Óleo de copaíba: para que serve e como usar o extrato
Substância possui propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes
Extraído do tronco da copaibeira, árvore predominante nas regiões amazônicas do Brasil, o óleo-resina de copaíba (Copaifera sp.), ou bálsamo de copaíba, possui propriedades anti-inflamatórias e vem sendo cada vez mais estudado cientificamente.
Segundo destaca a farmacêutica Kellen Miranda Sá*, o extrato tem princípios ativos variados em sua composição qualitativa e quantitativa, em razão das diferentes espécias da copaíba, e pela influência das condições de solo e clima.
Para que serve?
Popularmente, o óleo de copaíba é usado para tratar inflamações diversas e como anti-infeccioso, principalmente nas doenças de pele, urinárias, e respiratórias, como garganta, bronquite, tosse, por exemplo.
Quais doenças trata?
Além do caráter anti-inflamatório, segundo a farmacêutica, a substância também apresenta atividades antimicrobiana e cicatrizante. Atua ainda prevenindo a inflamação do cólon e os danos ao intestino, e tem atividade bacteriostática no trato urinário e efeito antimicrobiano devido à presença de sesquiterpenos.
Possui também atividade contra bactérias cariogênicas, que são as associadas ao desenvolvimento das cáries, devida ao componente ácido copálico.
Benefícios
Para a pele
Para a pele, o óleo pode atuar como anti-inflamatório, antisséptico e cicatrizante, ajudando a melhorar quadros como acne, psoríase, entre outros, conforme explica Kellen Miranda Sá. O ácido copálico presente no óleo, destaca a especialista, tem propriedades antioxidantes minimizando os danos ocasionados por radicais livres.
Para o cabelo
No couro cabeludo o extrato vai atuar da mesma forma, minimizando os processos inflamatórios e os danos ocasionados por radicais livres.
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Como tomar
Embora o óleo de copaíba possa ser tomado, conforme uso difundido popularmente, o consumo oral deve ser feito com cautela, alerta a farmacêutica, "de preferência, sob a orientação de um profissional de saúde, pois o óleo pode interagir com os medicamentos que a pessoa toma e apresentar efeitos indesejados", disse.
O produto também pode ser tóxico se ingerido em quantidade, havendo relatos de dor estomacal após consumo interno de 5g ou 15 ml.
Kellen Miranda Sá alerta ainda para o consumo de óleo de copaíba adulterado, que pode ocasionar problemas à saúde. É importante atentar para as especificações do rótulo, pois se nele estiver descrito que o produto está registrado como cosmético, não caberá o uso oral.
O uso oral do óleo-resina de copaíba como agente terapêutico encontrou relativa margem de segurança em estudo publicado na Revista Brasileira de Farmacognosia em 2009, em que o objetivo foi avaliar a toxicidade oral aguda e os possíveis efeitos neurotóxicos da substância. No entanto, ainda são necessários estudos toxicológicos adicionais, principalmente com a administração repetida de baixas doses.
Outro estudo, realizado pela Universidade Federal de Pernambuco em 2014, concluiu que o óleo possui baixa toxicidade, apesar de merecer destaque o possível efeito tóxico materno durante a gestação e sobre a função renal, que requerem estudos mais detalhados.
Alguns ensaios clínicos com formulações contendo o óleo de copaíba na composição, em baixas concentrações, foram bem toleradas pelos voluntários, sem apresentar alterações significativas nos exames laboratoriais.
Um ensaio clínico classificou como bem tolerado a segurança do uso de uma formulação fitoterápica composta do óleo de copaíba (Copaifera multijuga) associado com algumas plantas guaco (Mikania glomerata), hortelã-pimenta (Mentha piperita) e eucalipto (Eucalyptus globulus), para tratar doenças respiratórias quando o composto é incorporado à própolis e mel. O levantamento salienta, no entanto, a necessidade de mais estudos clínicos com a copaíba e padronização desta matéria-prima, dadas as suas variações naturais.
Outro ensaio clínico avaliou a toxicologia clínica de um xarope composto por tinturas de guaco (Mikania glomerata), grindélia (Grindelia robusta), copaíba (Copaifera officinalis), bálsamo de Tolú (Myroxylon toluifera), álcoolatura de agrião (Nasturtium officinale), própolis e mel, concluindo que o uso foi bem tolerado, não apresentando eventos adversos graves.
Para tosse é bom?
Dadas as propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas, o óleo pode ajudar no tratamento de doenças respiratórias, como a tosse.
Posso beber?
A segurança dessa indicação não está bem estabelecida cientificamente, portanto é necessário buscar orientação de um profissional de saúde.
Posso pingar no nariz ou no ouvido?
Embora seja popularmente usado, não há dados na literatura científica que respaldem cientificamente o uso do extrato no nariz ou no ouvido, esclarece Kellen Miranda Sá. Sabe-se que 'in vitro', o óleo resina de copaíba exerce atividade antimicrobiana em cepas multirresistentes de Staphylococcus coagulase-positiva, extraídas a partir de otites de cães.
Quanto tempo se pode tomar?
A farmacêutica afirma não haver dados na literatura científica que respaldem cientificamente a segurança do uso do óleo de copaíba a longo prazo, devendo cada caso ser avaliado.
Efeitos colaterais
Entre os efeitos colaterais do óleo de copaíba, a especialista cita a possibilidade de causar irritação das mucosas, o surgimento de tremores e insônia em caso de uso continuado, e dores estomacais após consumo interno de 5g ou 15ml.
Além disso, em contato com a pele pode causar dermatite de contato com eritema, 'rash' vesicular ou papular, urticária e petéquias em pessoas sensíveis e, ocasionalmente, manchas escuras após a cicatrização. Para quem faz uso de medicamentos, o óleo pode interagir com estes e ocasionar efeitos não desejados, segundo Kellen Miranda Sá.
Onde é possível comprar?
O óleo-resina de copaíba é encontrado em farmácias comerciais, farmácias de manipulação, lojas de produtos naturais e fabricantes.
Quando o produto não for adquirido em farmácias de manipulação, o consumidor deve atentar para a pureza do óleo, pois há muita adulteração no mercado, o que pode ocasionar danos à saúde.
No rótulo, atentar para o registro do produto nos órgãos sanitários brasileiros e para a composição, que deve conter o nome científico da espécie, apenas. Não pode conter parafina/vaselina, óleo mineral, entre outros.
*Kellen Miranda Sá possui graduação em Farmácia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mestrado em Políticas Públicas e Gestão do Ensino Superior pela UFC e especialização em Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica; Produtos Naturais de Plantas e Derivados; Administração Hospitalar. É servidora pública (cargo Farmacêutica) lotada no Horto de Plantas Medicinais Prof. Francisco José de Abreu Matos/Laboratório de Produtos Naturais (LPN) da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC).