Óleo de coco: veja benefícios e como usar

Com uma composição benéfica para o organismo, o produto transita entre os insumos da cozinha e os cosméticos

Recipiente com óleo de coco próximo a cocos abertos
Legenda: O produto é um óleo vegetal extraído da polpa ou carne do coco
Foto: Shutterstock

O óleo de coco é um produto vegetal versátil, que pode ser usado tanto para hidratar pele e cabelos, ou integrar a base de cosméticos, como também na produção de biscoitos, de massas e de pães, além do preparo de carnes e legumes. Ele transita com propriedade entre os insumos da cozinha e os cosméticos.  

Com uma composição rica em propriedades benéficas para o organismo, a substância atua no combate a inflamações bacterianas e fúngicas, além da perca de água e no tratamento de dermatites. 

O que é 

O produto é um óleo vegetal extraído da polpa ou carne do coco. Ele pode ser encontrado em duas formas, puro ou natural e refinado. A principal diferença entres os dois é que o primeiro é extraído a partir do coco fresco, enquanto o segundo é processado a partir da fruta seca do coqueiro, com nome científico de Cocos nucifera. 

O óleo de coco virgem ou extra virgem não passa por um processo de refinação, sendo totalmente puro, extraído direto do coco fresco e é livre de contaminantes, segundo a nutricionista Mônica Souto*. É possível identificá-lo ao observar o aroma, a textura, a cor e o sabor do produto.  

A substância pura deve ter um aroma e um sabor suaves de coco, enquanto a coloração deve ser transparente quando líquido ou branco quando sólido (abaixo de 25°C). Se essa variação de estado não ocorrer, significa que o produto teve as propriedades químicas alteradas, deixando de ser virgem e passando a ser refinado.  

Já o óleo de coco orgânico requer um selo emitido por autoridade competente por certificarem que os frutos utilizados na extração foram cultivados sem o uso de pesticidas. No entanto, a profissional frisa que o coco possui uma proteção natural, através da casca, que livra o interior de contaminações com resíduos de pesticidas. 

A versão refinada é obtida através da fruta seca, resultando em um produto de menor qualidade com um sabor rançoso. Também pode ser extraído da polpa que foi deixada para secar. O material passa por um processo de refinamento, em que é modificado as características naturais do coco, tornando o produto menos eficaz. 

Benefícios  

Óleo de coco em uma garrafa com coco e folhas de palmeira verde em uma mesa de madeira
Legenda: O óleo de coco virgem ou extra virgem é a versão que preserva as características positivas do produto
Foto: Shutterstock

A substância apresenta propriedades naturais que podem ser benéficas para o organismo, segundo a dermatologista Celina Albuquerque**, pois é rica em ácidos graxos, que além de possuir uma função hidratante potente, têm entre eles o ácido láurico, que apresenta ação antibacteriana e antifúngica

O óleo também é adequado para o consumo, conforme Mônica Souto. Por possuir um elevado teor de ácidos graxos, composto, predominantemente, por ácidos graxos de cadeia média (TCM) — grupo de gorduras que tem como prioridade gerar energia —, ele tem uma composição saudável.  

Quando comparado a outras fontes de gordura, como os óleos de canola, de soja e de girassol, por exemplo, ele não apresenta caráter inflamatório, podendo atuar como uma boa fonte de energia. 

Pele e cabelos  

Por ter características hidratantes, ele pode ser usado na rotina de cuidados da pele e dos cabelos. Os interessados em utilizar o produto devem preferir a versão virgem ou extra virgem, segundo a dermatologista, pois elas preservam as propriedades benéficas do agente vegetal. 

Além de devolver a água para a pele, o óleo de coco também atua com propriedades calmantes e antimicrobianas, útil inclusive para o tratamento de dermatoses inflamatórias como os eczemas.   

Nos cabelos, ele também pode agir para tratar fios opacos, sem brilho, que quebram com facilidade e rebeldes, através da ação umectante e hidratante.   

Saúde íntima  

Imagem abstrata de uma vagina feminina
Foto: Shutterstock

Devido às propriedades bactericida e fungicida, o óleo de coco pode ser usado na região íntima feminina para controlar o pH vaginal, além de auxiliar no tratamento de infecções, como a candidíase de repetição.  

Segundo a ginecologista Nathália Posso***, outra ação interessante do produto é atuar na hidratação íntima, principalmente no caso de pacientes que possuem ressecamento vaginal, mas não podem receber reposição hormonal.  

A substância ainda pode ser utilizada como lubrificante durante o ato sexual, mas a médica alerta que ele não pode ser combinado com preservativos à base de látex, pois o óleo danifica a estrutura da camisinha, podendo causar furos e rompimentos do material.  

Como usar     

Na pele 

É possível acrescentar o produto aos cuidados com a pele, no entanto, Celina Albuquerque alerta que ele pode causar acne em pessoas com predisposição.   

A especialista indicou três formas de integrar o óleo de coco à rotina de skincare. São elas:  

  • Óleo de limpeza: também conhecido como cleasing oil, o produto deve ser utilizado como demaquilante. O usuário dever aplicar o óleo na pele seca, e, em seguida, enxaguar usando um gel de limpeza adequado para o tipo de pele.  
  • Hidratante: o agente vegetal pode tratar as em áreas de pele espessa, que necessitam de reposição de água, como cotovelos e joelhos. Ele pode ser aplicado sozinho ou por cima do hidratante corporal.   
  • Selante do creme da área dos olhos: aplique uma gota do óleo por cima do creme usado na área dos olhos e também nas pálpebras inferiores. Nessa modalidade o óleo agente potencializador da ação hidratante na região.   

Na região íntima

O óleo de coco deve ser passado na vulva, na entrada da vagina e na região perianal — área situada na margem do ânus — com ajuda dos próprios dedos, indica a ginecologista. O produto também pode ser introduzido no canal vaginal.

As versões extra virgem ou virgem são as recomendadas pelas especialista, por serem naturais e puras há menos chances de causarem reações alérgicas. 

Outra forma de utilizar o produto é em temperatura amena, que pontencializa a ação calmante. Segundo Nathália Posso, basta refrigerar pequenas quantidades do óleo — com auxilio de formas na geladeira — e  introduzí-las na vagina antes de dormir, preferencialmente após o banho, ou duas vezes ao dia. 

No cabelo  

As principais funções do óleo de coco são atuar na hidratação e nutrição dos fios. Para isso, a especialista indica que ele seja usado antes de lavar o cabelo, como espécie de pré-shampoo. Para seguir a dica, basta aplicar uma pequena quantidade do produto em cada mecha do cabelo, evitando o couro cabeludo.  

A dermatologista aconselha que os fios sejam presos enquanto o óleo age, para evitar que ele cause acnes na região das costas.  

A substância deve agir por duas horas e, em seguida, as mechas devem ser lavadas normalmente, com shampoo e condicionador.   

Na cozinha 

Frigideira quente com óleo de coco
Legenda: Nutricionista indica que se consuma no máximo duas colheres de sopa do óleo, fracionadas ao longo do dia
Foto: Shutterstock

O óleo de coco pode ser consumido de diversas formas: ao refogar alimentos, grelhar carnes ou na confecção de doces, bolos e tortas. Segundo a especialista alimentar, ele pode substituir a gordura usada habitualmente para preparar alimentos, basta manter a mesma quantidade, instrui a especialista em alimentação.  

Para emagrecer  

Por possuir, predominantemente, ácidos graxos de cadeia média (TCM) — grupo de gorduras que tem como prioridade gerar energia —, o produto pode atuar como uma boa fonte de energia, pelo fato do TCM (triglicerídeos de cadeia média) serem fáceis de adentrar na via metabólica que utiliza gordura como fonte de energia.  

Entretanto, como explica a nutricionista, é necessário consumir a substância equilibradamente, como qualquer alimento fonte de gorduras, sejam essas “boas” ou “ruins”, pois na composição do óleo de coco não contém apenas o TCM, mas também triglicerídeos de cadeia longa (TCL) —gordura com caráter inflamatório.  

Logo, a especialista indica que o consumo moderado é o ideal, para prevenir efeitos negativos ao organismo e também o ganho de peso.   

 

Como fazer óleo de coco natural   

Óleo de coco sólido próximo a cocos abertos
Legenda: O óleo de coco assume o estado sólido quando exposto a temperaturas abaixo de 25ºC
Foto: Shutterstock

O óleo de coco é obtido através de um método chamado prensagem a frio, conforme Mônica Souto, no qual são utilizadas prensas situadas em um ambiente com temperatura controlada. O processo é necessário para neutralizar os efeitos do calor, que podem ser gerados pelo atrito mecânico.  

A técnica garante que o produto não foi exposto à temperatura superior a 45°C, preservando as características físicas, químicas e biológicas do agente vegetal, retendo o sabor, o aroma, a cor e os nutrientes naturais da fruta.   

A nutricionista listou um passo a passo para extrair o óleo de coco através da passagem a frio: 

  • Descascar o coco, quebrando a casca e separando a amêndoa do coco;   
  • Separar a película da amêndoa do coco, através do processo de despeliculação. Essa película pode produzir o óleo ou ser usada para fins cosméticos;  
  • Moer as amêndoas do coco, etapa em que elas são trituradas e o produto final é o coco ralado; 
  • Secar as amêndoas trituradas, resultado no coco ralado desidratado;    
  • Prensar o produto, estágio em que é extraído o óleo de coco bruto; 
  • Filtrar o óleo de coco bruto;  

Após passar pelo processo de filtração, o óleo de coco pode ser comercializado tanto para fins alimentícios como para fins cosméticos. O produto restante dessa tapa é o farelo de coco que após tratamento específico pode ser comercializado como coco ralado. 

Quanto consumir por dia 

A nutricionista indica que o indivíduo não deve exceder duas colheres de sopa de óleo de coco por dia e alerta que é interessante evitar consumir uma quantidade maior que essa de qualquer fonte de gordura em uma única refeição, o ideal é que seja fracionada ao longo do dia.  

A ingestão de mais de duas colheres de gordura em uma única refeição pode causar efeitos gástricos como dores abdominais e diarreia, além de atrapalhar no processo de emagrecimento.  

*Mônica Souto é nutricionista, graduada em nutrição pelo Centro Universitário Unifanor – Wyden, pós-graduada em Nutrição Esportiva pelo Instituto Nacional de Ensino Superior (INADES) e graduanda em Aromaterapia pelo Grupo Educacional IBRA. 

**Dra. Celina Albuquerque é médica dermatologista, com CRM CE 10.960 e registro RQE 5468. É graduada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com Residência Médica em Dermatologia e Doutorado, ambos na Universidade de São Paulo (USP). Também é membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).

***Dra. Nathália Posso Lima é médica ginecologista, com CRM-CE 14200 e registro RQE 8571. É graduada em Medicina pela  Universidade Estadual do Ceará (UECE), com Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Geral Cesar Cals e mestranda em Ensino na Saúde pela UECE. Também é  preceptoria da Residência Médica e Internato no Hospital Geral Cesar Cals e professora substituta da disciplina de Ginecologia e Obstetrícia do curso de Medicina da UECE.