Quem é Ali Khamenei, líder supremo do Irã alvo do ataque conjunto de EUA e Israel

Trump afirmou que o objetivo da ofensiva é "defender o povo americano de ameaças do governo iraniano".

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 10:33)
Na imagem, fotografia de meio-corpo do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei. Ele é um homem idoso, de pele clara e barba branca longa, usando óculos de grau, um turbante preto e vestes tradicionais escuras sobre uma túnica cinza claro. Ele está sentado, falando em frente a dois microfones pretos, segurando um pequeno papel branco na mão esquerda. O fundo é composto por uma cortina de tecido verde oliva com pregas verticais.
Legenda: Líder supremo e aiatolá está no cargo há 35 anos, e tanto é chefe de Estado como comandante-chefe.
Foto: Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP.

Oitenta e seis anos, liderança religiosa e política: este é o perfil da pessoa apontada como alvo do ataque conjunto orquestrado por Estados Unidos  e Israel contra o Irã neste sábado (28). 

Ali Khamenei é considerado o homem mais poderoso do Irã. O líder supremo e aiatolá está no cargo há 35 anos, e tanto é chefe de Estado como comandante-chefe. Conforme o g1, é dele a palavra final sobre políticas públicas do país.

A informação de que é ele o alvo do ataque deste sábado foi confirmada por um oficial israelense e por duas fontes próximas à operação militar. Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump já havia afirmado que o objetivo da ofensiva é "defender o povo americano de ameaças do governo iraniano".

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A CNN diz que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Sayyid Abdolrahim Mousavi, também foram alvos de ataques. Outros alvos incluíam o secretário do recém-criado Conselho de Defesa do Irã, Ali Shamkhani, e o secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, de acordo com fontes israelenses.

Ali Khamenei estruturou a máquina pública iraniana de forma a assegurar o controle sobre ela. O político, inclusive, já demonstrou capaz de atravessar diversas crises com vizinhos da região e potências ocidentais. Ele é o chefe de Estado mais longevo do Oriente Médio.

Formação anti-colonial e anti-ocidental

Khamenei estudou religião em Qom. Nessa época, passou por forte influência do pensamento do aiatolá Ruhollah Khomeini, que liderava a oposição conservadora a partir do exílio. Ele se aproximou do movimento de Khomeini, e logo estava ajudando a organizá-lo e executando missões em território iraniano.

O líder nasceu em 1939 na cidade de Mashhad, oeste do Irã, e investiu na formação religiosa e política na década de 1960, envolvido em movimentos que questionavam o regime do então xá Mohammad Reza Pahlevi.

Ao longo dos anos de estudo, se aprofundou em teorias anti-coloniais e anti-ocidentais, e traduziu livros do egípcio Sayyid Qutb, um influente intelectual do fundamentalismo islâmico.

Em junho de 1981, sofreu um atentado a bomba que deixou o braço direito paralisado para sempre. Quatro meses depois, foi eleito presidente do Irã, com 95% dos votos.

No cargo, agiu para assegurar o poder e neutralizar oponentes, guiado pelos princípios externados na revolução de 1979, inclusive o combate ao liberalismo, à influência dos Estados Unidos e ao que ele via como desvios dos costumes islâmicos.

Com o passar do tempo, tornou-se capaz de influenciar cada vez mais a formulação e execução de políticas no país, e fomentou o culto à própria personalidade.

Repressão e violência

Nas mais de três décadas no poder, Khamenei enfrentou várias ondas de protestos, todos reprimidos com violência, enquanto manteve uma política de linha dura em relação a costumes. 

O governo dele foi acusado de matar opositores exilados, e reprimiu jornalistas e intelectuais não-alinhados ao regime.

Uma das estratégias centrais de política externa alimentadas pelo líder foi apoiar, com verbas e armas, organizações que atuavam como intermediárias do Irã para confrontar Israel.

Em diversas ocasiões, Khamenei defendeu a aniquilação do Estado de Israel, e essa estratégia de guerra por procuração lhe pareceu a mais adequada.

Contra-ofensiva iraniana

O Irã respondeu ao ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao país, neste sábado (28), e lançou mísseis a uma base da Marinha norte-americana no Bahrein. A informação foi confirmada pela CNN com um oficial dos EUA.

Na imagem, fotografia composta por duas fotografias lado a lado mostrando grandes explosões em áreas urbanas. À esquerda, uma densa coluna de fumaça cinza escura e marrom sobe alto no céu, originando-se de trás de prédios claros em uma cidade. À direita, outra nuvem de fumaça em formato de cogumelo se eleva sobre o que parece ser uma zona industrial ou portuária, com um tanque cilíndrico em primeiro plano. O céu em ambas as fotos está claro e levemente pálido.
Legenda: Quatro bases norte-americanas no Oriente Médio foram alvejadas pela Guarda Revolucionária Islâmica.
Foto: Varios sources/AFP.

A base naval abriga a Quinta Frota da Marinha. A fonte disse à CNN que a situação está "ativa".

Segundo relatos da mídia estatal iraniana, quatro bases norte-americanas no Oriente Médio foram alvejadas pela Guarda Revolucionária Islâmica em resposta aos ataques.

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