Justiça do Irã amplia pena de prisão da Nobel da Paz Narges Mohammadi

A confirmação da nova sentença de sete anos e meio foi feita pelo advogado da ativista, Mostafa Nili, por meio da rede social X.

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Retrato de Narges Mohammadi, ativista mulher presa no Irã;
Legenda: Narges Mohammadi foi presa em dezembro do ano passado e já teria feito greve de fome em protesto as condições da sua detenção.
Foto: Narges Mohammadi Foundation / AFP

A situação da ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2023, tornou-se ainda mais crítica após uma nova decisão do Tribunal Revolucionário de Mashhad, no Irã. De acordo com informações divulgadas por seu advogado, Mostafa Nili, em uma publicação na rede social X neste domingo (8), ela foi sentenciada a sete anos e meio de prisão adicionais. 

Os detalhes fornecidos pelo defensor indicam que a pena se divide em seis anos por "conspiração e conluio" para a prática de crimes e um ano e meio por "propaganda contra o sistema". Além do encarceramento, Nili relatou que a justiça impôs dois anos de proibição de deixar o país e dois anos de exílio interno na cidade de Josf.

Pela lei iraniana as penas podem ser cumpridas simultaneamente. O defensor acrescentou que o veredito não é definitivo e pode ser objeto de recurso. Ele ainda defendeu que ela seja solta "em vista de suas doenças".

Resistência e denúncias no cárcere

Mesmo sob custódia, Mohammadi continua sua militância. Recentemente, sua fundação em Paris informou que ela iniciou uma greve de fome em protesto contra as "condições graves" de sua detenção ilegal. Mostafa Nili também compartilhou que a ativista conseguiu fazer um breve telefonema após quase dois meses sem comunicação, onde relatou ter sido levada ao tribunal e passado por um hospital pouco antes da audiência.

Quem é Narges Mohammadi e por que foi condenada

Narges Mohammadi é uma das principais lideranças mundiais na luta contra a opressão das mulheres no Irã e na defesa dos direitos humanos. Aos 54 anos, ela se tornou o símbolo da resistência feminina iraniana, especialmente após a onda de protestos contra as leis rigorosas de vestimenta no país.

Ao longo de sua trajetória, ela já foi detida 13 vezes e condenada em nove ocasiões diferentes pelo regime. Esta nova condenação está atrelada à sua prisão ocorrida em dezembro de 2024, quando ela participava de uma cerimônia em memória de Khosrow Alikordi, outro defensor dos direitos humanos.

Na ocasião, ela estava em liberdade temporária para tratar problemas de saúde, condição que seu advogado espera que seja restabelecida mediante fiança, devido ao seu estado debilitado.

Assuntos Relacionados