei, líder supremo do Irã alvo do ataque conjunto de EUA e Israel
Trump afirmou que o objetivo da ofensiva é "defender o povo americano de ameaças do governo iraniano".
Oitenta e seis anos, liderança religiosa e política: este é o perfil da pessoa apontada como alvo do ataque conjunto orquestrado por Estados Unidos e Israel contra o Irã neste sábado (28).
Ali Khamenei é considerado o homem mais poderoso do Irã. O líder supremo e aiatolá está no cargo há 35 anos, e tanto é chefe de Estado como comandante-chefe. Conforme o g1, é dele a palavra final sobre políticas públicas do país.
A informação de que é ele o alvo do ataque deste sábado foi confirmada por um oficial israelense e por duas fontes próximas à operação militar. Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump já havia afirmado que o objetivo da ofensiva é "defender o povo americano de ameaças do governo iraniano".
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A CNN diz que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Sayyid Abdolrahim Mousavi, também foram alvos de ataques. Outros alvos incluíam o secretário do recém-criado Conselho de Defesa do Irã, Ali Shamkhani, e o secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, de acordo com fontes israelenses.
Ali Khamenei estruturou a máquina pública iraniana de forma a assegurar o controle sobre ela. O político, inclusive, já demonstrou capaz de atravessar diversas crises com vizinhos da região e potências ocidentais. Ele é o chefe de Estado mais longevo do Oriente Médio.
Formação anti-colonial e anti-ocidental
Khamenei estudou religião em Qom. Nessa época, passou por forte influência do pensamento do aiatolá Ruhollah Khomeini, que liderava a oposição conservadora a partir do exílio. Ele se aproximou do movimento de Khomeini, e logo estava ajudando a organizá-lo e executando missões em território iraniano.
O líder nasceu em 1939 na cidade de Mashhad, oeste do Irã, e investiu na formação religiosa e política na década de 1960, envolvido em movimentos que questionavam o regime do então xá Mohammad Reza Pahlevi.
Ao longo dos anos de estudo, se aprofundou em teorias anti-coloniais e anti-ocidentais, e traduziu livros do egípcio Sayyid Qutb, um influente intelectual do fundamentalismo islâmico.
Em junho de 1981, sofreu um atentado a bomba que deixou o braço direito paralisado para sempre. Quatro meses depois, foi eleito presidente do Irã, com 95% dos votos.
No cargo, agiu para assegurar o poder e neutralizar oponentes, guiado pelos princípios externados na revolução de 1979, inclusive o combate ao liberalismo, à influência dos Estados Unidos e ao que ele via como desvios dos costumes islâmicos.
Com o passar do tempo, tornou-se capaz de influenciar cada vez mais a formulação e execução de políticas no país, e fomentou o culto à própria personalidade.
Repressão e violência
Nas mais de três décadas no poder, Khamenei enfrentou várias ondas de protestos, todos reprimidos com violência, enquanto manteve uma política de linha dura em relação a costumes.
O governo dele foi acusado de matar opositores exilados, e reprimiu jornalistas e intelectuais não-alinhados ao regime.
Uma das estratégias centrais de política externa alimentadas pelo líder foi apoiar, com verbas e armas, organizações que atuavam como intermediárias do Irã para confrontar Israel.
Em diversas ocasiões, Khamenei defendeu a aniquilação do Estado de Israel, e essa estratégia de guerra por procuração lhe pareceu a mais adequada.
Contra-ofensiva iraniana
O Irã respondeu ao ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao país, neste sábado (28), e lançou mísseis a uma base da Marinha norte-americana no Bahrein. A informação foi confirmada pela CNN com um oficial dos EUA.
A base naval abriga a Quinta Frota da Marinha. A fonte disse à CNN que a situação está "ativa".
Segundo relatos da mídia estatal iraniana, quatro bases norte-americanas no Oriente Médio foram alvejadas pela Guarda Revolucionária Islâmica em resposta aos ataques.