Vírus Sincicial Respiratório (VSR): veja tratamento e proteção com novo imunizante do SUS
Infecção respiratória causada pelo VSR pode evoluir para bronquiolite e pneumonia.
O vírus sincicial respiratório (VSR), uma das principais causas de hospitalização de bebês com menos de um ano, preocupa especialistas pela alta transmissibilidade e rápida evolução para quadros graves, como bronquiolite e pneumonia.
A infecção se espalha por secreções respiratórias e contato com superfícies contaminadas, exigindo atenção a sintomas e medidas de prevenção, além do uso de novos imunizantes disponíveis no SUS para grupos de risco.
Em evento realizado em São Paulo, na última terça-feira (17), o infectologista pediátrico Renato Kfouri* e a infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Rosana Richtmann** citaram medidas de prevenção, formas de reduzir o risco e reforçaram a importância da aplicação do imunizante em prematuros, bebês com até seis meses de idade e menores de 23 meses com comorbidades comprovadas.
Entenda como ocorre a transmissão do VSR
O VSR é transmitido principalmente por meio das secreções respiratórias. Assim, as pessoas infectadas acabam transmitindo para outras quando essas partículas são expelidas por meio da tosse, espirro ou fala.
Além disso, o vírus também pode sobreviver por um tempo em objetos ou superfícies. Então, se alguém com os sintomas espirrar e tocar em uma maçaneta, brinquedo ou outro objeto, outra pessoa que encostar ali e depois levar a mão aos olhos ou à boca pode acabar ficando doente.
Dentre as principais formas de transmissão, estão:
- Tocar em superfícies contaminadas;
- Por meio de gotículas respiratórias ao tossir ou espirrar;
- Contato direto com secreções, como saliva ou muco nasal;
- Contato próximo com pessoas infectadas, principalmente em ambientes fechados.
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Sintomas do vírus sincicial respiratório
Os sintomas do VSR podem variar de acordo com a idade e as condições de saúde do paciente. Em muitos casos, a infecção apresenta os mesmos sintomas, como:
- Coriza;
- Febre;
- Tosse;
- Dor de garganta;
- Mal-estar geral;
- Chiado no peito.
No caso de bebês, também podem apresentar diminuição do apetite, dificuldade para mamar, irritabilidade ou cansaço excessivo.
Em idosos, o vírus pode agravar doenças respiratórias pré-existentes, como asma ou bronquite.
Como é feito o diagnóstico do VSR?
O diagnóstico é confirmado por meio de testes de laboratório, especialmente em casos mais graves ou em pacientes hospitalizados.
Para isso, são coletadas secreções respiratórias do nariz ou da garganta. Entre os métodos mais comuns estão os exames moleculares e os testes rápidos de antígeno.
Qual o tratamento e cuidados com o VSR?
O tratamento do VSR foca em aliviar os sintomas apresentados e na recuperação do paciente. Nos quadros mais leves, com sintomas similares ao resfriado comum, é possível adotar alguns cuidados, como:
- Manter hidratação adequada;
- Utilizar medicações para febre e dor;
- Realizar lavagem nasal com soro fisiológico.
Caso apresente um agravamento de sintomas, como dificuldade de respirar, é preciso buscar um médico.
No agravamento para casos graves, principalmente em bebês ou idosos, pode ser necessária internação hospitalar. Nas unidades de saúde, há suporte respiratório e acompanhamento intensivo.
Qual o papel do Beyfortus nos cuidados com o VSR?
O imunizante Beyfortus, com o anticorpo nirsevimabe, busca ampliar a defesa contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Administrado em dose única, ele integra uma nova medida preventiva aprovada e incorporada ao SUS.
O que é?
O Beyfortus é um anticorpo de ação prolongada, assim, garante proteção direta contra o vírus. Os bebês que recebem o imunizante passam a ter anticorpos prontos para combater o VSR.
Quem pode receber?
A vacina é disponibilizada pelo SUS para:
- Bebês com idade gestacional inferior a 37 semanas e com até seis meses de idade;
- Crianças com até 24 meses que apresentem comorbidades.
Dentre as comorbidades listadas, estão:
- Doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia);
- Cardiopatia congênita;
- Anomalias congênitas das vias aéreas;
- Doença neuromuscular;
- Fibrose cística;
- Imunocomprometimento grave, de origem inata ou adquirida;
- Síndrome de Down.
Como funciona?
O nirsevimabe é um anticorpo do tipo monoclonal, capaz fornecer proteção imediata, segundo o Ministério da Saúde. Ele é responsável por reduzir o risco de formas graves de bronquiolite e pneumonia.
Não há necessidade de um esquema vacinal de mais de uma dose e nem de estimular o sistema imunológico da criança a produzir seus próprios anticorpos.
Diferenças entre vacina e o imunizante
A médica Rosanna explicou que a diferença entre a vacina e o imunizante é que, no caso das vacinas, elas estimulam o corpo a criar os próprios anticorpos.
Já os imunizantes, como o Beyfortus, já oferecem uma proteção imediata ao aplicar um anticorpo monoclonal (imunização passiva). Ou seja, os bebês já recebem a defesa pronta.
Onde encontrar?
Em Fortaleza, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a aplicação pode ser feita no Hospital Universitário do Ceará (HUC), no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac).
O acesso às doses em postos de saúde requer avaliação médica e prescrição, especialmente para crianças menores de 23 meses, que devem confirmar a comorbidade.
Como se proteger do VSR?
A principal forma de proteção é por meio do imunizante, que tem sido aplicado ainda na maternidade. No entanto, dentre algumas medidas que podem ser adotadas para evitar a contaminação, estão:
- Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;
- Lavar as mãos com frequência com água e sabão;
- Higienizar objetos de uso frequente, como celulares, brinquedos e maçanetas.
Além disso, como o vírus se espalha principalmente por meio de secreções respiratórias, é recomendado:
- Evitar contato próximo de bebês com pessoas resfriadas ou gripadas;
- Evitar aglomerações e visitas a recém-nascidos durante períodos de maior circulação viral.
*A repórter viajou a convite da Sanofi, empresa farmacêutica, para evento em São Paulo.
*Renato Kfouri, pediatra infectologista, Secretário do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
**Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, com doutorado na Universidade de Freiburg, na Alemanha.