Novos documentos sobre Jeffrey Epstein mostram plano para aliciar modelos do Brasil

O magnata teria um contato no Brasil que prostituía jovens e menores de idade e as levava para festas nos EUA.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 18:50)
Epstein é um homem de cabelos grisalhos apontando pela janela de um avião particular, com uma mulher sentada ao seu lado. Imagem é usada para matéria sobre tentativa de aliciar modelos no Brasil.
Legenda: Epstein aliciou dezenas de jovens, e foi preso diversas vezes por exploração sexual, até que morreu na cadeia em 2019, enquanto aguardava julgamento.
Foto: HOUSE OVERSIGHT DEMOCRATS / AFP.

O novo dossiê de documentos contra Jeffrey Epstein, empresário e criminoso sexual que tirou a própria vida na prisão em 2019, mostra indícios de ações criminosas do magnata norte-americano no Brasil. Um plano para atrair jovens modelos brasileiras por meio de um concurso de beleza em uma revista de moda foi citado, segundo os arquivos divulgados na última sexta-feira (30) pelo governo dos Estados Unidos. 

De acordo os documentos, Epstein teria um contato no Brasil que aliciava menores de idade para o empresário quando ele vinha ao Brasil a trabalho. Esse contato seria uma mulher chamada nas transcrições de "agente mãe". 

O dossiê confirma que pelo menos quatro jovens brasileiras, incluindo duas adolescentes entre 13 e 15 anos, teriam sido "levadas" para o magnata em uma festa nos EUA. Uma vítima chegou a dizer à BBC News Brasil, entretanto, que pelo menos 50 brasileiras teriam passado pela mansão de Epstein

Em depoimento à Justiça do estado norte-americano da Flórida em junho de 2010, uma ex-funcionária da mulher que aliciava as garotas brasileiras afirmou que em todas as viagens de negócios ao Brasil, Epstein se encontrava com menores de idade.

O nome da informante é censurado nos documentos, mas ao longo da declaração ela diz que trabalhou também para Jean-Luc Brunel, que foi parceiro do magnata. 

Jean foi um agente de modelos francês acusado de tráfico de mulheres. Ele foi encontrado morto na prisão em Paris, na França, em 2022, após anos detido por uma investigação de assédio sexual e estupro contra jovens entre 15 e 18 anos. 

Veja também

Criminoso sexual pagava vistos das brasileiras 

Ainda conforme os documentos, conhecidos como "The Epstein Files" (os arquivos de Epstein, em tradução livre), Epstein pagava os visto para que as brasileiras pudessem entrar nos EUA

Segundo os depoimentos, o empresário conseguia abusar sexualmente das garotas brasileiras "quando precisasse". Uma testemunha sugeriu que pessoas podem ter sido subornadas para não denunciarem os crimes. 

"Cinco mil dólares no Brasil é muito dinheiro. Dá pra comprar uma casa", disse a depoente. "Jeffrey Epstein tem todo o dinheiro que tem, ele podia calar todo mundo", comenta em outro trecho. 

Quem era Jeffrey Epstein

Na imagem Jeffrey Epstein é um homem de cabelo grisalho, rosto com rugas e barba também grisalha. Foto usada em matéria sobre empresário aliciar jovens modelos no Brasil.
Legenda: Pelo menos quatro jovens brasileiras, incluindo duas adolescentes entre 13 e 15 anos, teriam sido "levadas" para o magnata em uma festa nos EUA.
Foto: HO/NEW YORK STATE SEX OFFENDER REGISTRY /AFP

Magnata financista, Jeffrey Epstein cometeu crimes sexuais por décadas em uma ilha particular e em mansões nos EUA. Ele era conhecido por se associar a celebridades, políticos e bilionários.

Nomes como o do presidente dos EUA, Donald Trump, do ex-presidente norte-americano Bill Clinton e o ex-príncipe Andrew, do Reino Unido, filho da Rainha Elizabeth II, aparecem nos processos. 

Epstein foi preso pela primeira vez em 2005, após ser acusado de pagar uma menina de 14 anos para fazer sexo. Dezenas meninas menores de idade descreveram abusos sexuais similares, porém os promotores de Justiça permitiram que o empresário se declarasse culpado em 2008, de uma acusação envolvendo uma única vítima. Ele cumpriu 13 meses em um programa de liberação de trabalho na prisão.

O financista foi preso novamente outras vezes, até que em 2019 se suicidou na prisão enquanto aguarda julgamento.

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