Óleo de melaleuca: benefícios e como usar no cabelo e na pele

Principalmente utilizado pela medicina tradicional, ele possui um elevado número de propriedades e aplicações

Escrito por Carol Melo , carolina.melo@svm.com.br
Closeup de mão pingando óleo de melaleuca em uma tigela sobre uma mesa
Legenda: A substância possui propriedades antimicrobianas
Foto: Shutterstock

O óleo de melaleuca é um produto fototerápico também conhecido como óleo de tea tree (árvore-de-chá, em tradução livre). Principalmente usado pela medicina tradicional, ele possui um elevado número de propriedades e aplicações, o que lhe confere uma versatilidade.  

É possível utilizar a substância no tratamento de diversos problemas, desde condições dermatológicas até mesmo ginecológicas. No mercado, ela é facilmente encontrada em lojas que vendem produtos naturais

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O que é 

O óleo de melaleuca é um óleo essencial extraído através da destilação das folhas da espécie de arbusto Melaleuca alternifolia Cheel, de origem australiana, também conhecido como árvore-de-chá (tea tree, em inglês), conforme detalha a pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenadora do Programa Farmácias Vivas da instituição, Mary Anne Medeiros Bandeira*.   

A substância possui propriedades antimicrobianas, atuando tanto como um antifúngico quanto como um antibacteriano, devido aos principais compostos químicos presentes na fórmula — terpinen-4-ol (70%), além de terpineno e da baixa concentração de 1,8-cineol —, que lhe garantem importância comercial há mais de 60 anos. 

Para que serve o óleo de melaleuca 

Combater caspa 

Como explica o dermatologista Guilherme Holanda*, devido à ação antifúngica, característica do óleo de melaleuca, ele melhora a dermatite seborreica, conhecida também como caspa, — doença inflamatória crônica que acomete as áreas seborreicas do corpo, como o couro cabeludo e está relacionado com alguns fungos como a Malassezia furfur.  

Auxiliar no tratamento da candidíase   

Uma mulher esbelta e bronzeada em roupas íntimas segura um raminho de flores secas perto da área íntima
Legenda: Produto nunca deve ser aplicado puro na área íntima
Foto: Shutterstock

A candidíase, como explica a ginecologista Rayanne Pinheiro*, é uma infecção fúngica da vulva e da vagina causada, em geral, por um fungo chamado Cândida — microrganismo presente na flora íntima feminina, mas em pequena quantidade. O quadro patológico acontece quando há um desequilíbrio na quantidade dele, ou seja, uma proliferação. 

A condição é comum, segundo a médica, cerca de 75% das mulheres devem desenvolvê-la pelo menos uma vez durante a vida, dentre elas 5% devem sofrer com a doença recorrentemente, podendo apresentá-la várias vezes ao ano.  

A especialista listou os principais sintomas relacionados à candidíase. São eles:  

  • Coceira vaginal (prurido);  
  • Sensação de ardor, principalmente em contato com a urina e água; 
  • Microfissuras; 
  • Inchaço e vermelhidão (casos graves); 
  • Desconforto durante a relação sexual;   

Existem ainda determinadas condições que aumentam o risco de sofrer com um quadro de candidíase, detalha a profissional. São fatores de riscos:  

  • Uso de antibióticos: a substância pode provocar o desequilíbrio da flora vaginal, causando a proliferação da cândida;   
  • Imunidade baixa;  
  • Uso de corticoides e moduladores da imunidade;  
  • Paciente com rinite, sinusite e asma crônicas.   

Devido ao ativo antifúngico, o óleo de melaleuca é indicado para auxiliar no tratamento da candidíase, mas, como esclarece Rayanne Pinheiro, é necessário que o quadro seja avaliado por um especialista, que deverá indicar o melhor óleo essencial a ser usado na situação — já que ele não é único que possui essa propriedade —, conforme as características da paciente.  

Combater acne   

Por ser eficaz no extermínio de microrganismos, devido às propriedades antimicrobianas, o uso tópico do óleo de melaleuca auxilia no tratamento da acne e cravos. Como explica Guilherme Holanda, a condição, comum durante a adolescência, está associada a alteração da flora bacteriana da pele com a presença da bactéria Propionibacterium acnes.  

Segundo Mary Anne Medeiros Bandeira, além de diminuir a irritação da pele e ter uma atividade comedolitica e anti-inflamatória apropriada, o composto apresenta menos efeitos colaterais que outros medicamentos para tratar o problema.  

A substância age contra a atividade microbiana através da inibição da respiração do microrganismo e o aumento da permeabilidade das membranas, levando a uma perda do controle quimiosmótico, como detalha a pesquisadora. 

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Melhorar rosácea  

A rosácea é uma afecção vascular inflamatória crônica da face que acomete principalmente adultos, entre os 30 e 50 anos, provocando vermelhidão e presença de pequenos vasos no rosto (teleangiectasias). A origem da condição é desconhecida, segundo o dermatologista, mas, muitas vezes, está associada a infestação pelo ácaro Demodex folliculorum.   

Estudos demostraram o benefício do uso tópico do óleo de melaleuca em pacientes com rosácea, e, conforme o especialista, isso acontece devido ao efeito anti-inflamatório e inseticida característico do produto natural.  

Prevenir e tratar pelo encravado 

Homem negro se barbeando em frente a espelho
Legenda: A substância pode minimizar as lesões instaladas na região da barba e o desconforto causado pelo pós-barbear
Foto: Shutterstock

A pesquisadora da UFC ainda indica que o óleo pode ser usado para tratar e prevenir a pseudofoliculite, condição conhecida como pelo encravado. A substância pode ainda minimizar as lesões instaladas na região da barba e o desconforto causado pelo pós-barbear.  

A utilização do produto pode melhorar a aparência e a irritabilidade da pele do indivíduo, tratando as lesões já instaladas e reduzindo o desconforto desencadeado por elas. 

Acelerar a cicatrização 

O óleo de melaleuca é conhecido historicamente pelas propriedades cicatrizantes, conforme a coordenadora do Programa Farmácias Vivas da UFC.  Muito usado em queimaduras, a substância tem um efeito imunomodulador que controla o processo inflamatório e a reorganização celular.  

Devido a essas características, o produto pode ser usado para auxiliar nos tratamentos estéticos faciais em associação a dermocosméticos, como na forma de um sérum de alta absorção e fácil aplicação, por exemplo, favorecendo o processo de cicatrização e eliminando reações indesejadas pós-tratamento.  

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Como usar  

Por ser uma substância superconcentrada, o óleo de melaleuca exige cuidado ao ser utilizado, como adverte Rayanne Pinheiro. Ele não pode ser aplicado diretamente na região a ser tratada, antes disso deve ser diluído em uma base neutra, como o óleo de coco ou até mesmo outros produtos específicos.   

Na pele  

Como indica Guilherme Holanda, o óleo de melaleuca pode ser utilizado no tratamento da acne em forma de gel, na concentração de 5%, diariamente a noite. A mistura deve ser usada em quantidade suficiente para cobrir toda a face. 

Já no caso da rosácea, o médico recomenda que a substância também seja usada em gel, mas em associação, por exemplo, com a permetrina tópica duas vezes ao dia

Nas partes íntimas  

Closeup de gota de óleo essencial da pipeta caindo em garrafa
Legenda: O óleo de melaleuca é encontrado a venda em lojas de produtos naturais
Foto: Shutterstock

Mucosas, como a região íntima, não possuem proteção de queratina como o restante da pele, explica Rayanne Pinheiro, então o cuidado ao usar o óleo nessas áreas deve ser redobrado. Ela desaconselha o uso direto dele, sem ter sido diluído em alguma base, tanto externamente (vulva) quanto internamente (vagina). 

Apesar de preferir usar as fórmulas manipuladas por farmácias especializadas, devido à precisão e segurança desse tipo de formato, a ginecologista sugere dois modos de usar também seguros. São eles:  

  • Banho de assento: usar de cinco a até dez gotas de óleo para cada um litro de água — o ideal é iniciar com as cinco gotas e ir aumentando, gradativamente, conforme a tolerância da pele. A paciente deve preparar a mistura e se sentar sobre ela, de uma maneira onde a região íntima tenha contato com o líquido. O processo pode ser repetido diariamente pelo período de sete a dez dias, conforme a médica. 
  • Cápsula de óleo: nesta receita a proporção de óleo essencial de melaleuca deve ser uma gota para cada colher de sopa de óleo vegetal, como o de coco. A mistura deve ser colocada em pequenas formas — a ginecologista indica o uso de drágeas de medicamentos antigos, lavadas e secas —, que devem ser levadas ao refrigerador, onde permanecem até a substância líquida ficar sólida. Em seguida, basta introduzir a espécie de cápsula na vagina à noite, após deitar.   

No cabelo  

O dermatologista recomenda que o óleo de melaleuca pode ser utilizado no tratamento da dermatite seborreica, também conhecida como caspa, na forma de shampoo, com concentração de 5%, diariamente, massageando o couro cabeludo e deixando agir por alguns minutos.  

*Mary Anne Medeiros Bandeira possui graduação em Farmácia pela Universidade Federal do Ceará - UFC, Mestrado e Doutorado em Química de Produtos Naturais pela UFC. Atualmente é Professora das Disciplinas de Farmacognosia e de Fitoterapia da Universidade Federal do Ceará. Membro do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da UFC, do Programa de Pós-Graduação em Inovação e Desenvolvimento Tecnológico em Medicamentos   e do Mestrado e Doutorado Profissional em Saúde da Família - Rede Nordeste em Saúde da Família, Nucleadora UFC em parceria com a Fiocruz. Diretora do Horto de Plantas Medicinais Professor Francisco José de Abreu Matos, Coordenadora do Programa Farmácias Vivas da UFC. 

*Dr. Guilherme de Medeiros Holanda é médico, com residência médica em dermatologia pela Universidade de São Paulo (USP), especialização em dermatologia oncológica e cirúrgica na USP; e especialização em cirurgia micrográfica de Mohs na USP. 

*Dra. Rayanne Pinheiro é médica Ginecologista e Sexóloga, com CRM 15060. É graduada pela Universidade Federal do Ceará, com Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Maternidade Escola Assis Chateaubriand - UFC. Tem pós-graduação em Sexologia Clínica pelo CESEX e Escola Bahiana de Medicina. Atualmente atua principalmente com Contracepção Feminina e Terapia Sexual.  

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