Síndrome nefrótica: o que é, principais causas, sintomas e tratamento

Condição pode estar relacionada com queda da imunidade e inchaço.

Escrito por Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
20 de Novembro de 2025 - 10:00
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Legenda: O diagnóstico da síndrome é clínico e laboratorial.
Foto: Shutterstock/onstockphoto.

A síndrome nefrótica é uma condição que afeta os rins e pode estar diretamente relacionada com a queda de imunidade e o inchaço no corpo. Em entrevista ao Diário do Nordeste, o médico nefrologista Evandro Faria*, deu detalhes sobre as causas, os sintomas e os principais tratamentos.

Conforme o especialista, os rins possuem um sistema no qual o sangue é filtrado. Uma das estruturas dos rins "funciona como um filtro seletivo que deixa passar água, eletrólitos, resíduos de metabolismo e toxinas, mas que impede a passagem de proteínas como a albumina", afirma.

Esses resíduos saem na urina. No entanto, quando o filtro apresenta defeito, deixando passar também a albumina, é quando a síndrome nefrótica pode ser identificada.

"E por que falamos síndrome nefrótica e não doença nefrótica? Em medicina, toda vez que um conjunto de sinais e sintomas comuns são causados por várias doenças diferentes, denomina-se síndrome", explica.

O que é síndrome nefrótica? 

A síndrome nefrótica é uma condição que ocorre quando os glomérulos — estruturas nos rins responsáveis por formar a urina, filtrando o sangue para remover resíduos e excesso de líquidos — perdem a capacidade de reter a proteína albumina. 

Segundo o nefrologista Evandro Faria, essa proteína pode ser expelida em excesso na urina quando o paciente apresenta lesões estruturais ou inflamatórias nos filtros renais. Com isso, existe a redução de albumina no sangue. 

"A albumina é a responsável por 'segurar' a água dentro do sangue. Sem ela, há perda da capacidade de reter a água circulante, que extravasa para os tecidos periféricos, ocasionando edema (inchaço), sobrecarregando o fígado na síntese proteica". 
Evandro Faria
Médico nefrologista da Rede ICC

Essa síndrome pode resultar no aumento do colesterol, assim como do risco de tromboses. 

Qual a diferença entre síndrome nefrítica e nefrótica? 

Essas síndromes podem acontecer juntas, mas dentre as diferenças, estão: 

  • Síndrome nefrótica: causa grande perda de proteínas na urina causando edema (inchaço) geralmente sem perda inicial de função renal; 
  • Síndrome nefrítica: geralmente mais grave, é acompanhada de hipertensão arterial, redução da urina, perda de função renal, usualmente causada por uma inflamação mais grave do glomérulo. 

A principal causa infantil é a doença de lesões mínimas.
Legenda: A principal causa infantil é a doença de lesões mínimas.
Foto: Shutterstock/Streamlight Studios.

Como se desenvolve a síndrome nefrótica?

As causas dessa síndrome podem ser:

  • Doenças próprias do rim: como doença de lesões mínimas, glomeruloesclerose segmentar e focal ( GESF) e nefropatia membranos; 
  • Doenças secundárias: como diabetes, lúpus, infecções e medicamentos.

Cada uma dessas condições tem gravidade, evolução e tratamento diferentes dentro da síndrome nefrótica.

Qual a causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças 

A principal causa infantil dessa síndrome é a doença de lesões mínimas — condição que pode resultar na perda excessiva de proteínas na urina — geralmente de origem imunológica. Nesses casos, as crianças podem apresentar respostas a partir de uma terapia com corticoides e diuréticos, assim como a redução de sal. 

Neste ano, o cantor Junior Lima revelou que sua filha, Lara, foi diagnosticada com a síndrome rara. A criança de três anos é fruto de seu relacionamento com Monica Benini. 

Como diagnosticar síndrome nefrótica

O diagnóstico precisa ser realizado de modo clínico e laboratorial. Os médicos analisam se o paciente apresentou: 

  • Proteinúria elevada: perda de proteínas na urina, geralmente menor que 3,5 g por dia; 
  • Edema: inchaço nas pernas;
  • Albumina baixa no sangue;
  • Colesterol elevado.

Em adultos, o especialista ainda acrescentou que é possível realizar exames de sangue e biópsia renal. "Mais recentemente surgiram alguns anticorpos específicos que podem auxiliar no diagnóstico no adulto", disse.

Veja os sinais e sintomas do paciente com síndrome nefrótica

Um dos principais sinais é o inchaço nas pernas, assim como o aspecto de pálpebras caídas. Além disso, Evandro alerta que o paciente pode apresentar uma urina espumosa, "como se fosse clara de ovo". 

Dentre outros sintomas, estão: 

  • Ganho rápido de peso;
  • Cansaço; 
  • Maior suscetibilidade a infecções; 
  • Pressão alta (alguns casos).

O inchaço nas pernas é um dos sintomas mais comuns, que costuma chamar atenção primeiro.
Legenda: O inchaço nas pernas é um dos sintomas mais comuns, que costuma chamar atenção primeiro.
Foto: Shutterstock/Casa nayafana.

Qual o tratamento para síndrome nefrótica

O tratamento vai depender da causa, mas ele pode incluir:

  • Uso de corticoides; 
  • Uso de imunossupressores; 
  • Controle rigoroso da pressão; 
  • Uso de inibidores da ECA/BRA para reduzir perda de proteína na urina; 
  • Uso de inibidores do transporte de Sódio/Glicose no túbulo
  • Dieta com restrição de sal;
  • Controle de colesterol.

Quanto tempo leva para se curar a síndrome nefrótica?

Em crianças, as lesões mínimas podem apresentar melhoras em algumas semanas. Já em adultos, em que as ocorrências costumam ser mais graves, a melhora pode demorar meses ou anos. 

"A Nefropatia membranosa ou Glomeruloesclorose Focal e Segmentar (GESF) podem levar meses ou anos; algumas evoluem de forma crônica, podendo levar a perda da função renal e necessidade de hemodiálise e transplante renal. Há casos que entram em remissão completa e outros que a recorrência é frequente", detalha Evandro.

Saiba como prevenir a síndrome nefrótica 

Não existe prevenção específica para formas primárias da condição, ou seja, casos em que a síndrome surge espontaneamente. Já para causas secundárias, relacionadas com outras condições médicas preexistentes, é possível adotar algumas medidas, como:

  • Controlar diabetes; 
  • Controlar pressão; 
  • Evitar uso inadequado de medicamentos (como anti-inflamatórios);
  • Tratar infecções.

Esse acompanhamento regular ajuda a reduzir os riscos. 

O acompanhamento com nefrologista é essencial para controlar a doença.
Legenda: O acompanhamento com nefrologista é essencial para controlar a doença.
Foto: Shutterstock/Shidlovski.

Quem tem síndrome nefrótica tem direito a aposentadoria? 

O direito a aposentadoria vai depender do grau de incapacidade da condição. Apenas a síndrome isolada não garante o benefício.

No caso dos pacientes que realizam o tratamento com imunossupressores, medicações que reduzem a imunidade, é possível haver o pedido de afastamento das atividades profissionais na fase mais crítica. 

"Se houver complicações graves ou evolução para doença renal crônica avançada com necessidade de hemodiálise, o INSS pode conceder auxílio ou aposentadoria após perícia".
Evandro Faria
Nefrologista da Rede ICC

Cuidados e acompanhamento médico

No caso dos pacientes que possuem a síndrome nefrótica, é essencial ter um acompanhamento médico para controlar o quadro de cada pessoa e fazer os tratamentos necessários. Conforme Evandro, a síndrome exige: 

  • Monitorização regular da função renal e da proteinúria; 
  • Acompanhamento dos possíveis efeitos de medicamentos. 

Além disso, também é preciso ter cuidados constantes com dieta e vacinação

*Evandro Faria, médico nefrologista da Rede Instituto do Câncer do Ceará (ICC).

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