Babá brasileira detalha plano para matar patroa nos EUA, e caso pode virar documentário da Netflix
Juliana Peres Magalhães confessou participação nas mortes de Christine Banfield e Joseph Ryan.
A brasileira Juliana Peres Magalhães, de 25 anos, admitiu à Justiça dos Estados Unidos ter participado do assassinato de sua patroa, a enfermeira Christine Banfield, na Virgínia, em fevereiro de 2023.
Em depoimento, segundo informações da BBC, ela também confessou ter atirado em Joseph Ryan, homem atraído até a casa da família e morto no mesmo dia. O caso ganhou repercussão internacional e pode virar documentário da Netflix.
Juliana se mudou do interior de São Paulo para Fairfax em 2021, como parte de um programa de au pair, uma espécie de babá em solo americano.
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Meses depois, segundo relatou, iniciou um relacionamento extraconjugal com Brendan Banfield, marido de Christine e investigador criminal da Receita Federal americana.
Entenda como o crime foi arquitetado
De acordo com seu depoimento, o plano para matar Christine surgiu quando Brendan afirmou que não queria se divorciar para evitar divisão de bens e da guarda da filha. “Ele mencionou o plano para se livrar dela”, declarou Juliana em tribunal.
A acusação sustenta que o casal criou um perfil falso em uma rede social de sadomasoquismo, usando fotos de Christine, para atrair Ryan à residência e incriminá-lo pelo assassinato.
Juliana afirmou que participou das conversas e que os dois chegaram a frequentar um clube de tiro antes do crime. “Para o caso de eu precisar usar, caso algo desse errado”, disse sobre os treinamentos.
Como o crime ocorreu
No dia 24 de fevereiro de 2023, segundo a brasileira, os acontecimentos fugiram ao planejado. Ela relatou que viu Ryan sobre Christine no quarto do casal. “Ela [Christine] gritou para Brendan: 'Brendan, ele tem uma faca'. E foi nesse momento que ele atirou em Joe [Ryan] pela primeira vez”, afirmou.
Juliana contou que Brendan passou a esfaquear a esposa. “Ele subiu em cima dela e foi aí que eu vi ele esfaqueando ela pela primeira vez”, disse. Em outro trecho do depoimento, descreveu: “Eu me ajoelhei e coloquei minhas mãos no carpete, mas, assim que senti o sangue, tirei a mão".
Ela negou ter esfaqueado Christine, mas admitiu ter atirado em Ryan quando percebeu que ele ainda estava vivo. “Ele estava se mexendo e o Brendan não teve nenhuma reação. E foi aí que eu disparei também”. “Eu simplesmente atirei nele, e ele caiu para trás”, completou.
Após meses de investigação, Juliana foi presa e fechou um acordo com a Promotoria. Declarou-se culpada de homicídio culposo, acusação mais branda, e concordou em testemunhar contra Brendan.
Sua sentença será anunciada nesta sexta-feira (13), e há possibilidade de que seja libertada em breve e deportada ao Brasil.
Marido diz que é inocente
Brendan Banfield foi condenado por homicídio qualificado, mas sustenta que é inocente. Em julgamento, classificou a acusação como “completamente insana” e afirmou: “Eu não sabia nada sobre Joe Ryan antes das interações no quarto”. Sua defesa alega que Juliana mentiu para obter benefícios no acordo com os promotores.
Durante o processo, veio à tona que produtores procuraram Juliana para negociar os direitos de sua história. Em mensagens enviadas da prisão para a mãe, ela mencionou a possibilidade de um documentário da Netflix como forma de “pensar no futuro” e reconstruir a vida após o caso.
Ao explicar por que decidiu confessar, a brasileira declarou: “Acho que foi por achar que estava fazendo a coisa certa. O mundo merecia saber o que realmente aconteceu e eu simplesmente não conseguia guardar isso para mim, a vergonha, a culpa, a tristeza e todos esses sentimentos.”
O caso segue repercutindo nos Estados Unidos e no Brasil, enquanto a Justiça define as penas finais dos envolvidos.