Óleo de rícino: para que serve e como usar nos cabelos

O produto pode ser um aliado para a saúde dos fios, da pele, das unhas, além de promover a regulação do intestino

óleo de rícino no cabelo
Legenda: Fios opacos, sem brilho, que quebram com facilidade e rebeldes podem ser sinais de desidratação capilar
Foto: Shuttorstock

Difundido no mundo estético por promover a hidratação, o óleo de rícino é amplamente utilizado pela indústria cosmética. Rica em ácido ricinoleico, a substância pode ser uma aliada para a saúde dos cabelos, além da pele e das unhas.   

Fios opacos, sem brilho, que quebram com facilidade e rebeldes podem ser sinais de desidratação capilar, problemas que podem ser solucionados com o uso do agente vegetal. Além dos benefícios tópicos, ele pode também auxiliar em situações de constipação pontual e crônica, promovendo o bem-estar do usuário.

   

O que é óleo de rícino?

O insumo é um óleo vegetal originado da semente da mamona, planta nativa da Ásia meridional com nome científico de Ricinus communis L, encontrada amplamente pelo Brasil. Ele pode ser extraído através da pressão ou até pelo processo de desidratação das sementes. 

Atualmente, é considerado um potente produto cosmético, além de ser muito visado pela indústria química. Ele é exportado através vários países, como o próprio Brasil, a China, a Índia, entre outros. 

Para que serve  

Devido às suas propriedades hidratantes, o óleo de rícino é utilizado principalmente para auxiliar na retenção de água nos cabelos, pele e unhas, explica a dermatologista Hercilia Queiroz*. Ele também pode agir como agente umectante dos fios, promovendo o fortalecimento e nutrição do tecido capilar.  

Por possuir uma grande quantidade de ácido ricinoleico em sua fórmula, tipo de ácido graxo ômega 9, ele também é uma matéria-prima utilizada amplamente na indústria química, como em composições cosméticas, mas também como componente de tintas, revestimentos, lubrificantes e até como um possível biocombustível, que ainda está em estudo comparado ao petróleo.  

Já na indústria farmacêutica, por possui propriedades laxativas, a substância é usada por laboratórios para estimular quadros de desinterias em animais com objetivo de estudar e desenvolver novos medicamentos antidiarreicos.  

Do que é feito   

óleo de rícino
Legenda: O óleo vegetal é retirado das sementes do pé-de-mamona
Foto: Shuttestock

O óleo de rícino é um óleo vegetal originado da semente da mamona, conhecido também como pé-de-mamona. Segundo a especialista, cerca de 50% dessa parte da planta possui na matéria-prima formulação do bálsamo.  

A substância pode ser extraída de diversas formas, desde processos manuais até o uso de equipamentos industriais, que acelera a fabricação. O óleo pode ser retirado das sementes através da desidratação das mesmas ou por processos de pressão.   

Quanto custa  

No mercado, o óleo de rícino é ofertado por diversos preços, que vão desde versões mais baratas, que custam cerca de R$ 9, até edições orgânicas, livre de agrotóxicos, que podem chegar a mais de R$ 50. A capacidade do frasco também influencia nos valores, ou seja, quanto maior a quantidade adquirida, mais alto será o valor a ser desembolsado.  

A dermatologista frisa que na hora de adquirir o produto é primordial verificar a procedência, que deve ser confiável, além de preferir itens 100% puros, pois isso reduz as chances de o uso provocar a sensibilidade no local, que podem ser causados por agentes conservantes inseridos na fórmula. 

Quais os benefícios  

O rícino é comumente utilizado com um agente hidratante e umectante, principalmente para os cabelos, mas também pode ser utilizado juntamente com hidrantes e outros óleos para reter água na pele e unhas.  

No entanto, a especialista frisa que as evidências cientificas sobre os benefícios promovidos pela substância são baseadas em poucos estudos, principalmente quando comparado a outros agentes hidratantes, como o óleo de coco, que possui mais trabalhos comprovando que ele combate a desidratação com mais eficiência.    

Por causa do reduzido número de trabalhos robustos sobre o produto extraído da semente da mamona, Hercilia Queiroz alerta que o uso dele deve ser feito com cuidado e com a indicação de um especialista. 

Em relação a utilização para consumo oral, a nutricionista Jamile Tahim** esclarece que o óleo de rícino é relacionado com a regulação intestinal para situações de constipação pontual e crônica, pois possui ação anti-inflamatória e propriedade laxativa.   

Como usar o óleo de rícino no cabelo  

óleo de rícino usado no cabelo
Legenda: Produto pode ser usado no cabelo puro ou combinado com outras substâncias
Foto: Shuttorstock

A ciência considera que o fio de cabelo é um tecido morto, por ser incapaz de regenerar as células presentes nele, e devido a essa característica, eles demandam mais cuidados específicos. Desidratação e danos causados por processos químicos são fatores que podem contribuir para o estrago do fio.  

O óleo de rícino pode ser um aliado para combater a perda de água do fio, e, assim, auxiliar na manutenção da hidratação das mechas. Conforme a dermatologista, o uso deixa os cabelos macios e pesados.  

No entanto, ela esclarece que ele não é capaz de alterar a estrutura capilar, e que essa sensação de fios mais espessos, muito procurada nos consultórios, é resultado da retenção de água e da viscosidade característica do produto.  

Existem várias formas de usar o óleo de rícino nos cabelos, mas Hercilia Queiroz indica algumas:  

Puro: aplicar cerca de uma colher de sopa do produto — quantidade pode variar dependendo do comprimento — nos fios, não é necessário que eles estejam limpos. É importante que ele seja usado, preferencialmente, no comprimento, evitando a raiz e couro cabeludo. O tempo mínimo de permanência é de 30 minutos.  

Junto a outros itens: também é possível usar o óleo misturando-o com outros produtos como óleo de coco ou babosa. A dermatologista indica usar 10 gotas da substância com outros itens e aplicar no cabelo, evitando a região do couro cabeludo. A técnica também deve agir por no mínimo 10 minutos.  

Quanto tempo deixar o óleo de rícino no cabelo 

O tempo mínimo de permanência do óleo nos fios é de 30 minutos. Conforme a especialista, não há um tempo máximo para o uso do produto. A tolerância vai depender do usuário.   

Como fazer umectação noturna  

óleo de rícino
Legenda: O rícino é comumente utilizado com um agente hidratante e umectante
Foto: Shuttorstock

Fios ressacados, opacos, quebradiços e porosos podem se beneficiar de uma nutrição mais profunda com rícino. Como ele atua restaurando a barreira que retem a água, acaba devolvendo a hidratação e deixando o cabelo macio e com aspecto de mais encorpado.   

Para realizar uma umectação noturna com óleo, basta utilizá-lo puro ou adicionado em outro agente, como o óleo de coco. Como não há um tempo máximo de uso, o indivíduo pode passá-lo nas mechas, evitando a raiz, antes de dormir e retirar com uma lavagem normal no dia seguinte.  

Hercilia Queiroz frisa que cabelos profundamente danificados com processos químicos, como coloração e alisamentos, devem ser cuidados com um cronograma específico e com auxílio de um profissional.   

Para crescer cabelo 

Não existem muitos estudos científicos que indiquem que o óleo extraído da semente da mamona auxilia no crescimento, segunda a dermatologista. Na verdade, a principal propriedade dele é contribuir para a hidratação capilar.    

Para queda de cabelo  

A queda de mechas é um processo natural do corpo, devido à renovação celular constante. Cientistas estimam que um ser humano saudável perde cerca de 100 fios por dia. No entanto, é possível que esse número seja maior quando há algum desiquilíbrio emocional, como estresse, alguma patologia ou agente externo. 

Existem produtos que tratam essa condição e devolvem a saúde aos cabelos, mas o óleo não possui esse poder, segundo a especialista.    

Como amolecer rímel  

É possível utilizar o óleo de rícino como emoliente de máscaras de cílios e outras maquiagens, no entanto, a dermatologista frisa que é importante ter cuidado para que a substância não danificar a fórmula desenvolvida pelo fabricante, ou até mesmo alterar a validade do produto.  

Caso não seja notado danos causados pela adição do rícino ao cosmético, ele pode auxiliar na hidratação daquelas áreas em que a maquiagem será aplicada, promovendo a hidratação do local.   

Como eliminar estrias brancas  

Estrias brancas são fendas com falha na cicatrização que podem ser provocadas por vários fatores, desde predisposição genética até ressecamento, distensão — causado pelo crescimento rápido da pele naquele local —, e variação de peso.  

Essas falhas na estruturação da pele podem ser corrigidas através de diversas opções terapêuticas. Com o uso de hidratantes, que possuem ativos que vão auxiliar com estímulos de colágeno na pele, até a combinação de procedimentos que venham a trazer um dano, não só superficial, como profundo na pele, promovendo um estímulo para a produção de colágeno no local.  

Estrias
Legenda: Estrias brancas são fendas com falha na cicatrização que podem ser provocadas por vários fatores
Foto: Shuttorstock

O óleo de rícino pode auxiliar no processo de tratamento das estrias brancas, agindo na hidratação e na manutenção da barreira cutânea, proporcionando maciez no local utilizado.  

Para usar o produto na pele é possível misturar duas colheres de sopa da substância com quatro ou cinco colheres de sopa de hidratante corporal. O ideal passar a combinação logo após o banho, preferencialmente à noite, antes de dormir.    

É bom para as unhas?  

Sim, o produto extraído da semente de mamona pode ser um aliado para a hidratação de unhas e cutículas. O recomendável pela especialista é que seja aplicado cerca de uma gota em cada unha, e, depois, o local seja massageado. No entanto, essa quantidade pode variar dependendo da concentração da substância.  

O óleo gera um efeito cosmético de maior brilho, maciez, e, às vezes, ainda age no fortalecimento das unhas que estão mais frágeis devido à falta de hidratação.  

Laxante  

O óleo de Rícino é uma fonte de ácidos graxos, ácido linoleico, vitamina E e minerais que lhe garantem propriedades anti-inflamatórias, ação antioxidante e atividade antimicrobiana. O óleo é comumente utilizado de forma tópica ou para consumo via oral, a depender da propriedade desejada.  

Para ingestão, o óleo de rícino é relacionado com a regulação intestinal para situações de constipação pontual e crônica pela sua ação anti-inflamatória e propriedade laxativa. Dessa forma pode ser uma das estratégias para estímulo do hábito intestinal regular, associado ao consumo variado de fibras alimentares, combate ao sedentarismo, reequilíbrio da microbiota intestinal e hidratação adequada.  

Para ação laxativa, Jamile Tahim indica que se pode inserir uma colher de sopa rasa associada a saladas, frutas e vitamina de frutas laxativas, como mamão, kiwi e ameixa, por exemplo.  

Efeitos colaterais 

O óleo não é considerado um agente alérgeno ou fotossensibilizante, além de não trazer danos para a saúde dos cabelos, das unhas e da pele. No entanto, Hercilia Queiroz frisa que se deve buscar a orientação de um profissional antes começar a usar o produto.  

Fazer um teste, ao aplicar a substância em pequenas áreas do corpo, com o objetivo de identificar reações adversas, como alergia na área testada, é recomendável.  

*Dra. Hercilia Maria Carvalho Queiroz é médica dermatologista, com CRM 12.114 e registro RQE 6543. Formada em medicina pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), ela fez pós-graduação em Dermatologia e residência médica pelo Hospital Universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestranda em Ciências Médicas pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR), ela recebeu o título de especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Associação Médica Brasileira (AMB), além de ser membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. 

** Jamile Tahim é nutricionista, graduada em Nutrição pela Universidade de Fortaleza (Unifor), mestranda em Nutrição em Saúde pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), especialista em Nutrição Clínica e Fitoterapia Aplicada, além de especialista em Nutrição em Nefrologia.