O que se sabe sobre assassinato de PM em barraca de praia em Fortaleza?
Outras duas pessoas foram baleadas após uma briga.
Uma discussão seguida de uma briga estaria por trás da morte do soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) Paulo Henrique de Lima Silva, de 37 anos. O militar foi assassinado na área externa da barraca Sunrise Beach Club, na Praia do Futuro, em Fortaleza, na noite do último domingo (11). Outras duas pessoas foram baleadas.
A reportagem apurou, com fonte da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), que o segurança do estabelecimento é o principal suspeito de efetuar disparos contra Paulo Henrique.
Há a suspeita de que o segurança, que ainda não foi identificado, também é um policial militar. Ele teria fugido em uma motocicleta, após o crime, com apoio de outras pessoas.
Paulo Henrique de Lima Silva estava de folga na noite do crime. Ele ingressou na Polícia Militar do Ceará em junho de 2018.
Um vídeo mostra o suposto início da briga. Paulo Henrique, de blusa branca, estava com amigos, na fila de entrada para a barraca de praia, quando encarou um homem - que seria o segurança do estabelecimento.
O segurança deu um tapa no rosto do policial militar, e outras pessoas que estavam na fila tentaram separar a briga.
Veja o vídeo:
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Outras pessoas baleadas
Dois homens também foram baleados e socorridos ao hospital. Conforme a fonte da SSPDS, eles são outro segurança do estabelecimento e um amigo do PM morto.
A Secretaria da Segurança Pública informou, em nota, que "a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) segue investigando as circunstâncias de um homicídio doloso, registrado na noite desse domingo (11), na Praia do Futuro - Área Integrada de Segurança 10 (AIS 10) de Fortaleza".
Conforme as primeiras informações, após ocorrer uma discussão em um estabelecimento comercial, um policial militar, que estava de folga, de 37 anos, foi lesionado por disparos de arma de fogo e foi a óbito. Outras duas pessoas também foram lesionadas e socorridas."
Segundo a SSPDS, equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) foram acionadas e colheram informações para auxiliar as investigações. O crime é investigado pelo DHPP.
"A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais", destacou a Pasta.
Confira os canais de denúncia:
- O número 181, o Disque-Denúncia da SSPDS;
- O telefone (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia;
- O canal “e-denúncia”, o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.
O que diz a barraca de praia
Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a Sunrise Beach Club ressaltou que não houve entrada de pessoas armadas na unidade, uma vez que os "protocolos de controle e segurança da casa atuam justamente para impedir a entrada de objetos ou armas que coloquem em risco a integridade do público, colaboradores e da operação".
"A Sunrise Beach Club lamenta profundamente o ocorrido, se solidariza com as famílias e com todas as pessoas afetadas e manifesta pesar diante da gravidade dos fatos. Colaboradores e prestadores de serviço da casa também foram impactados e vitimados pelo episódio e estão recebendo toda a atenção e suporte necessários", complementa o estabelecimento.
Processo por homicídio
A reportagem apurou que o PM Paulo Henrique de Lima Silva, morto na barraca, foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por um homicídio, ocorrido em janeiro de 2019, no bairro Jangurussu, em Fortaleza. Na ocasião, ele teria atuado com o também policial militar Rodrigo Aguiar Braga.
Entretanto, a Justiça Estadual rejeitou a denúncia, em abril de 2022, ao acatar a versão dos militares de que agiram em legítima defesa, após Rodrigo ser ameaçado de morte. O processo segue em tramitação na 4ª Vara do Júri de Fortaleza.
Rodrigo Braga foi preso pela morte de um empresário em Fortaleza, em maio de 2025, e também é suspeito de matar uma funcionária pública, no Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
O advogado de Paulo Henrique de Lima Silva não foi localizado para comentar o caso.
Já a defesa de Rodrigo Aguiar Braga, representada pelo advogado Oswaldo Cardoso, garante que "o cliente é inocente das acusações que lhe foram imputadas, inexistindo justa causa para a persecução penal".
"No curso do processo em trâmite na 4ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, o Poder Judiciário, após análise minuciosa do conjunto probatório, rejeitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público, reconhecendo a ausência de elementos mínimos que sustentassem a acusação", acrescentou o advogado.